Colorido Artificialmente - Entrevista (Bruno Faleiro)

por - 08:54

O último post do blog foi uma resenha sobre o disco "A tradicional família mineira" da banda Colorido Artificialmente de BH. Me perdi tanto no som da banda que logo fui buscar uma entrevista, esclarecer dúvidas e conversar com algum membro da banda e consegui falar com o Bruno (baixista). Em um papo bem legal via gtalk ele falou sobre coisas bem legais, tipo se a banda pode voltar do hiato, influências e mais um monte de coisas, segue aí, rapeize:



1 -) Primeiro de tudo, de onde surgiu o nome da banda?

Sempre essa, hehe. Bom cara, na verdade a banda existiu por vários meses sem ter um nome. Nós só fixamos esse nome quando lançamos duas músicas no myspace, e de certa forma, lançamos a banda. Foi uma idéia do Manuel, nós tínhamos resistência, mas acabamos nos acostumando com ele.

2 –) hahaha. É que de fato, é um nome que desperta questionamento da parte dos fãs. E de onde surgiu a idéia da banda? Foi aquela coisa de sempre de reunir amigos na garagem e conforme o tempo foi passando as coisas começaram a fluir de forma mais legal?

Cara, até que não. Eu e o Chico estudamos jornalismo na PUC e tínhamos outras bandas. Decidimos fazer um som juntos e procurar outros membros. Tanto o Manuel quanto o Feijão foram nos conhecer somente no estúdio. Mas, no final das contas, isso foi legal, pois criamos uma amizade que se mantém, mesmo agora que a banda não está tocando.

3 –) Outro assunto que intriga bastante é essa pausa que a banda deu. Ainda há possibilidades da banda voltar a tocar?

Difícil dizer. Nós paramos de tocar porque o Chico se mudou para Florianópolis e agora ele está de volta a BH. Mas é difícil dizer, quando estávamos tocando, nossa vida era de uma maneira completamente diferente do que é hoje. Atualmente, todos nós temos prioridades diferentes. O Chico sempre está compondo, mas também está dedicando muito aos estudos, eu trabalho e tenho uma banda nova, o Manuel faz o som dele e também trabalha, o Feijão faz faculdade de música e também tem outra banda. Ou seja, é muito diferente de antes, mas não sei, não dá para dizer. A gente não se encontrou e falou sobre isso.





4 -)  Entendi. Nós estávamos conversando esses dias sobre as letras das músicas, sobre a maioria delas terem a ver com Minas e quem ouve e não é daí, cria um próprio significado. Como é isso para a banda? Essa sensação de tocar as pessoas?

Cara, como o Chico diz, as letras são histórias, com começo, meio e fim. O "A Tradicional Família Mineira" é um disco totalmente autoral. Ele fala sobre coisas que sentíamos e de certa forma nos tocaram. O pano de fundo para as composições é Minas Gerais. Por mais que elas contenham histórias particulares, sobre coisas que acreditamos e vivemos, a interpretação é livre. Até mesmo porque elas falam de temas como opressão, infância, vigilância, relacionamentos de qualquer ordem, ou seja, situações possíveis para qualquer pessoa, independentemente de onde ela tenha vivido.

5 - ) Então, cara e esse instrumental? De fato, a primeira coisa que me chamou atenção na banda foi isso. De início me remeteu a um post-rock, mas depois eu comecei a viajar e desisti de tentar encaixar algum estilo pra banda. Sabe? Eu falaria numa boa para alguém: "ouve o som lá, é rock. Rock do bom". Há alguma influência declarada de toda a banda ou é o processo de composição de quatro músicos sem nem pensar algo como "quero que soe mais assim"?

É engraçado isso. São pouquíssimas as bandas que os quatro integrantes piram. Agora, consigo me lembrar do Toe e umas coisas mais clássicas, tipo Nirvana, Radiohead, etc. Mas por exemplo, na época, eu e o Chico ouvimos muito ...and you will know us by the Trail of Dead, Engine Down, At the drive-in, Sonic Youth... o Manuel nos aplicava no Math Rock. Os caras também gostam muito de música brasileira. Ou seja, era mais uma mistura das influências de todos.

6 -) Talvez por isso que eu não tenha conseguido classificar. Hahaha. Ainda nessa de instrumental, letras e etc. Como era feita a composição das músicas? Existiam aquelas famosas "jam sessions" ou era mais individual?

Basicamente, o Chico aparecia com a idéia central, eu ajudava na organização da música, o Feijão com os grooves e o Manuel com harmonias. As letras também são do Chico. As exceções são Babel, que é uma idéia inicial do Manuel e Estrangeiro, que eu fiz a letra com o Chico. Mas as músicas como são, foram todas construídas em estúdio, com idéias dos quatro.

7 -)  Eu não posso deixar de fazer essa pergunta, até porque, faço parte disso: o que você acha do download? (na música)

Eu sou totalmente ativista do download. Pratico diariamente a "pirataria na web" rs e seria hipocrisia ser contra isso com minha banda. A minha intenção era que a maior quantidade possível de pessoas ouvisse o disco, por isso, ele foi lançado na internet. Lançamos exemplares físicos somente para os amigos e para o show de lançamento. O atual momento é este, não adianta lutar contra, até porque, é uma luta perdida e sem sentido. Pois é realmente muito melhor que a música esteja ao alcance de todos.



8 -) Queria fazer aquela clássica coisa de entrevista, do tipo, responde com uma palavra. Mas o que eu tenho em mente, não vai dar uma palavra. Então: Valeu a pena ter participado da banda? O que o colorido significou pra você? Sente mais saudade de quê?

Vambora! 1. Claro, demais! Tenho orgulho de tudo o que foi feito. 2. Durante alguns anos, o Colorido foi tudo o que eu acreditei. 3. O que sinto mais saudade é de fazer música, no estúdio, com os caras.

9-  Cara, valeu mesmo pelo tempo cedido e pela paciência. Se quiser falar algo, xingar, mandar beijo, agora é a hora, hahahaha.

Obrigado pela oportunidade. Legal que você gostou do disco! Um abraço.

Babel, ao vivo no teatro de Marilia


 


 


 

Download do álbum

Você também pode gostar

0 comentários