Colorido Artificialmente - A tradicional família mineira

por - 13:22


Colorido Artificialmente é uma banda de Rock (foi o melhor que eu consegui definir, confesso) de Minas Gerais. Lançou apenas um disco intitulado “A Tradicional Família Mineira” que sem demagogia, foi um dos melhores discos que ouvi esse ano. A banda era (ou é) formada por quatro integrantes, que além de tudo, são amigos: João Guilherme Dayrell (guitarra e voz), Bruno Faleiro (baixo), Fernando Monteiro (bateria) e Manuel Horta (guitarra). Agora que apresentada, posso ir direto ao assunto: o álbum.


Eu poderia definir este disco faixa a faixa para render mais linhas, poderia falar algo por cima baseado no myspace ou coisa que o valha, mas não, não creio que isso seja indicado. Levando um instrumental muito bem tocado, com referências de Toe, Radiohead, Sonic Youth, dentre outras bandas, como At The Drive-in, Engine Down e por aí vai, passando pelo Math Rock e pela música nacional, o Colorido conseguiu mesclar a técnica de um instrumental com vários elementos complexos e letras carregadas de poesia que te levam para a infância, momentos de desespero e falta de perspectiva e principalmente pequenas coisas corriqueiras que lhe chama a atenção. Provavelmente é isso que faz a banda ser tão diferente e tão simples, mesmo sendo cheia de técnica. Confuso? Explico. A diferença é no som ímpar. A simplicidade é nos temas abordados nas letras. Técnica já foi dita, mas por via das dúvidas: o instrumental.

Não há como não destacar duas músicas nesse belo disco e são elas: “A casa e o Sol” e “O estrangeiro”. Na primeira faixa citada, o ambiente é de uma viagem, um passeio, a sensação de voltar aos seus cinco ou seis anos, com medo de tudo que não lhe faz mal e com a ansiedade sem motivos de chegar logo ao local para onde está indo vem a tona. O vocal acompanhado por uma voz feminina, te leva aos mais belos momentos de sua infância em uma viagem nostálgica guiada pelos versos: "Vai demorar pai, até chegarmos lá?/E a noite vem uma saudade do que eu não vivi”, "A casa e o céu e a rua e os pés nus no chão/Era silêncio até que o tempo quis andar". Já na segunda faixa, o clima é mais tenso e melancólico, “o estrangeiro” trata sobre a falta de perspectiva de alguém na vida adulta, de alguém que sem rumo, estranha até as próprias ruas onde já morou e enoja-se com o fato de ter pensado que era possível acreditar: “"E eu estranho as ruas em que eu morei/Estrangeiro o país em que me criei", “Se calam as palavras/Eu tenho nojo de pensar/E lembrar que eu acreditei/Que era possível acreditar”.



Entendeu o que é esse disco do Colorido Artificialmente? Momentos. Registros de momentos das vidas dos membros. De momentos, sejam eles bons ou ruins. Apenas momentos. E você? Se identifica com algum deles? Se sim, entenderá o que há de tão brilhante no disco senão, fica a dica de mais uma banda a qual você queria der ido a um show.

Download do álbum

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