Hurtmold-Se (Ou o estranho caso da multiplicação de sons)...

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A Hurtmold hoje em dia todo mundo conhece ou já ouviu falar. Trata-se de uma banda paulista de rock instrumental formada por seis integrantes, falando de maneira sucinta. Usando a descrição da própria banda no Trama Virtual, seria o seguinte “o Hurtmold foi formado em 1998 na cidade de São Paulo. Com base no rock, mas empilhando várias outras referências sonoras, o grupo se utiliza ainda de inúmeros instrumentos, resultando numa musicalidade de forte caráter orgânico, recheada de texturas, ora tensas ora delicadas, e sempre aberta a improvisações.”

A discografia da banda consiste de cinco CDs, duas registros demos em fita k7 e uma participação numa coletânea. Boa parte do trabalho saiu pela Submarine Records e todos que ainda existem no mercado para compra, estão ligados a este selo. Ate 2008, a banda que já tinha praticamente 10 anos de independente no underground nacional, topou uma parceria que na época foi adjetivada como no mínimo inusitada de tocar com o Marcelo Camelo. Desde então, a banda se tornou nacionalmente conhecida como a banda de apoio do hermano Camelo. E logicamente a parceria deve ter sido de caso pensado. A banda conseguiu uma enorme visibilidade nacional e com rapidez acima do normal, ainda participaram de um dos melhores trabalhos do ano.



SP Underground ao vivo No Ar Coquetel Molotov



Mas o objetivo desse texto não é falar da Hurtmold e sim dos diversos projetos musicais derivados da banda. Para isso é preciso dar nome aos bois, ou neste caso, os músicos. Seriam eles: Marcos Gerez, Mário Cappi, Fernando Cappi, Mauricio Takara, Guilherme Granado e Rogério Martins. Dentre os diversos projetos paralelos, alguns já são conhecidos, como a banda com o trompetista americano Rob Mazurek entitulada SP Underground. Ainda tem o m.takara, trabalho solo do Mauricio Takara e a Bodes & Elefantes, do Guilherme Granado. Vamos começar pelos conhecidos!



    • São Paulo Undeground: Iniciado pelo duo Mauricio Takara e Rob Mazurek, quando escolheram expandir seu já diverso contexto musical ainda mais, incorporando idéias da música eletrônica moderna, dub, free samba, rock, jazz e maracatu, contudo mantendo uma forte coesão musical nas gravações do começo ao fim. Desta feita, com a participação de companheiros da Hurtmold e outras bandas da cena nasceu o projeto. Hoje em dia apresenta uma formação fixa de quarteto tendo M. Takara, Guilherme Granado, Rob Mazurek e Richard Ribeiro. Apresenta 2 Cds, ambos pela Submarine Records.



 


    • “m. takara”: Trabalho solo do baterista e multi-instrumentista Mauricio Takara, crescido em meio aos equipamentos do cultuado estúdio paulista El Rocha. Apresenta quatro trabalhos lançados em Vinil, cd ou Mp3 no Brasil e na gringa. Nestes trabalhos, Takara também assume o controle de samplers, sintetizadores, efeitos e computador. Alem de utilizar diversos elementos percussivos e um pouco de sopro. Os shows se diferem em cada novo trabalho, já contou com participação do Richard Ribeiro e do Rogerio Martins, alem das exibições realmente solos, contando apenas com o Mauricio. Os trabalhos se dividem entre os selos Submarine, Slag e Desmonta.



 


    • Bodes & Elefantes: Projeto Idealizado pelo Guilherme Granado. Trata-se de uma mistura louca de sintetizadores e instrumentos eletrônicos com base orgânica. Granado brinca com sintetizadores e monta bases com uma acidez e naturalidade absurda. Os registros são recheados de participações como o rapper Akin. Posso falar que ao vivo é ainda mais impressionante o som, contando na sua formação com Mauricio Takara, Richard Ribeiro e Marcos Gerez junto com o Granado. Apresenta 3 registros, um inclusive desse ano, que está muito fino. Todos pela Submarine Records, caso você tenha interesse em adquirir.



 
Terminada a Tour com o Marcelo Camelo, os Hurtmolders retornam com tudo no ano de 2010. A qualidade dos trabalhos é ate esperada, para quem costuma acompanhar o trabalho dos músicos. O que tem impressionado em 2010 é a quantidade de trabalhos solos que apareceram. Alem do ótimo novo trabalho da Bodes & Elefantes “Behold The Ice Goat”. Apareceram trabalhos de dois novos projetos e uma nova empreitada do Mauricio Takara.



  • Chankas: Eis o projeto solo do Fernando Cappi, que finalmente lançou um trabalho. Ele já tinha participado de um dos discos do m.takara, mas não tinha saído ainda um trabalho apenas do Fernando. Talvez seja o trabalho mais bonito entre os lançados pelos hurtmolders no ano. Em meio a simplicidade do Lo-Fi e do Folk, e com um pé na MPB, Fernando utiliza elementos estéticos do eletrônico experimentando muito. Destaque pras letras e melodias e tambem pra falta de informações na internet do trabalho, ate o nome fica na duvida, é com S ou com Z no final?! Saiu por algum selo?! Como comprar?! Rola apresentação ao vivo?!






    • MDM: é o nome do projeto solo do Mário Cappi. Foi lançado pela Submarine Records e apresenta oito faixas que explora canções por meio de belas camadas de guitarras, timbres eletrônicos e ruídos sintéticos emulados por um toca fitas. Ampliando ainda mais o campo a ser pisado pelo Guitarrista, que inclui letras e vocal em algumas faixas. O disco é recheado de participações e ao vivo contou na formação com Richard Ribeiro, Fernando Cappi e André Calvente unidos ao Mário.



 

  • m.takara 3: Novo projeto do Mauricio Takara, dessa vez atacando num formato trio e utilizando de letra e vocal. Recheado de elementos percurssivos, o projeto é formado pelo Rogerio Martins e Guilherme Valério na guitarra. Logico que elementos eletrônicos e experimentalismo não faltam ao disco, mas pelo que vi do ao vivo, os elementos percussivos carregam o que o projeto tem de mais importante. Talvez seja o trabalho mais pop e estranho do Takara. O registro saiu pela Desmonta no formato de LP e Cd, coisa muito fina.



Merece registro o fato da utilização de diversas participações especiais para gravação de quase todos os projetos paralelos ao Hurtmold. É legal notar também a constância dessas participações, sempre girando no mesmo grupo de músicos, realmente amigos das bandas ao longo da trajetória dos integrantes na vida musical. Este fato da repetição das participações pode ser notado quando você vê as formações dos projetos ao vivo. Alem dos integrantes da Hurtmold, aparecem mais uns quatro ou cinco músicos diferentes. Será que ainda vem alguma coisa da Hurtmold em 2010?!

Ah, nesse texto só estão presentes os projetos com registro lançado para consumo, ainda bem, porque já ta grande demais...

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