Entrevista - Guilherme Granado

por - 11:31

Guilherme Granado hoje em dia conhecido como um dos musicos e principais multi/instrumentista da banda paulista de musica instrumental/experimental Hurtmold, faz parte da cena musical paulista e nacional desde a decada de noventa. Ambientado pela geração hardcore/skate paulista fez parte de uma das bandas mais relevantes da cena, o Againe. Ou seja, é uma figura carimbada da cena independente e alternativa, que passou pro diversas fases e hoje se estabilizou como uma das mentes mais criativas do pais. Alem da Hurtmold, Guilherme integra o quarteto de jazz/colagem/experimentalismo que melhor representa a São Paulo Sonora, o SP Underground. E de uns anos pra ca vem desenvolvendo um projeto que une todas as suas influencias de vida em um mix organico/eletronico de primeira linha intitulado Bodes & ELefantes. Um estudo musical apurado e alongado em busca de misturas de textura e sons dos mais diversos instrumentos possiveis feitas desde o inicio da sua carreira musical tenta explicitar quais caminhos preferenciais seguidos pelo granado. E é um pouco dessa evolução musical e estilo de vida que o Guilherme passou pra gente nessa entrevista...




1-) Você participou de bandas enormes do hardcore paulistano, exemplo disso é o Againe. O que o hardcore te ensinou? Ele te influencia até hoje?


Ate hoje muitas das minhas decisões (musicais, estéticas e pessoais) ainda são informadas pela minha idéia de punk rock. Foram nesses anos que eu comecei a tocar, a ter uma idéia real de como seria a vida fazendo musica e onde de certa maneira avaliei se era isso que eu queria. Conheci muitos de meus parceiros musicais e grandes amigos durante esses anos.


2-)Após o término da banda Againe, houve alguma possibilidade de volta? Em entrevista com o Carlinhos ele disse que é possível uma reunião da banda. Vocês se juntarem pra fazer um show único. Acha que isso é plausível e provável?


O Againe acabou de uma maneira natural. Estávamos em lugares diferentes na vida, era cada vez mais difícil se encontrar e produzir. Eu adoraria lembrar as musicas e tocar com eles de novo. Podemos nos juntar sim. Eu to dentro. É plausível sim, ao meu ver. Provável pode ser outra discussão.


3-) Partindo para uma área totalmente diferente agora. Bodes & Elefantes é um projeto experimental/eletrônico. De onde surgiu a intenção de criar um projeto desse tipo?


Não vejo o bodes nem como experimental e nem como eletrônico. O ultimo disco é muito mais "orgânico" do que as pessoas imaginam. Na verdade não vejo a musica desse jeito. Uma bateria eletrônica não existe pra substituir, nem é uma "imitação" eletrônica de uma bateria acústica ao meu ver. É outro instrumento, com cores e possibilidades diferentes de uma bateria acústica. Uma não substitui a outra. Alias uso as duas, às vezes ao mesmo tempo, nos dois discos do bodes. Faço a musica que meu espírito e meu coração querem fazer. As cores e instrumentos que escolho vem muito mais do que eu acho que cada composição precisa do que uma idéia pré-concebida do "estilo" de um projeto. Todo tipo de musica feita de maneira sincera vai experimentar, de alguma maneira. O problema com esse termo é que virou sinônimo de coisa "indigesta”, talvez. O bodes, como um projeto pessoal, vai, eu espero soar diferente dos projetos de outras pessoas. E isso pode ser indigesto pra alguns, faz parte da vida. Comecei sem nenhuma intenção, fazia coisas em casa e em um certo momento achei que tinha um disco no meio do monte de material que eu tinha. A partir dai veio o nome e a coisa tomou vida própria.


4-) Há previsão de turnês pela dentro e fora do país com o Bodes & Elefantes?


Queremos tocar. Estou muito empolgado com a banda ( que alem de mim hoje conta com Mauricio Takara, Richard Ribeiro, Marcos Gerez e Ricardo Pereira). Sei das dificuldades de viajar com um projeto assim e isso é levado em consideração, assim como a agenda de todos os envolvidos. Queremos tocar sim, chamem a gente!



5-) Você começou tocando guitarra, senão me engano, e hoje é multi-instrumentista. Como foi essa evolução?


Nunca toquei guitarra de verdade. Tenho uma guitarra, me viro, uso pra gravar coisas com o bodes. Comecei tocando baixo por ai. Ainda penso bastante como baixista. Gosto de coisas que produzem som, tenho curiosidade e por isso fui atrás de instrumentos diferentes. É uma relação mais lúdica com os instrumentos. Gosto disso. Foi tudo natural, e continua acontecendo.


6-) O que você acha da cena nacional instrumental/experimental estar cada vez mais sendo aceita?


Ai esta a questão. Acho ótimo todo tipo de musica ter mais espaço. Mas, dito isso, não vejo as coisas que eu faço inseridas tanto assim nesse contexto. Tanto o bodes como o hurtmold, o SPU, ou qualquer outra banda que eu toco nunca se limitaram a uma cena ou estilo. Nessas três bandas você ouve vocais, por exemplo, em algum momento. Não vemos musica dessa maneira. Fazemos musica de coração e a idéia é atingir o máximo de pessoas possível, sem sacrificar nossa visão no caminho. Acho ótimo, e me sinto lisonjeado pelo interesse no que fazemos.


7-) Como você vê o mercado nacional atualmente? Qual a importância das mídias e do download? Qual sua opinião?


O mercado nacional não existe. Ponto. É uma fase estranha, todos estão tentando entender qual é o próximo passo. A discussão sobre downloads é enorme e extremamente complicada. Existem enormes pros, mas existem contras também. Mas a coisa esta ai, e não vai embora. O jeito de se ouvir musica não é mais o mesmo, definitivamente. O mp3 não substituiu a mídia física na minha vida. Ainda escuto musica do jeito de sempre. Gosto disso. Fora que mp3 soa horrível. Mas eu uso sim, e acho muito legal ter acesso as coisas tão facilmente. Levando em consideração a quantidade de lojas de disco e pequenas gravadoras (que, na maioria das vezes são quem lança coisas interessantes) que estão falindo, e donos de pequenos selos com quem eu converso, o download complicou, principalmente a vida dos pequenos. Nem tudo são flores. As gravadoras grandes e grandes conglomerados vão sempre dar um jeito de ganhar dinheiro. Acho que o consumo consciente, como em tudo na vida é o caminho. Se um amigo seu, ou um artista que você acredita esta fazendo um show, vai assistir. Se ele lançou um disco, que não cobra um preço abusivo, compre. Ajude.


8- Cara, agradeço o tempo e a paciência. Se quiser deixar contato, agenda, sites, manda vê:


valeu! Respeite o próximo. Espalhe o amor. Qualquer contato: contato@noropolis.net




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