O Mukeka di Rato quer ACABAR COM VOCÊ

por - 12:08


A começar pelo nome nada convencional, a banda Mukeka di Rato surgiu na cidade de Vila Velha (ES) em meados da década de 90. Após uma reportagem que mostrava a população de uma cidade no interior do Nordeste, comendo ratos por falta de comida, foi retirado o nome, os dois “k” usado, segundo a própria banda, é para remeter a bandas de crust finlandês.


Agressivo do começo ao fim, assim é o “Acabar com Você” quarto álbum da banda capixaba Mukeka di Rato, lançado em 2001. Uma mistura de powerviolence, hardcore, punk, crust, grindcore e fastcore bem feita, resultou neste (que em minha opinião) é um dos melhores álbuns lançados pela banda.


As letras são ácidas, satíricas e irônicas, e não poderia ser diferente, não no país em que vivemos, não produzido por uma banda que retirou seu nome de uma reportagem onde pessoas de uma cidadezinha do Nordeste comiam rato para poder sobreviver. A primeira faixa do disco é homônima, “acabar com você” com um tom mais puxado para o powerviolence e mostra quão intenso será o álbum. Destaco a música de número 3, “Viva a Televisão”, onde com ironia e deboche, a banda faz uma crítica ácida ao mundo infame e fantasioso dos artistas, em versos como: “O peitão de silicone, a cerveja e o cu/Um pedaço da cruz com DNA de Jesus”, “A lista dos atores que tem gonorréia/ O milagre emocionante do pastor vidente” e para acabar, o refrão que não poderia ser melhor: “Viva a televisão/Um show de horror medíocre e diversão!”. A crítica religiosa também não poderia ficar de fora deste álbum, em “Às vezes o Diabo é mais gente boa do que Deus” tudo soa como uma grande piada e a banda brinca com os beatos de forma sarcástica: “Deus pode ser Diabo/disfarçado de Deus/Cercado de Demônios/E Anjinhos ateus/Debaixo da minha cama/Rogai por minha alma/Atenta minha vida/Me faz perder a calma/O Diabo companheiro/Traçando meu caminho/Deus me deixa cego/E me manda ir sozinho/No meio eu te encontro/Você é Diabo ou Deus?/Não vejo diferenças/Você é como eu.”, o restante do cd, segue a linha do punk/crust/grind/powerviolence/fastcore que a banda faz. Um dos melhores discos da década sem sombra de dúvida. Se você é fã de barulho bem feito, não perca a oportunidade de ouvi-lo e se você já conhece, sabe de que estou falando.

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