Resenha The Suburbs - Arcade Fire, uma outra visão.

por - 18:15


Há algumas semanas, a banda canadense Arcade Fire, lançou seu novo cd [ The Suburbs ] e trouxe de volta, além de uma série de comentários pretenciosos, umas outras discussões, também pretenciosas, muito recorrentes na indústria musical e no que gira ao seu redor.

O hype, as expectativas, o fanatismo, algumas resenhas, mas afinal de contas, esse é realmente o melhor disco depois do Ok Computer do Radiohead? Na verdade, esses comentários são o combustível pro disco vender, pra mais gente baixar, e pode ter certeza que funciona.

Essa espécie de histeria coletiva, cega e impede que muita gente possa enxergar, ou ouvir o disco por inteiro, saber o que ele significa em essência, vira um consumo do que o disco enquanto produto representa pra sociedade naquele momento, deixa-se de lado a música.

Então, proponho uma outra visão, uma resenha sobre um disco enquanto apanhado de músicas reunidas, trabalho dedicado de uma banda dedicada, ou não?

The Suburbs [2010]

The Suburbs é um disco de 16 faixas, de letras tristes e intensas, com arranjos sofisticados, vocais calmos e atmosféricos, amarrados pela levada eletrônica, alguns efeitos e uma pitadinha de música erudita. Enfim, o que se espera de uma banda canadense.

A música que dá nome ao disco, dá a partida no carro, abrindo as ruas do subúrbio de maneira fenomenal, convidando o ouvinte com um refrão sentimental e uma pegada contagiante, à escutar Ready to Start que vem logo em seguida, e dá enfase ao que a banda parece querer mostrar no novo trabalho.

Se prestarmos atenção, as músicas poderiam ser facilmente separadas em um lado A e um lado B, acho que isso fica transposto na ídeia final do disco, que mantém uma sequência linear de boas músicas até a nona [Suburban War], que marcaria hipoteticamente o final do lado A. Mas não vá pensar que depois disso, o disco morre, com [Month of May], as guitarras se agitam e a banda reconstrói o caminho que vinha trilhando, uma música empolgante e surpreendente, mas que acaba sendo precedida por outras canções que abusam do eletrônico e tornam-se amenas e enjoativas.

Acho que vale a ressalva de que as letras de uma forma ou de outra estão sempre contidas na temática suburbana, abordam questões como a metáfora entre o amor e a destruição das casas, e guardam no fundo tímidos latidos de cachorro, barulho de carros, do trêm correndo os trilhos, o que evidência como a banda se preocupou em compor toda uma temática.

É um bom disco, tem lá seus momentos de monotonía e podia também ser divido em dois discos, são muitas músicas e fica difícil fazer tudo parecer orgânico e combinar, apesar disso, o Arcade Fire surpreende e tem os seus merecidíssimos méritos.

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