Essa é a hora de uma nova partida: impressões sobre o domingo e finais - Semana da Independência, Hangar 110

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Como aqui terão as impressões finais do show, posso me poupar de toda aquela introdução falando sobre o evento e etc., isso é uma vantagem e tanto, confesso, só que aviso também a quem ler até o fim, que alguns poderão (e irão) se ofender e muito com o conteúdo final desse texto/resenha/seja lá do que quiser chamar. Primeiro de tudo, vamos aos shows que eu consegui assistir no dia 12 de Setembro e como foram as apresentações das bandas:


 


Cardiac: infelizmente (mesmo) consegui pegar apenas metade do show dos caras.  Mas o que eu consegui ver, a banda faz um hardcore puxando para alguns gritos em certos momentos, lembrando Comeback Kid e principalmente Colligere (ótima banda de Curitiba). O show deles foi animado, o vocalista era descontraído e a performance da banda no palco era insana na maioria das vezes por conta do seu guitarrista, que não parava quieto.


 


Total Terror Dk:
sou fã confesso do Sick Terror. Quando a banda o Total Terror foi criado, com ele, criei a expectativa de poder soar parecido, e não é que às vezes soa? Tocaram Massa Faminta e Peste Católica para minha alegria. O Nenê Altro não estava em suas melhores condições de lucidez, por assim dizer, só que isso não afetou o show de forma alguma, ele desceu do palco, pegou o mic e saiu cantando no meio do povo, alguns até se arriscaram em dar umas trombadas nele, que estava descalço e gritando suas músicas sem parar. A banda superou e muito minhas expectativas.




Hateen: a banda subiu no palco eram umas 21h, 21h15 e mesclou seu repertório: tocou músicas em português e em inglês. O público cresceu significamente no show deles, até o Japinha do CPM 22 (que já tocou no Hateen) estava por lá vendo o show. O ponto favorável foram as músicas em inglês que agitaram os espectadores muito mais do que eu imaginava, o desfavorável foi o número de faixas: apenas 8 em um show que poderia ter tido por volta de 12. Destaque também para o baixista Leon que estreou e saiu quebrando tudo, com um desempenho ótimo e uma presença no palco insana. Se me pedissem para definir o show com poucas palavras, seriam elas: gosto de quero mais músicas em inglês, mas dentro da proposta da banda (as 8 faixas mescladas e tudo mais), conseguiram se apresentar sem fazer feio.




Garage Fuzz: conheço o Garage Fuzz há pouco tempo para alguns e para outros muito, 3 anos, algo assim. Para quem acha pouco, justifico minha pouca idade, apenas 18 anos, para quem acha muito, digo que a banda tá aí desde 92 ou por volta disso. Mas enfim, sobre o show, é disso que vim falar, o último show da Semana da Independência. A banda iria subir no palco logo após do Hateen e aos poucos, enquanto estava rolando a afinação dos instrumentos, o espaço que havia ia sendo preenchido por pequenos grupos de pessoas. As cortinas se abrem, o famoso “boa noite” e em seguida começa o show. Insano. Talvez seja essa a melhor palavra para descrevê-lo ao vivo. Todas as músicas, o Farofa cantava com a mesma empolgação, a banda não parava quieta e a platéia cantava junto. Da noite de domingo, foi a banda que dava pra ouvir a voz da platéia cantando as músicas junto, em uma espécie de couro fiel e que sabia de cor e salteado todo o repertório tocado. Soaria como calúnia se eu não afirmasse que o pessoal de Santos não fechou a semana com chave de ouro.




Impressões finais da Semana da Independência: agora é a hora de fazer algo que eu queria há muito tempo: parabéns Wlad e Nenê Altro por organizarem este evento. Duas cabeças no meio de uma cena que estava meio submersa têm algum tempo e com o festival, mostrou que conseguimos viver e fazer o nosso show, a nossa “festa” da forma que achamos conveniente e com quem achamos que devemos fazer. Sem empresários, grandes selos, bandas sem roupas coloridas e que estavam ali porque queriam tocar e divulgar o som, não ganhar meninas de 12 anos como fãs. A feira rolou de forma legal, achei um disco do Shed por R$2.00 e um do Diagonal por R$6.00 (ambos fora de catálogo faz um bom tempo). Aspectos positivos é o que não falta e sobre a organização do evento, não tenho absolutamente nada a reclamar, agora sim, vem a parte que eu disse que iria ofender. Tentei ontem quando saia pra fumar, a cada intervalo de show, pensar em um motivo para o evento não estar lotado, pois oras, tinha ingresso a R$50,00 para ver todos os shows com direito a balada no OUTS depois de graça, tinha banda boa a rodo, tinha setlist bom pra caramba, tinha temática e o evento não bateu sequer o público de um show do Dance of Days em um dia comum. E não me venha você que não foi porque quis ficar jogando X-Box em casa, dizer que se preocupa com a cena independente, que o que toca nas rádios não presta e que está cansado de ver festivais cheios de banda de bosta, não me venha você que preferiu ficar em casa reclamando a agir, reclamar de algo relacionado ao mainstream e independente. Se ficou em casa, se lascou e perdeu um baita de um evento INDEPENDENTE e se você foi, fico feliz por ver que ainda há alguém que se preocupa. Novamente, parabéns a organização do evento e sim, sem sombra de dúvida, essa é a hora de uma nova partida.



*todas as fotos tiradas por Igor Bologna

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