Impressões! Quinta-feira - Semana da Independência no Hangar 110

por - 08:53

6 de Setembro de 2010, quinta-feira e o show do Jair Naves programado para às 22h. Vou até lá ver pela primeira vez ele tocando ao vivo (perdi todos os shows do Ludovic). Confesso que havia certa ansiedade de minha parte, não só pelo Jair, mas pelo Mal de Caim também. E então entrei na casa e me deparei com o primeiro show que consegui pegar (já que o trânsito de São Paulo me impossibilitou de ver Supercombo), e a banda era a Borderlinerz:



Borderlinerz: A primeira impressão que tive, foi de um rock com fortes influências em coisas dos anos 60 e 70, mas após alguns riffs e o vocal passar a dar uns gritos, me remeteu bastante ao Foo Fighters com uma influência punk e indie 00’s. O show mesclou músicas de seus cd’s antigos e até a música nova de trabalho, (Baby) Go Away. Ficou claro, que o forte da banda são as letras em inglês e a postura clássica do rock no palco.



Nenê Altro & O Mal de Caim: este é o projeto post-punk do Nenê Altro, que conta com Edu Krummer ( Das Projekt Der Krummen Mauern ), Gê Lucas, Fabio Nasci e Marvin Acoroni. A banda subiu no palco e logo tocou “Oz de Fiel”, clássica música do disco “Eurema Elathea”, lançado em 2005. Seguiu mesclando sons antigos e os novos que estarão no novo disco, como “O diabo sempre vem para mais um drink”, “Cor de Prata” e “Alguém de valor”, essa última, que fez o público ali presente, cantar fervorosamente. Quando vi a banda entrar, o Nenê Altro de bigode e uma camisa social amarrotada, o guitarrista de preto e o baixista de camisa social também preta, pensei logo em Nick Cave & The Bad Seeds (influência confessa e direta da banda). O show foi bom e para fechar com chave de ouro, a banda encerrou com um cover do The Cure, I’m in Friday Love. Após a banda parar de tocar, alguns gritaram mais um, e eles tocaram outro cover, que quem freqüenta os shows sabe que não pode faltar: Aborto Elétrico, “Geração Coca-cola”. E ao som de Aborto Elétrico, chegou ao fim o show do Mal de Caim.



Jair Naves: o show mais esperado da noite era o de Jair Naves, principalmente para mim que nunca tinha visto ao vivo e não deu outra, a banda entrou no palco por volta das 22h30 e me obrigou a ficar até o fim. A primeira música tocada vem fazendo parte do repertório da banda, mas não está presente no EP, segundo o Jair, ela estará no próximo lançamento, previsto para o ano que vem, mas adianto algo para quem nunca ouviu: é visceral e arrepiante. Não sei se é a forma que Jair Naves canta: inquieto, transtornado e em certos momentos, agindo de forma perturbadora no palco, mas músicas calmas tornam-se agitadas com gritos proferidos pelo vocalista. Em seguida, outra faixa que não está no EP Araguari, seguindo a mesma linha: perturbadora em certos momentos, melódica em outros. A terceira música começa com trechos recitados por Jair da música Devil Town de Daniel Johnston e logo depois, começa a introdução de Araguari I (meus amores inconfessos), fiquei sabendo que anda sendo comum estes versos no início dessa música e espero que continue assim, pois realmente, casou muito bem com a proposta da faixa. Na seqüência, Silenciosa e outra faixa que estará presente no próximo disco. Agora, Araguari II (meus dias de vândalo) foi tão intensa quanto eu imaginei que seria. Cantada com angústia e berros a plenos pulmões deixaram esta, que em minha opinião é a melhor faixa do EP, com um tom mais aflitivo do que nunca. Quando chegou ao verso “Eu sobrevivi”, Jair Naves não parava de gritar: “eu sobrevivi, eu sobrevivi, eu sobrevivi, caralho!”. De Branquidão Hospitalar e Lounge Act do Nirvana, encerram o espetáculo. A impressão que tive sobre o show de Jair Naves foi, em suma: ele vive a música. Se joga no chão, vai para o meio do público, grita quando sente vontade de gritar, não se acanha, não se preocupa com o que vão achar de sua apresentação. Talvez por isso, ele tenha tantos fãs espalhados pelo Brasil, talvez por isso, ele tenha marcado a adolescência de muita gente. Sem dúvidas e sem desmerecer as outras bandas que também foram ótimas, mas o melhor show da noite.

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3 comentários

  1. >pô, sacanagem usar as minhas fotos pra ilustrar a resenha e não dar créditos!

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  2. >Tem seu nome carimbado na foto.

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  3. >Ta cega filhona?! :P

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