Pequenas Curiosidades Furiosas sobre a Dinosaur Jr...

por - 09:11


Segunda parte do texto feito por Tiago Marditu, jornalista, músico e profundo conhecedor da banda Dinosaur Jr....

- Lembra da história do passado punk da banda? Pois bem, J. Massis e L. Barlow tocaram, respectivamente, bateria e guitarra em uma banda hardcore chamada Deep Wound, considerada por alguns como uma das pioneiras do grindcore devido ao grande de blast beats (leia-se, em algumas músicas).

- O nome original da banda era simplesmente Dinosaur. O Jr foi acrescentado para não serem processados pelo Dinosaurs, grupo formado por integrantes de dois bastiões da música psicodélica americana: Grateful Dead e Jefferson Airplane.

- Dos três, Lou Barlow é o que possui a carreira solo mais prolífica. Além do Sebadoh, ele esteve à frente de alguns outros projetos interessantes, como o Folk Implosion e o Sentridoh; sem falar em disco solos bem variados, como o acústico e trabalhado Emoh, e o mais rockeiro e desencanado Goodnight Unknown - esse último contou com o auxílio de Dale Crover, batera do Melvins.

- Mascis não fica muito atrás em termos de produtividade. Enquanto a Dino Jr estava parada, ele também gravou alguns discos com acompanhamento do The Fog. Atualmente, ele toca bateria na banda de metal old school/proto-punk, Witch (vale à pena sacar os dois ótimos ábuns da dita cuja) e comanda as guitarras do Sweet Apple, grupo com claras influências de Power pop e garage rock circa' 60/70, na qual também estão integrantes da Cobra Verde - o debut deles, "Love & Desesperation ", saiu esse ano.

- Murph teve uma carreira pós-banda bem mais modesta. Entre os poucos feitos, excursionou no final dos anos 90 com outra referência do indie rock, o Lemonheads.

- Barlow é uma espécie de George Harrison da Dino Jr, tendo uma média de duas músicas presentes em cada disco. Em compensação, elas são tão boas que quase sempre estão entre os destaques.

- Ainda sobre Barlow, ele nunca assimilou bem a saída da banda, e o então corte de relação com J Mascis. Várias músicas do Sebadoh são dedicadas ao fato, como “I’m Not Amused” e a hilária “Gimme Indie Rock”, que aproveita também para zoar com todo cenário musical dos anos 90. Aliás, “Why”, música que fecha o disco Bug, com frase a “why don’t you like me” berrada a plenos pulmões repetidamente, também pode ser considerada um recado para J – segundo o livro “Our Band Could Be Your Life, de Michael Azerrad, que trata do cenário underground americano do final dos anos 80, após a gravação dessa música, Barlow saiu do estúdio cuspindo sangue, tamanha foi a forma extremada que cantou .

- A afinidade musical entre Mascis e Kevin Shields, do My Blood Valentine os tornou grandes amigos, tendo ambos assumido i. Shields inclusive integrava o The Fog, que ainda contava com a participação de outra lenda viva do rock underground americana: Mike Watt, ex-baixista do Minutemen e do Firehose, atualmente comandando as 4 cordas do The Stooges.

- Lee Ranaldo, do Sonic Youth, faz os backing vocals na clássica "Little Fury Things".

- Dá para se ouvir berros e murmúrios ininteligíveis em “Raisins” e “In a Jar”, ambas do You´e Living Over, todos feitos por Barlow. Ele trabalhava em um hospital psiquiátrico na época das gravações do disco e há quem acredite que a experiência serviu de inspiração para as atormentadas vocalizações dessas músicas.

- A Dino Jr sempre caprichou nas faixas de aberturas de seus discos. Da matadora "Forget The Swan", do Dinosaur, até "Pisces" do Farm, a banda sempre começava com os dois pés no peito (ou nos ouvidos, no caso) do ouvinte, tirando o pé do freio nesse sentido só no disco Hand Over It, com a cadenciada, porém pesadona, "I Don’t Think”.

- Quem tem curiosidade de conhecer algumas influências da banda, a dica é procurar por Freakin' Alive, coletânea "informal" que juntos vários covers só encontrados em discos tributos e afins. Lá você vai encontrar versões de artistas variados como Kiss, Syd Barret, Kiss, Teenage Fanclub, Neil Young e The Byrds(desses 2 últimos, dêem um desconto para as versões um tanto quanto zoadas de “I'll Feel a Whole Lot Better" e “Lotta Love”). Há um bootleg ao vivo, de apresentações feitas entre os anos de 92/93, com esse mesmo nome. Favor não confundir.

Fotos retiradas do site Coquetel Molotov

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