Chankas e o tom confessional de um músico

por - 08:23

Pra começo de conversa ‘rolê’ de quinta-feira às 19h na região central soa bem miado para muita gente, e não vou negar que de início soou para mim também, mas peguei minhas coisas e sai voando pra av. Paulista na intenção de estar um pouco antes das 19hs na estação Vergueiro, porque ia rolar o lançamento do trabalho solo do Fernando Cappi no CCSP (Chankas).



essa e as outras fotos foram retiradas de: http://www.flickr.com/photos/mlsira

Trânsito, um tumulto de gente nas estações por onde eu passava, o vagão cheio e eu pensando: “será que vai valer a pena?”, bom, cheguei e fui direto para a sala Adoniran Barbosa localizada perto da entrada de quem vem do metrô, e me surpreendi ao ver bastantes pessoas na parte debaixo e grupos de 4 ou 5 entrando e se acomodando na parte de cima da sala. O aviso de que não pode fotografar sem autorização, que aparelhos como bips, celulares, pagers e afins deveriam ser desligados e as luzes apagam-se, alguns segundos depois entram em cena os protagonistas do espetáculo: Fernando Cappi (Chankas, Hurtmold), Mario Cappi (MDM, Hurtmold), Richard Ribeiro (Porto) e Regis Damasceno (Cidadão Instigado). Sem delongas ou cerimônias, todos tomam seus postos pré-definidos e começam a tocar Voleio. Tenho que dizer que ao vivo, cada música soa muito confessional para o Fernando, pelo menos eu senti isso, uma certa emoção dele em cada palavra de agradecimento: “muito obrigado a todos”, “obrigado”, em cada salva de palmas no intervalo de uma faixa para outra e principalmente quando foi cantar a música Raphael (que fala sobre seu avô que faleceu há cerca de 20 anos, quando Chankas era criança). Outro fato que me chamou muito a atenção foi a elaboração das músicas e a tentativa de deixarem-nas fiéis as que contêm no disco. Até os assubios gravados por Rob Mazurek foram reproduzidos pelo quarteto.



O show deixou claro algumas coisas como, por exemplo, a variedade de gêneros musicais dentro do Fernando Cappi que tocou em bandas de diferentes estilos e mesmo assim, conseguiu dar um tom diferente para cada música de seu trabalho solo, algumas em um tom mais violão e voz, outras em um free (e por que não freak?) folk com alguns elementos diferenciados, como por exemplo xilofone. Chankas conseguiu me convencer de que é de fato um músico e que existem pessoas que conseguem transcender alguns limites impostos por outras pessoas.



(para ouvir a música Olha o Sol, clique na imagem do disco acima)


Por volta das 20hs, eles agradeceram e falaram que iam cantar a última música do álbum que ironicamente ou não, tem o nome de “A Última”. Terminaram, alguns gritaram mais uma e Chankas disse: “a gente não tem mais nenhuma, pô, mas muito obrigado mesmo”. Tomei dois metrôs lotados, um ônibus que me fez andar até a faculdade, mas cheguei lá com uma sensação ótima, uma sensação que se fosse para eu descrever, tentaria com estas palavras: “nunca imaginei ver algo tão belo e confessional na minha frente”.

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1 comentários

  1. >Inveja viu. Deve ser um show do caralho, o disco é um dos meus favoritos do ano e o show não ficaria atrás.

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