Direito, dever, cidadania ou esmola? (ou um ensaio sobre ver mas não enxergar)

por - 07:36

Está chegando, está mais próximo do que eu consegui imaginar. Domingo é o dia e nele iremos mostrar o quão cidadãos somos, honrar a nossa pátria amada, o nosso lindo país e eleger pessoas sérias, por isso, use a cabeça e vote, não deixe de votar, de exercer o seu direito como brasileiro, vote, pense, cobre deles, estude as propostas. Isso soa familiar?

Pois é, o direito do voto, o sufrágio universal. Lembro de uma vez ter lido em algum lugar, que isso não passa de uma esmola “burguesa democrática” e não há como não concordar. É de fato um direito ou um dever o voto? Digo, me levantar no domingo chuvoso (pois aqui sempre está um dia nada legal para sair de casa) e ir até um colégio para colocar em prática minha “cidadania”, minha “ética”. Certo. Mas a ética não é o respeito e a relação minha com o outro? A reflexão da ética não quer dizer respeito entre mim e o outro? Então, onde se encaixa a ética do voto e a cidadania? Em lugar nenhum. Votar não é uma forma de mostrar suas caras no Brasil, até porquê, a maioria vence, então suponhamos que você eleitor vá até a urna e vote em um candidato inexpressivo acreditando que a proposta governamental dele é a melhor, só que 55% da população acha que a Dilma continuará o governo Lula – e de fato continuará tendo em vista que ela é apenas um fantoche, o que acontece? A pessoa que você não votou ganhou pela maioria.

A massa frágil vota, massa pois são modelados pelo horário político e se incluem nisso pessoas com estudo e/ou que tiveram a oportunidade mas não aproveitaram porque bem, para que me serve sociologia? E filosofia então? Tudo matéria idiota. História para quê? Já passou, não interessa. Analfabetos políticos votam. E é nisso que sobressaem candidatos palhaços como Tiririca, Netinho de Paula, Mulher alguma coisa e por aí vai o festival de “pseudos-celebridades” em sua tela ou no seu ouvido enquanto almoça ou janta. E não venha dizer você, estudante do colégio Bandeirantes ou de alguma universidade particular, que votará neles porque em Brasília está cheio de palhaços, porque a mulher alguma fruta sabe tomar no cu gostoso (até porquê essa já foi usada com o Clodovil) ou que isso é um voto de protesto. Pois protesto é não ir até a urna, é anular seu voto, é queimar bandeiras e panfletos em porta de zona eleitoral. Sua ignorância pode tornar o país pior do que já é, caro jovem de classe média-alta, ou ignorante por opção.

Em suma, o voto não te transforma em um cidadão de forma moral, apenas de forma constitucional visto que se você não votar, perde uma boa parte de seus direitos, protestar votando aleatoriamente não é protesto, é ignorância e o mais importante: se você é de direita, esquerda, ou acha que direita e esquerda é posição de meio-campo no futebol usando 4-4-2, e vota para se sentir intelectual ou melhor que os outros, lamento informar que isso te torna apenas mais um tijolo no muro.

Por isso que eu digo, vote saramago.

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