Bebendo agua de Jamaica com a Ubella Preta...

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Eis aqui o Power trio de música instrumental paraibano Ubella Preta, formada por David Neves (Controller, PC, Guitarra), Felipe Nicolensis (Baixo e pedais) e CH Malves (Bateria). Se caracterizam por uma mistura sonora difícil de classificar, um pé no afrobeat, um braço na psicodelia, a cabeça no rock, o corpo no dub e por ai vai. Fizeram seu debute com um dos registros sonoros mais interessantes que ouvi nesse ano, o EP Água de Jamaica. O disco contém quatro faixas com todas as influencias já citadas e muito mais. Ao vivo, o trio tende a elevar o experimentalismo a um nível que transcende a música. Jans sessions e improviso também fazem parte do performático trio. A banda se apresenta no próximo sábado, dia 13, por volta das 16h30min na Usina Cultural Energisa dentro da sexta edição do Festival Mundo que ocorre em João Pessoa, cidade dos caras. A banda promete hidratar todos com muita água de Jamaica, segue então uma entrevista que nos fizemos com a banda, pegue uma cadeira, encha seu copo e entre no clima conhecendo um pouco mais das idéias, projetos e informações ai...


1) Pelo o que escutei, a banda mistura muita coisa, de reggae ao afrobeat, passando pelo rock. De onde vem tanta influência, hein?


Tentamos nos expressar de uma maneira impressionista, vem desse movimento possível e abrangente no século XXI, no que possa ser visto como o agora. Existem milhares de possibilidades, e a interdisciplinaridade nos propicia modulações entre objeto e espaço, dentro desta complexidade, nos encontramos em arte, em suas diversas linguagens. Passamos pela áfrica varias vezes por áreas diferentes, o norte tem um som peculiar, o oeste tem outro, e ambos sao distintos, influenciam diversas roupagens ao longo do tempo e provem de uma mesma raiz profunda. Nunca fomos la, mas temos uma impressão africana, é como se em uma parte da estrutura brilhasse um Led que apita quando apontamos uma direção dentro de uma proposta. Nós três alem de tocarmos juntos somos amigos, temos uma bagagem multicultural de influencias, locais e ou espaciais, o restante é instrumento.


2) O trio ja teve outros projetos musicais?! Se sim, quais linhas de som, nomes?!


Tivemos bandas cujo progressivo, o tropical, rock, punk, groove, o dito regional e afrobeat eram as influencias, junto a outros músicos, hoje eles tem outros projetos como Burro morto e Dalva Suada (que também tocará no festival mundo). E outros projetos aqui em Paraíba tem uma boa diversidade de músicos e propostas, tem aqueles que se deixam levar pela preguiça e a luxuria, mas que podem surgir como bons nomes no mercado do destaque, se difundir seu trabalho na internet ou em material físico atrativo como k7´s e Vinis, ou discos-voadores. Temos seres que participam em nossos shows e gravações como amigos/convidados especiais.


3) Por que não usar vocal nas músicas?


Usamos vocal sim, a voz é um instrumento divino, nos foi concebido. Uma vez fizemos um som e viajamos num vocalize que preenchesse uma harmonia, conhecemos uma moça que tinha umas vocalizações muito legais, não temperados, bem abrangentes, multi-étnico. E a convidamos para uma sessão de gravação. Até hoje usamos um take dela nos nossos shows, e adoramos. Não queremos mesmo é cantar nas nossas musicas, mas a idéia do vocalize/vocoder, grunhidos e sons peculiares com a boca, dita abrangência vocal, podem ser usadas sim.



4) Quais bandas da cena independente nacional vocês destacariam hoje? Que veem fazendo um belo trabalho?


Inevitavelmente o burro morto vem fazendo um belo trabalho está em um processo de lançamento de disco, junto a um vídeo maravilhoso, onde rola uma sincronia entre o som e o vídeo no show, pelo compromisso com a música. Tem a Pernambucana Anjo Gabriel (Outra atração do Festival Mundo 2010), rock dos bons, visceral vs astral, com válvulas e synths (sintetizadores), são honestos no que fazem, e isso nos encanta. Tem um cara que canta sozinho toca bateria, violão e gaita, eu diria que é um cachorro das moléstias dos bons, existem muitas idéias interessantes. A cena independente hoje é repleta de grandes nomes, e existem os destaques, que são dados por ser bom em seu segmento, ou por se ter um bom contato, são muitas as propostas, tanto de shows como discos. Estamos cercados de pessoas e bandas que se envolvem com o independente, com o tempo veremos também o discurso, algo que ainda me parece turvo em certos pilares.


5) A banda ja tocou fora do NE?! Previsão de tour pelo resto do Pais?!


Nunca tocamos fora do Nordeste, depois que lançamos o EP "Água de Jamaica" fomos convidados a um festival na França, em agosto, mas o evento foi cancelado. O festival era uma auto-gestão, e às vezes quando cai um departamento e quebra todos os outros, a festa tinha como tema Meio Ambiente, etnias, circo, musica, teatro, uma proposta bem interessante. Esperamos agora em 2011 tocar em outras regiões do Brasil, difundir a nossa musica para outras realidades, quando tivermos uma estrutura legal, iremos circular sim.


6) Já saquei alguns sons novos, alem do EP Agua de Jamaica, ja tem previsão de pra quando sai o proximo registro?! Vai ser cd, ep?! Tem nome o bagulho ja?!


Temos novos materiais em vista, o que posso dizer é que começaremos a gravar ainda este ano. Duas musicas de um novo EP já estamos tocando em shows, estamos experimentando duas outras e mais alguma virá. Paralelamente estamos articulando algum material com convites exóticos e FDP, sessões quentes.



Ubella Preta - Festival Coquetel Molotov (2010)




7) O próximo show vai ser o do Festival Mundo, como tem rolado os shows de voces por jampa?! ja tem um publico formado?! O que esperar desse show pra quem quiser chegar e sacar?!


Pra ver nosso novo show vai ter que chegar cedo no Festival Mundo. Pois tocaremos às 16h40min. O show será do jeito que a gente gosta, com coisas novas a mostrar pro publico com o happening e performance. A abertura será algo que envolverá percepções extra musicais, com movimentos pélvicos que surgirá de uma emanação de energia antes já excitada. Nosso ultimo show (se não me engano) foi no honroso festival Coquetel Molotov. Aqui temos um publico que já saca o que esta sendo feito na cena, tem uns malucos que as vezes nos encontrar e demonstram sua empatia pelo projeto. Teve um poeta da contra cultura disse uma vez que nos considerava. (risos) Uma das coisas legais e engraçadas que aconteceram foi ver um cara da Bahia viajando com uns malucos e veio parar aqui, ouvimos ele numa roda conversando sobre uma banda local que ele se amarrava, uma tal de "umbrella preta", que o myspace girava, viramos pra ele e dissemos que éramos os caras e ele arregalou os olhos vermelhos e mandou um texto ótimo.


8 ) Alguma outra informação, sugestão, reclamação, dica, etc...


Vão aos shows no Festival Mundo, a articulação ta funcionando aqui, a galera ta muito envolvida, tanto os músicos, oficineiros e outros quanto a organização. Falem pra galera diminuir o imposto dos instrumentos musicais, todo mundo querendo tocar com gibson e tendo que comprar epiphone bixo. Nos EUA qualquer bizarro tem acesso a equipamento de qualidade sem se preocupar como atingir o seu TIMBRE. Outra reclamação é com os wah wah vox que só estão sendo fabricados na china, imagine só você usando um wah-wah ching ling?




Ps: Fotos feitas por Thiago Costa e Rafael Passos e retiradas do Flickr da banda!

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