Cave: Uma reza suave, talvez, contudo, uma balada homicida

por - 19:12


Nick Cave é sinônimo de discórdia e flagelação mental para alguns, para outros, um mero nome descartável e para muita gente, um “o quê?”. Neste texto para ficar claro, não quero que ninguém saia achando Cave e sua banda (Bad Seeds) os melhores músicos da face da Terra, apenas quero mostrar quem são e o que fazem.



Era uma aula de filosofia do ensino médio, eu tinha 15 ou 16 anos, não me lembro do mês exato, andava atolado de Joy Division e Ludovic, meu mp3 só reproduzia isso incansavelmente por horas. Em uma atividade ‘alternativa’, meu professor selecionou músicas que ele gostava, colocou na sala e apenas pediu que os alunos fizessem o seguinte: “escrevam como se sentem, as primeiras coisas que passam na sua cabeça”. Até aí tudo bem, pensei que viria música abstrata, reggae, sei lá, qualquer coisa menos música boa e não pelo professor, pelo o que boa parte dos alunos exigiam. Eis que ele arruma as coisas, abre a gaveta de CD, coloca um disco gravado de mídia vagabunda e diz: “essa música eu queria dedicar ao Paulo, número 36, agora escutem”. Fiquei sem graça, apesar disso não ser novidade, mas em poucos segundos, uma melodia melancólica e um vocal grave e não aveludado tomou meus ouvidos, a música era Mercy do maravilhoso disco Tender Prey, nunca me esquecerei dos primeiros versos recitados de forma ‘medonha’: “I stood in the water/In the middle month of winter/My camel skin was torture/I was in a state of nature”. Passei a redigir o que sentia, uma espécie de inquietação e melancolia havia me tomado, escrevia sem parar, senão me engano, falei que me sentia em um funeral e via as pessoas chorando a perda de um ente querido, enquanto a música de fundo ilustrava a dor delas e flores brancas eram deixadas em cima do caixão no fim. Isso saiu em umas folhas de estudo do professor, tinha Patti Smith lá também, ótima cantora e que eu viria a me aprofundar mais tarde, mas depois dessa aula, eu saí correndo da escola, tomei o ônibus e a primeira coisa que fiz em casa quando cheguei foi ligar o computador, ir para a extinta discografias e baixar o primeiro besto of que eu visse. As canções do Best of eram tão medonhas quanto Mercy, copiei tudo para o mp3 e passei a me bitolar nele. Comprei vinil e o cacete a quatro e hoje, sou fã, confesso. Mas e então, por que contei tudo isso? Para me gabar ou coisa que o valha? Seria muito infantil de minha parte fazer isso. Então vamos ao assunto principal depois de toda essa enrolação.




Para quem não conhece Nick Cave & The Bad Seeds faz um som bem calcado nos anos 80’s, mas com algumas influências dos blues e do jazz (tanto que saiu um álbum cheio de covers chamado Kicking Against The Pricks) em um tom bem ‘depressivo’, por assim dizer. Se você é fã de Joy Division, Sisters of Mercy, The Smiths, Velvet Underground e todos esses clássicos da música, provavelmente irá tornar-se fã. Não que seja necessário ou algo que o valha, só que para simplificar, o som é genial. Das letras que falam sobre morte, autoflagelação por motivos religiosos, violência, religião (da forma mais sádica que você possa imaginar) drogas e pensamentos considerados ‘malucos’ a melodia bem tocada pelos Bad Seeds que dão um tom melhor aos poemas de Cave. Se você se interessou no artigo e quer baixar um disco, mas fica perdido em meio há tantos álbuns, aconselho começar pelo Best Of de 2001 e depois baixar o Tender Prey, daí, é correr para a discografia e para o café na janela enquanto chove, sendo acompanhado por ele.

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1 comentários

  1. Eu gosto,mas eu conheço muito pouco,só os duetos com a PJ Harvey e Kylie Minogue,e pelo o que você disse,a discografia dele tem mais a ver com a segunda.Valeu a dica.

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