Impressões do Festival DoSol 2010...

por - 21:45

Antes de qualquer coisa vou logo avisando, isso aqui não é uma cobertura ou resenha critica sobre um show de música. São apenas idéias e impressões do que presenciei no evento. Pra começar a festinha da sexta feira, no DoSol Rock bar, abertura oficial do Festival DoSol 2010. É engraçado como o perfil dos festivais vem mudando no país, antes as festas eram voltadas pro encerramento do evento, não necessariamente para o inicio. O que se percebe é que os festivais brasileiros estão virando uma celebração para quem faz o evento, sendo organizando ou tocando, para quem cobre e para quem participa assistindo e apoiando a história.



Love bazukas - DoSol (2010)



Foi isso que rolou sexta no DoSol Rock Bar, uma celebração. Antes mesmo do evento, se percebia a alegria dos organizadores, o que já mostrava o provável sucesso que viria a ocorrer. Quem teve a tarefa de abrir as atividades musicais do festival foram os pernambucanos da banda de stoner rock AMP. A banda resolveu misturar musicas do primeiro disco com canções novas, fez um bom show, bastante competente. Ate no problema técnico parecia que a banda tinha ensaiado, as duas guitarras pararam ao mesmo tempo. Nada que comprometesse o show da banda, eu gostei dos novos caminhos que estão seguindo, um bom disco vindo por ai.

Depois veio o projeto paralelo formado por Chuck Hypolitho e os goianos da Black Drawing Chalks, Love Bazukas. O que eu posso dizer? Projeto paralelo que lançou um EP com quatro músicas, são bons músicos em suas carreiras solos, mas não ensaiaram pra tocar junto. Resultou num show farofa e divertidíssimo, estava claro que eram amigos celebrando o momento e o rock. Eu curto bastante o EP da love bazukas, mas não posso dizer que foi um primor de show, mesmo tendo sido uma festa super divertida, alegrando todos os presentes.


Sex on The beach - DoSol (2010)



Vamos então para os dias de shows do evento. Antes de tudo, aprendi duas coisas com o festival: Se você for uma banda recém nascida, com apenas um EP lançado ou coisa do tipo, você vai ter o mesmo tempo que uma banda com vários trabalhos lançados e anos de carreira. Isso porque todas as bandas tem as mesmas meia hora de show, todos são iguais. Isso acaba deixando aquele gostinho de quero mais em vários shows do festival. A outra coisa foi que os 2 palcos de shows também são considerados iguais, mesmo o armazém tendo espaço pra mais público que o centro cultural DoSol. Sendo assim, inicialmente os momentos alternavam-se entre lotação no centro cultural e menos aperto no armazém. Porem os melhores shows acabaram acontecendo no inferninho do bar DoSol.

Dentre as bandas que vi no dia do Sábado, meu primeiro destaque vai para a banda de campina grande Sex on the beach. O trio destilou o seu rock instrumental com pitadas de surf music mandando as faixas do seu primeiro EP e, deixando claro a escola que fazem parte, ainda mandaram a clássica Misirlou, música imortalizada pelo Tarantino em Pulp Fiction, animando geral os presentes. Eles também foram a banda com melhor som que ouvi no dia do sábado. Os gauchos da Superguidista entrando no esquema de banda grande, os shows sempre são bons, mas eu to achando a banda muito pop, muito devagar. Talvez seja o disco novo, mas nem de longe deixam o impacto do primeiro show que vi deles no abril pro rock. Existem hits ali, existem ótimas canções, mas o show ta meio distante, menos intenso.



Autoramas - DoSol (2010)



A banda local Venice Under Water tem boa intenção, bons riffs, mas ainda soa crua. Tem que organizar melhor o som, outra coisa, o vocal na gravação é infinitamente superior ao que apresentam no show. A Camarones Orquestra Guitarristica aproveitou a oportunidade para registrar o show para um DVD que será lançado relatando todo o tour da banda pelo Brasil no último ano. Tocando em casa, com o público a favor, não tinha como não ser animado. E ainda fazem um dos shows mais divertidos do brasil. Seguindo o embalo da Camarones veio então o show inferninho da noite, na minha modesta opinião. A banda Autoramas é calejada, Gabriel Tomaz tem de rock quase o que eu tenho de vida. Falar que a banda Autoramas faz um excelente show é chover no molhado. No DoSol Rock bar o que se viu foi um verdadeiro baile surf music lotado, um tremendo inferninho e enquanto isso o trio seguia destilando clássicos como Você sabe, Nada a ver e ate Little Quails! Os Tormentos fez um show competente, interagindo diretamente com o público, uma visual massa no palco. Mas não chegou a decolar como os Autoramas e ate ficou um tanto apagado.



Calistoga - DoSol (2010)




Como disse anteriormente, os melhores shows rolando no Centro Cultural DoSol. A última banda local da noite de sábado foi a Calistoga, banda pela qual tenho um carinho e amizade especial. Vou apenas dizer que é muito legal ver a banda ao vivo em Natal, o que eu vi foi um celebração do Rock potiguar, fechando com a principal banda da cena local fazendo um show acima da média. Era notório o respeito e carinho da banda com o público e a reciprocidade vinda de quem gritava todas as músicas de baixo do palco. Fallen Hero, a última música executada no show da Calistoga é um hit nato e tem um dos melhores refrões que ouvi nos últimos tempos, se você curte rock experimental lembre desse nome. A Black Drawing Chalks fez um show competente, engraçado que nessa hora o público Rock ja se misturava com o pessoal mais velho que tinha chegado pra curtir o barulhinho Bom. E boa parte dos recém-chegados curtiu muito o show dos goianos. Começou então a rolar apertos na Rua Chile e mistura de público que fez a organização fechar a banca e não vender mais ingressos, sucesso Total no sábado do festival!



Garage Fuzz - DoSol (2010)




No domingo, dia do barulho realmente bom do festival, os melhores shows continuaram a acontecer no DoSol Rock bar. O lance é que roqueiro, ainda mais no nordeste, curte o aperto, o calor e o barulho. Fazendo com que o bar DoSol deixa-se tudo mais próximo, mais intimo no contato banda e público. Porém, meu primeiro destaque do domingo veio do Armazém. A lendária banda de hardcore brasileira Garage Fuzz fez o show mais emocionante que eu vi no evento inteiro. Mais de 20 anos de banda, alguns shows e toda uma identificação com natal. Destilaram clássicos da banda revisitados no último trampo o Cd e DVD Definitively alive. Farofa, vocal do garage, estava visivelmente emocionado e não deixou de brindar o público com clássicos como Replace, After the rain, entre outras. É incrível como uma banda desse porte não faz mais shows no circuito independente nacional, uma pena pro público que os outros festivais deixem passar tal banda.



Facada - DoSol (2010)



O trio pernambucano Desalma fez o favor de liberar o capeta no DoSol Rock bar depois disso. A banda está cada vez mais competente e afinada ao vivo, começaram a destruição do bar Dosol com o metal e sendo muito bem recebida pelo público. O capeta liberado pela Desalma foi mantido pelos cearenses da Facada. Facada é a melhor banda de grind do nordeste, fez o melhor cd de grind que eu ouvi nesse ano, o joio é absurdo. Eu espero que todos morram como eles disseram que a desgraça chegue a seus corações e que meus ouvidos voltem ao normal em algum momento dessa semana. Legal que a banda e o público apresentaram uma reciprocidade incrivel, descobri depois que o primeiro show da banda foi em Natal, entendi então a ligação entre o público e a banda. Deixaram o DoSol quente com o inferno, o capeta reinou no DoSol Rock bar no domingo.



Marky Ramone - DoSol (2010)




E pra finalizar a maratona de shows do Fim de semana, um show histórico na cidade de natal com o Marky Ramones e Blitzkrieg. Está foi a terceira oportunidade que tive de ver o Marky Ramone, com a terceira banda de apoio diferente. Desta feita contava com Michale Graves nos vocais. E eu não vou cair na besteira de criticar duas figuras monstruosas do punk mundial hein?! Quem sou eu pra isso?! Só fica ciente do seguinte, mesmo não sendo fã de ramones, todo mundo conhece boa parte das 32 canções tocadas durante cerca de uma hora e meia no show do Armazém. Alguns problemas técnicos aqui e ali, mas era jogo ganho, festa garantida, certeza de alegria e realização que estava meio que claro desde a sexta, ainda na festa de abertura do Festival. Depois disso vi o Marky passando de um lado pro outro, com seguranças e público correndo atrás dele e tentando interagir, ramones é ramones em qualquer tempo e lugar do mundo mesmo. Eu particularmente preferi o Marky Ramones com os Intruders que vi no Docas anos atrás, por curtir muito os Intruders e pelo fato do Marky está bem mais acessível naquele dia, mas eu nem lembro que ano foi isso, alguém?!

Como disse anteriormente parecia um jogo ganho e a goleada se confirmou. O que ficou claro pra mim com o Festival DoSol é que o rock ainda pode ser celebrado, por quem faz o evento, por quem toca e por quem admira, curte. Parabéns a Foca e Cia pela produção do evento, as pessoas se sentem tão confortáveis no DoSol que é impossível não pensar numa volta o mais rápido possível pra Natal. Agradeço a hospitalidade e os bons papos com cadeiras cativas do rock potiguar, do rock brasileiro e com o público no geral que fez o festival um enorme sucesso todos esses dias. Aos bons amigos que tenho cultivado nos últimos anos em Natal. Espero voltar o mais rápido possível, abraço...


Ps: todas as fotos retiradas do FLICKR do Festival, vai la que tem muito mais foto legal!

Você também pode gostar

0 comentários