Cinco discos nacionais e um gringo que voce não deveria passar sem ouvir em 2010, por _zeke_against_...

por - 11:03

É sempre complicado fazer essas listas de final de ano, Nick Hornby não sabia a confusão que estava criando quando resolveu popularizar essa brincadeira. Escolher cinco discos em um ano que nada teve um destaque enorme é complicado. Acho que o ano foi bom de uma maneira geral (tiveram varios bons discos brazukas), mas quase ninguem se destacou a ponto de ser unanimidade (isso dificulta um bocado na hora de fazer essas listas, sempre falta algum). Mas, vamos la, o último top 5 de discos brazukas feitos pelos representantes do HominisCanidae...

Tulipa Ruiz - Efêmera: eis aqui o disco de estréia da cantora paulistana Tulipa Ruiz. Vinda de uma familia de músicos, o disco é trabalhado com esmero incrível. Foi a estréia mais comentada do ano, acho que é o disco mais frequente nestas listas de dezembro. Isso demonstra o hype em cima da moça, a qualidade do disco e onde o som da Tulipa pode chegar. Ela parece trazer de volta a qualidade das cantoras brasileiras de outrora, esquecida em tempos de tropicalia ou ditadura. Tudo isso com um instrumental muito bem feito e amarrado com pitadas de tropicalia e experimentalismo na dose certa...

André Abujamra - Mafaro: o último trabalho do Abujamra solo é uma mistura tão feita que a sonoridade soa global. Não da pra pensar no trabalho apenas como um som brasileiro, as influências são tantas e tão coesas que chega a ser incrivel. As letras e participações do disco caem como uma luva na sonoridade. Mafaro significa alegria na lingua do Zimbabwe e é exatamente essa sensação que o disco passa. O show com o filme (caracteristica do Abujamra desde o retransformikando) recebeu adjetivos como impressionante, surreal, absurdo. Por isso esta aqui representado, um dos melhores discos do ano com certeza...

Satanique Samba Trio - Bad Trip Simulator #2: soltaram o satã nas terras do planalto central, na chamada capital federal. Acho um tanto inclassificável o som desse sexteto brasiliense, mesmo achando se tratar de pura música brasileira. Com uma pitada de erudito no tradicional, uma das melhores bandas instrumentais do pais. Acredito que a Bad Trip fica so no nome, pois em termos de viagem a sonoridade do disco faz a melhor possivel para quem tem a chance de ouvir esse petardo, não perca seu tempo, entre nesse mundo doentio com o melhor disco ja feito pela banda...

Chankas - Chankas: este é o primeiro trabalho solo do músico paulistano Fernando Cappi, conhecido por integrar uma das melhores bandas do pais, a Hurtmold. Em seu trabalho solo, Fernando Cappi (ou Chankas) busca dar um tom mais confessional aos seus sentimentos como músico e pessoa. Ele utiliza letras para se expressar em meio a calmaria bucolica que parece ser o norte musical para relembrar momentos do passado e influências que cresceram com ele ate este momento. É o disco mais bonito que escutei esse ano, participam do disco outros integrantes da hurtmold e o Rob Mazurek, coisa muito fina...

Labirinto - Anatema: se voce conhece a banda de rock instrumental paulista Labirinto a algum tempo, a primeira pergunta que voce faz quando escuta o Anatema é: como uma banda pode progredir tanto de um trabalho para outro? Em Anatema tudo é pensado e repensado, trabalhado com esmero, afinco e bastante carinho e atenção. A banda virou uma orquestra soturna digna do melhor que o post-rock mundial pode oferecer, o anatema transcede a barreira do pais, da lingua, do som. É um disco atemporal e que vai soar em espiral por muito tempo nos ouvidos de quem se atrever a escutar. Melhor disco do ano no Brasil...

E agora um Gringo (escolher apenas um disco é cruel), encarem isso como uma sugestão entre tantos discos legais que ouvi no ano...

Sun City Girls - Funeral Mariachi: eis aqui o novo trabalho do trio do Arizona Sun City Girls que tem apenas quase 30 anos de estrada no rock experimental. Este novo trabalho foi feito e produzido pelos irmãos Bishop (Richard e Alan), o baterista Charles Gocher morreu em 2007. Nesse trabalho a sonoridade é um pouco mais pop, porem sem perder o experimentalismo. Uma pitada de Folk torto, passando pelo western sem perder a psicodelia em momento algum. O jazz que permeia a faixa que da nome ao disco so deixa o trabalho mais incrivel. O registro foi lançado em LP e CD pelo selo dos caras mesmo (Abduction), aconselho...

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