A comemoração de Jair Naves na Livraria da Esquina... (E a surpresa do Lupe de Lupe)

por - 15:00




Dia 29 de Janeiro, sábado, 23h00. A Livraria da Esquina estava prestes a receber dois shows intensos: o primeiro, da revelação mineira Lupe de Lupe e logo depois, o aniversariante da noite, Jair Naves em sua carreira solo tocando músicas do seu elogiadíssimo EP, chamado Araguari, lançado em 2010 e considerado por muitos, um dos melhores lançamentos do ano. Mas bem, feita a introdução clichê, vamos ao que interessa: os shows.






Lupe de Lupe
: eu conhecia apenas a música “Para Viver Um Grande Amor”, por conta do clipe que eles possuem na internet. Os caras fizeram bonito, e não, não é aquele bonito nota 5, a coisa foi muito boa mesmo. As guitarras distorcidas, naquela praia meio Sonic Youth e às vezes em algo mais Fugazi, soam muito bem ao vivo. A presença de palco do quarteto mineiro, também é algo que chama atenção: eles não param e em alguns momentos do show, em meio a ruídos feitos de propósito, leva o ouvinte mais atento a uma espécie de “loucura” — por falta de palavra melhor. Seria exigir muito da minha memória lembrar o setlist deles, mas creio que rolaram todas as faixas presente no EP Recreio. No final do show eles tocaram dois covers, até aí nada demais, certo? Aí que se enganam, nada mais nada menos que “Boas Sementes, Bons Frutos” e “Janeiro Continua Sendo o Pior dos Meses”, músicas da banda antiga de Jair Naves, o Ludovic. Quem conhecia cantou e se mexeu muito, quem não conhecia tentou se conter, mas a atmosfera noise criada pela banda, principalmente em Boas Sementes, Bons Frutos, não deixou ninguém totalmente parado. Em suma, uma abertura muito mais que digna para a atração principal da noite, Jair Naves. O Lupe de Lupe depois desse show, passou a ser uma das minhas apostas para 2011.





foto por KBÇA



Jair Naves
: tive a oportunidade vê-lo tocar uma única vez, no Hangar 110, naquele festival organizado pelo Nenê Altro e o Wladimir Cruz (Zona Punk), o Semana da Independência. Foi realmente emocionante assisti-lo em plena quinta-feira de frio e garoa em SP, mas ontem as coisas foram melhores, muito melhores. A começar pelo fato de que era seu aniversário e ele deixou bem claro que nunca soube como  lidar com essa data, o show foi muito mais do que eu esperava. Jair manteve sua postura em cima do palco de forma verdadeiramente caótica, como em Araguari I, na introdução feita com cover de Devil Town, do Daniel Johnston ou em “Supostamente São”, onde ele desceu do palco, cantou com a plateia e jogou-se no chão e cantou versos fortes como “Dez dedos em cada mão ou errei ao contar?/Eu causei boa impressão?/Eu soube me controlar?/O assunto em questão, eu evito abordar/Por consideração, não diga nada que eu não suporte escutar/”. As novidades anunciadas no repertório, ficaram por conta de uma faixa nova que segundo o Jair ainda não está totalmente completa e talvez o mais inusitado da noite: Tom Jobim e Aloysio de Oliveira , Demais. Não sei se estava oficialmente no repertório ou não, porém, mais uma vez a banda conseguiu dar uma “pegada” muito diferente à música que já não parecia mais aquela versão clássica interpretada por Maysa e sim, uma música nova de Jair Naves. Caótico do início ao fim, talvez seja apenas com essas palavras que eu consiga definir o que aconteceu ontem/hoje na Rua do Bosque, 1236/1254.

Lançado o clipe de Jair Naves, confere aí:


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