Os discos nacionais que fizeram a cabeça de Bruno Faleiro e a correção de uma injustiça

por - 13:35




Convidamos, no meio de tantos outros, Bruno Faleiro, baixista do Colorido Artificialmente e da banda Câmera, que lança seu primeiro disco em fevereiro, e assina o Faleirolândia, para fazer a lista de melhores discos de 2010. Sei que parece um pouco atrasado, mas creio que ainda tá valendo. Alguns discos não entraram aqui e outros só reforçam a qualidade dos melhores lançamentos do ano passado. Então, sem mais delongas, a lista com os cinco discos nacionais e um internacional, por Bruno Faleiro:











Para começar, uma banda de Belo Horizonte. O som do Iconili é uma mistura de Hurtmold, Fela Kuti, jazz e rock dos anos 70. O disco, lançado em 2010, reproduz bem o que é o show dos caras.  Exímios músicos que não se prendem a um só instrumento (além de guitarras, baixo, bateria e teclado, usam theremim, saxofone, trompete, metalofone e órgão) sem que a música soe enjoativa ou pedante. Boa estréia.



Este disco é figurinha carimbada nas listas do Altnewspapper. Sinal da qualidade do trabalho dos caras. Anatema é um tradicional disco de post-rock, aos moldes de Explosions in the Sky e Godspeed You! Black Emperor, mas com uma dose a mais de peso. Como todo bom disco do gênero, prima pelos climas e, neste caso, é denso e lúgubre.



Haveno, do Constantina, ainda nem está pronto e é um dos melhores discos do último ano. Como isso pode acontecer? Simples. A banda está lançando seu quinto disco em conta-gotas. Assim que uma música nova fica pronta, os mineiros a postam no site oficial. Até agora, constam na página Azul Marinho, Bagagem Extra e Imobilidade Tônica. O suficiente para aparecer aqui na terceira posição.



Última surpresa do ano. Somewhere I Can Hear My Heart Beating passou despercebido por quase todas as listas e críticos, mas é um dos pontos mais altos dos últimos 365 dias. O quarteto de São Paulo usa loopstations e camadas de efeitos, climas shoegazer, vocal gonzo e simuladores de instrumentos para criar o clima etéreo, que talvez seja o grande diferencial da banda. Vale também ressaltar a bela produção do disco, que não perde em nada para o que é feito fora do país.



Já citado nesta seleção de melhores do ano, o ex-vocalista do Ludovic fez o álbum mais corajoso do indie nacional em 2010. Jair rompeu com o padrão estético de sua antiga banda e propôs uma volta confessional às raízes. Araguari é um disco sobre separações, em qualquer espécie, e ainda invoca o dúbio sentido da vida no interior de Minas Gerais. Ao mesmo tempo em que pode ser tranquila e pacata, há o convívio com a vigilância e o pensamento provinciano.

Internacional


Aqui, desfaço a injustiça na lista dos melhores 15 discos do ano do Faleirolândia, quando ignorei Completely Removed, do Medications. No terceiro registro dos ex-Faraquet, Devin Ocampo e turma deixam o vigor e a matemática extrema de lado, em prol da melodia. Outro destaque é a presença mais constante do baixista Chad Molter nos vocais, como na incrível Seasons, que os caras já tocavam na turnê brasileira do longínquo ano de 2007. Brazil´07, como diz a sexta faixa.

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