Três cervejas com os Beach Combers, uma entrevista sincera e tardia, por Gabriel Turner

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Em setembro do ano passado, marquei de entrevistar os Beach Combers no "Rosa de Ouro", bar tradicional da rua Voluntários da Pátria no bairro de Botafogo. Era uma quarta, Rio de Janeiro, fazia um calor infernal, e pra completar o fotógrafo que ia me acompanhar bateu o carro e me deixou na mão, sem a pauta escrita e sem a carona.

Quando cheguei no Rosa, eles já tinham tomado umas duas cervejas, fui ligando o gravador e pedindo desculpas pelo atraso, mas de pronto ouvi um "Ah, tranquilo, senta aí, bebe uma com a gente". Carregado de um sotaque sulista e de intenções cariocas, Bernar, guitarrista do trio, foi contando depois de pedir um copo pra mim e de dar um trago de Marlboro filtro branco, como começou a banda:

"Eu tava andando na rua, aí passei por uma loja e vi uma Giannini, velha, desenrolei com o cara, paguei R$ 120, e daí em diante comecei a pensar num som que eu quisesse fazer, uma parada mais minha."

Alt:
E você já tocava Guitarra?

Bernar:
"Porra, não, (risos), eu era baterista, tanto que no início da banda, muita gente ficou receosa, " É o Bernar mesmo que vai tocar guitarra? ". Mas eu aprendi a tocar e fui começando a tirar uns riffs.

Pra se entender melhor o contexto, a Beach Combers é uma banda carioca, composta por Lucas Leão (bateria compassada tocada de pé), Guzz Loureiro (Contra baixo matador e derivados) e Bernar Gomma, responsável pelas (guitarras alucinógenas com toques de tropicalismo). Seguem a linha do surf music e experimentam as nuances do garage fuzz dos anos 60 com ímpeto. Falam muito sem falar uma palavra, a Beach Combers é categoricamente instrumental e absolutamente justificável:

Guzz:
" Se a gente quisesse ganhar dinheiro a gente não teria uma banda instrumental, a gente faz música porque sente tesão. É sincero, brutal e tomara que cresça."

Alt:
E como foi que vocês se conheceram, como surgiu a banda?

Bernar:
Eu conheci o Guzz no show do Rock Rocket em 2005, acho...

Guzz:
Ele chegou pra mim e perguntou qual era a do Rock Rocket, eu respondi pra ele que era tipo o Forgotten Boys, só que com letra em português, (risos).

Bernar:
Daí achei ele maneiro, a gente foi trocando uma idéia e depois a gente se esbarrou na noite, contei a idéia de fazer um som que fosse do tipo que a gente faz, e acabou rolando. Aí veio o Bike na batera e depois o Eric Rocker.

Obs: Na época da entrevista o Lucas não tinha entrado na banda ainda.



Conversa vai, conversa vem, pedimos outra cerveja.


Alt:
E vocês lançaram o CD em Junho né? Como foi o processo de gravação?

Guzz:
A gente gravou tudo quase em um dia, no estúdio 82 na lapa, tocamos ao vivo, e o resto a gente mixou em casa. Também tem uma faixa que foi gravada ao vivo na College (festa produzida por Guzz) de super homem.

Alt:
E aproveitando o gancho, como é ao vivo? Como é que a galera reage ao show de uma banda instrumental?

Bernar:
Ah, tem gente que fica esperando a hora que alguém vai chegar no microfone e começar a cantar, o resto do pessoal fica muito bêbado e sai dançando, esse é o intuito. Eu também já fiz shows, no início, só de bateria e guitarra, onde eu estava muito bêbado e ainda assim galera curtiu. (risos)

Guzz:
As críticas fazem parte do crescimento, e a gente vai levando, sem se preocupar muito, na verdade esse é que é o lance, as coisas vão acontecendo pragente e acaba que a gente não adquire aquela preocupação de fazer sucesso a qualquer custo.

Bernar:
Nós temos um lance de manter tudo muito orgânico (risos), não rola isso que rola nas outras bandas, essa competição entre eles mesmos em torno e realização pessoal.

Alt:
Mas nada cai do céu, certo?

Guzz:
Nada cai do céu, e a gente sabe muito bem disso, nós corremos muito atrás, fechar contrato, carregar equipamento, é uma busca nossa por aprimorar e também fazer uma coisa verdadeiramente nossa.

Alt:
E o que vocês pretendem daqui pra frente?

Bernar:
A gente quer lançar outro disco, talvez um só de demos, ou um outro com uma capa que tenha uma foto nossa na pedra do Arpoador escrito em cima, "ninguém segura os Beach Combers." A gente quer tocar fora do rio, fazer mais shows em São Paulo, tocar nos grandes lugares por aí, e nos pequenos também.

Terminada a terceira cerveja, Bernar tira óculos, acena pro garçom pedindo a conta e diz preu anotar:

"Coloca isso daí no final, quer saber, foda-se tudo a gente é garage, a gente faz um som diferencial, eu acredito pra caralho no que agente faz. (sic) E é isso aí, cada música é uma música, cada show é um show, e ninguém segura os Beach Combers."


Alguém duvida disso?

Os inseguráveis Beach Combers, estão gravando seu segundo disco, previsto pra sair em julho, e por agora tocam dia 28/01 no Saloon 79 (RJ), apresentando seu novo show: " Os Beach Combers tocam os Clássicos da Jovem Guarda", além de fazerem outras apresentações com a sua tour de verão 2011 intitulada "tour do amor".

Não Conhece os Beach Combers?

Myspace / Baixe o disco / Veja as fotos


Clipe da Música "o Bote da Cobra"



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