Brincando no Recreio com a Lupe de Lupe

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A última vez que fui surpreendido de verdade indo a um show foi em 2009, com o “Que Fim Levou Valdir?”. Cheguei ao local sem nem saber quem eram eles e voltei pra casa procurando álbum pra download, pra vender e próximos shows. Aconteceu praticamente a mesma coisa na Livraria da Esquina, com a leve diferença de que eu tinha ouvido uma música da banda antes. Com o que tinha escutado, criei uma expectativa para a apresentação dos mineiros e ela foi muito além do que eu consegui prever (conforme você pode ler aqui). Após ouvir o disco cheio, tirei algumas conclusões e vocês podem conferi-las abaixo:




Lupe de Lupe
é um quarteto mineiro que tem um EP recém-lançado chamado Recreio. A banda flerta hora com o dream-pop do My Bloody Valentine, outras vezes com aquele barulho bem feito de bandas como Sonic Youth e Hüsker Dü. As boas influências não param por aí, Pavement, Ludovic, Wilco, Mogwai, Radiohead e Dinosaur Jr também fazem parte dessa ótima lista.

O EP Recreio contém apenas 7 músicas (infelizmente). O disco começa com Brejo das Almas, o noise é predominante nesta faixa e o vocal rouco da a entender o que as pessoas encontrarão no álbum. Para Viver Um Grande Amor vem na sequência e é a música mais conhecida da banda por conta do seu vídeo clipe, também a mais pop, mas para quem pensa que as guitarras distorcidas cessam por aí, está muito enganado, elas continuam ali, tão estridentes e belas ao mesmo tempo quanto na faixa anterior. A Escarava Isaura retoma as influências indies do pessoal da banda, meio Wilco, meio Smashing Pumpkins, segue neste ritmo do início ao fim com algumas elevações nas guitarras e no barulho feito por elas – o que só deixa a terceira música do EP melhor. Guesa Errante é minha faixa predileta por ser uma das mais barulhentas e pesadas do álbum, talvez aqui esteja melhor presente a proposta noise da banda, sem mais, a melhor para mim.





Quinta, Mar Morto: começa calma, com um vocal acompanhando de forma meio melancólica (no bom sentido) e com o desenrolar vai ficando cada vez mais pesada, até o ponto de estourar e o vocal passar a ser gritado, ruído do bom na cabeça. Segue Dom Casmurro mesclando o indie rock e o noise rock de forma coesa e sem soar exagerado ou forçado, distorção e calmaria encontram-se da maneira que deve ser, a letra faz alusão ao romance de Machado de Assis em alguns pontos, em outros, é bem pessoal. Para fechar com chave de ouro, “Carta a Minha Filha Em Prantos”, que possui uma letra incrivelmente bem escrita pela banda: “Hoje vou partir / Agora o nosso sol se pôs e resta esperar o fim / E vê se te cuida/ Foi ótimo te conhecer/ Levo um suvenir/ E o meu fardo é perecer sobre um pedaço de cetim/ Já anoiteceu/ Nessa historia de nós dois, quem me dera as balas fossem de festim”. Na sétima e última música de “Recreio”, podemos sentir a frustração pelo disco estar chegando ao fim e entender o porquê que para mim essa banda passou a ser uma das apostas para 2011, que começa bem, muito bem.

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