Câmera - Uma fotografia na casa invisivel

por - 12:33


Posso dizer que acompanhei de perto o Câmera antes de sair o vídeo teaser do EP Invisible Houses. Sempre em contato com o Bruno Faleiro (baixo), cheguei até a receber a versão de pré-produção da faixa Time Will e ouvi tanto, que teve uma época que sabia cada passagem da música, todo o ritmo, a letra, as viradas e tudo mais. O lançamento do EP só confirmou minha expectativa de que viria coisa boa. Para começo de conversa, as influências alternativas do Bruno, com as ideias mais post-hc do André Travassos (vocal, ex-Moldest) só poderia resultar em algo no mínimo, bem feito. E foi isso que rolou. Vou tentar ser mais didático abaixo, por isso, sigam-me os bons:



A abertura do EP fica por conta de Outsiders, que começa com um sampler do filme “O Estado das Coisas” de Win Winders. O instrumental começa a surgir com a voz do personagem tentando aprender a falar português, aos poucos, com o chegar da melodia, o sussurro da espaço para um ritmo calmo e agradável. Em Outsiders, a marca que fica é a de que o indie rock está bem entrosado com outros estilos, como o lo-fi e um pouco do post-rock nas guitarras. Isles, a segunda música, carrega uma atmosfera mais tranquila que a faixa anterior, o vocal continua numa linearidade e canta baixo, sem exaltações, o instrumental acompanha tudo de forma muito boa e em alguns momentos pode-se notar distorções maiores na guitarra de fundo. Terceira, Time Will, talvez essa música seja escolhida como single pela banda, foi usada no vídeo de lançamento e foi a primeira que ouvi. O barulho de uma baqueta batendo no aro quando a música se acalma, deixa tudo mais interessante e no fim, chega a lembrar um pouco Toe, por conta do violão.




Com um início contendo risadas e alguns barulhos de fundo, começa a quarta faixa, By Surprise, até agora a mais barulhenta de todas do EP, pois em alguns trechos a guitarra aguda te traz a sensação de que está perto de algo ficar mais tenso e pesado, a letra trata de uma relação entre duas pessoas, seja amizade ou um relacionamento de casal. A interpretação livre é uma das melhores coisas dessa música: “você salvou o dia, quando veio de surpresa”. Teenage Lust foi uma das primeiras faixas do EP a serem compostas, junto com a terceira, Time Will. Na quinta música, as guitarras distorcidas voltam e em pequenos trechos o Câmera faz um barulho do bom, no fim, uma escaleta aparece e passa a seguir o baixo, a guitarra e a bateria, deixando tudo bem gostoso de se ouvir. House of the Holy Sins soa como o adeus, de que o disco está chegando ao fim. Uma faixa que pode ser considerada acústica por ser praticamente toda formada pelo som do violão (há apenas uma distorção de guitarra de fundo) e o vocal é cantado de maneira mais melancólica, prestes ao fim da faixa, a ideia do fim de disco ganha mais conotação quando que com um jogo de vocal de cada voz vindo de um canal (direito e esquerdo), os instrumentos e a voz vão sumindo, até que ouvimos um “saúde”.








Impressões finais: o Invisible Houses foi um dos discos que mais me surpreendeu em 2011. Espero que a qualidade do que está por vir nesse ano, chegue perto do que foi demonstrado pelo trio mineiro no EP de estreia. É fácil de apreciar, não requer experiência com coisas estranhas, nem nada disso, é um disco totalmente gostoso de ouvir. Seja descendo a rua enquanto fuma um cigarro, seja no ônibus enquanto está indo à faculdade. E de fato, “você salvou o dia, quando veio de surpresa”.

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