O Velho Oeste através dos olhos dos Coen

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Desde que o projeto foi anunciado, muita expectativa foi gerada em cima da versão dos irmãos Coen para o clássico Bravura Indômita (True Grit). Com roteiro fielmente baseado no livro homônimo de Charles Portis (publicado em 1968), os Coen avisam que seu filme não é um remake do clássico wersten filmado por Henry Hataway. A semelhança, os dois afirmam, limita-se ao livro que inspirou o longa.

Apesar de ter sim, pontos parecidos com seu precursor (afinal, ambos inspiraram-se no mesmo livro), o Bravura Indômita de Joel e Ethan Coen traz um olhar diferente para a trama. Donos de um currículo extremamente conhecido pelos amantes do cinema (Onde os Fracos Não Tem Vez, O Grande Lebowski, Um Homem Sério) os diretores trazem na bagagem o seu já conhecido toque de humor, que acaba tirando um pouco o ar de faroeste, deixando um espaço maior para variação no ritmo da narrativa, além de personagens com conflitos internos, e de uma ação escancarada, com direito a um tiro no rosto que pode nausear os mais sensíveis.



O longa - que abriu a Berlinale deste ano e é indicado a dez categorias do Oscar, entre elas Melhor Filme - conta a história de Mattie (a ótima estreante Hailee Stainfield), uma jovem astuta que busca a vingança pela morte de seu pai, e vai atrás de seu assassino, Tom Chaney (Josh Brolin). Para isso, contrata o quase sempre bêbado Rooster Colburn (Jeff Briges, tão incrível no papel como esteve em Coração Louco), veterano confederado que é conhecido por não poupar os foras da lei que caça em busca de recompensas. Os dois tem ainda a companhia de LaBoeuf (Matt Damon), Texas Ranger que procura Chaney para ganhar a recompensa pelo assassinato de um juiz. Os três partem na caçada por Chaney em uma Oklahoma ainda dominada pelos índios, território onde a maioria dos bandidos se escondia da polícia americana em 1878.

Mesmo com o tempero característico dos diretores, Bravura Indômita é, talvez, o filme que menos se assemelha à cinematografia dos Coen, puxando cada vez mais para o estilo norte-americano, com história centrada sem tramas paralelas, grandes planos, e uma protagonista um pouco mais neutra em relação aos conflitos. O destaque no longa é a ação, aliada às trapalhadas dos dois adultos e a um humor sarcástico e inteligente, especialmente de Mattie, que conquista o público com mais facilidade nesta versão, com Hailee apresentando uma protagonista bem mais carismática que a de Kim Darby.



No fim das contas, os Coen mostram mais uma vez que são diretores e roteiristas de extrema qualidade. Além disso, mesmo sendo esse seu primeiro wersten (essa é a opinião dos diretores, mesmo que alguns acreditem que Onde os Fracos Não Tem Vez possa encaixar-se levemente na estética), os irmãos provam mais uma vez sua habilidade em traduzir os seus personagens, mesmo em meio à ação que os rodeia, provando que pode sim existir um filme com muitos tiros aliado à uma boa trama e atores competentes. Certamente não será nenhuma surpresa se levarem várias estatuetas a que estão indicados no Oscar, além, claro, de premiações futuras.



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