Copo de Alumínio

por - 17:04


Muito provavelmente seus avós têm um. E é igualmente provável que a razão seja a mesma: “ele deixa a água geladinha e o café pelando a boca”. Eles não estão errados ao dar esta explicação, muito pelo contrário, estão até proporcionando a seus filhos e netos uma das experiências mais intensas da vida simples às gerações mais playstationadas.

Visitei meus avós e outros idosos nesta semana livre e é impressionante como o ritmo frenético da cidade grande é totalmente comparável ao sotaque carregado de um nordestino ou de um sulista. Para eles o tempo parou e os dias se repetem num loop que, segundo os próprios, só vai parar quando a “magrela da capa preta” chegar. Seria mórbido se não fosse, de certa forma, engraçado. Suas rotinas milimetricamente calculadas deixam de ser tão milimétricas com um detalhe chamado Al Zheimer. Nem tudo pode ser postergado como uma ida ao banheiro, a não ser que um rim não lhes faça falta. E por fim (de assunto, que fique claro), nenhum problema cotidiano é pior que a perda da novela das seis.

Foi com a minha avó que a minha mãe aprendeu a cozinhar e foi com a minha mãe que eu aprendi a pedir pizza pelo telefone. Principalmente por não querer ensinar meus filhos a chupar um fio desencapado computadorizado sabor alguma coisa, acho que ainda dá pra aprender algo com as antigas gerações, claro, filtrando suas opiniões (meu avô acha que homossexualidade se cura com “talagada de pimenta no rabo” (sic)). A não ser que o mundo se acabe de forma trágica, devíamos guardar os velhos copos de alumínio em nossos armários de louça.

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