"Por favor, meus honorários"

por - 11:15


Não lembro exatamente quando comecei a escrever por vontade própria, mas sei que já faz um tempo. Também não sei dizer por que comecei a escrever. É provável que tenha começado com isso pela necessidade de expressar o que há de mais visceral em mim. Obviamente, nada do que eu escrevia, talvez até do que eu ainda escreva, deve significar algo realmente valioso para alguém. Tudo não deve passar de palavras soltas tentando fazer algum sentido para quem lê e, provavelmente, ficando apenas na tentativa. Das vezes que tive, e tenho, que escrever por obrigação, a coisa complica mais ainda. Redações, relatórios, resumos, resenhas e tudo mais, todos escritos de uma maneira bem medíocre. Só o mínimo pra sobreviver academicamente.

Só depois de muito tempo entendi que dava pra transformar um monte de bosta em arte barroca, bastando apenas apreciar tudo aquilo de um ângulo diferente do que eu via antes, e digamos que funcionou. Acabei tomando gosto por aquilo que, ora era como um veado no pasto, ora era como um veado na Av. Paulista. E aparentemente este gosto perdurou até hoje, tanto que estou aqui. Acredito que todos aqueles que se envolvem com o ato de escrever, seja ele por lazer, trabalho ou por estar num cativeiro tentando se comunicar com o vizinho amarrando um bilhete na pata de um rato, tem algo em comum. O inabalável prazer em se expressar.

Eis que leio o jornal essa semana e me deparo com uma notícia que me deixou apreensivo. Não, não é do terremoto que estou falando. Aliás, terremotos não me impressionam. Tenho um avô com mal de Parkinson que treme mais que um celular no vibra call. E que fez o enorme favor de servir café QUENTE pra mim numa xícara minúscula. Mas voltando à notícia, estou falando de Maria Bethânia, que pediu 1,3 milhões de reais pra fazer um blog. Por favor, não me entendam mal, não estou criticando a atitude, vou esperar o blog sair pra poder julgar se o investimento valeu a pena (afinal, foi feito com o meu dinheiro, então tenho o direito). Só fiquei apreensivo com uma coisa: quanto dinheiro já não deixei de ganhar por escrever em blogs? Parafraseando a coroa, "de repente fico rindo a toa sem saber porque" mas agora eu sei.

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