Impressões: Abril Pro Rock 2011 - Segundo Dia...

por - 12:17

O segundo dia principal da 19ª edição do festival Abril Pro Rock foi marcado pela diversidade nos ritmos, boa participação e presença do publico e bons shows. Começo pedindo desculpa as bandas locais Feiticeiro Julião e Mamelungos, por questões de logística não tive condição de chegar a tempo de ver estes shows, amigos que já viram vários shows da Mamelungos me disseram que foi um dos melhores shows da banda. Outros falavam que o feitiço funcionou muito bem no palco do Chevrollet Hall.






Cheguei na apresentação dos paulistanos da banda de indie Rock Holger. Banda que acabou de voltar de uma tour nos EUA e que tem o intuito simples de divertir o público com o indie rock básico, nada de novo. Posso dizer que o show foi divertido e que ganharam a atenção do público, principalmente dos que nunca tinham ouvido falar do grupo. Porém não posso deixar de registrar que não curti o cover que fizeram da Pixies e que não viajo nos escrachos como finalizar o show com o web hit "Eu sou foda", mas cumpriram bem o seu papel.




Entrou em palco então a primeira atração gringa da noite, a banda americana do Brooklyn Chicha Libre, destilando uma mistura de ritmos latinos com um pouco de jazz. Fizeram um dos melhores shows da noite e foram bem recepcionados pelo público presente. Destaco a música tema dos Simpsons em meio a chicha em uma das faixas do grupo que mesmo tocando no palco dois, onde o som não estava lá essas coisas (não me perguntem porque, era o mesmo equipamento de som nos dois palcos, deve ser a síndrome do palco 2, quase todos os shows tiveram algum problema no som) conseguiu executar uma ótima performance.





Eis que a locução oficial do evento anuncia Karina Buhr e entra a cantora paulista Tulipa Ruiz, pela primeira vez no Recife, a cantora já ganhou o público da cidade e o show ao mandar na introdução de Efêmera, faixa que nomeia o belo disco da moça, uma estrofe de Eu menti pra você, música da Karina. Tulipa foi responsável pelo melhor show entre as atrações nacionais, se sentindo em casa e com o público na mão, mandou várias faixas do seu primeiro disco, entre elas destaco Só sei dançar com você. Um dos momentos mais tocantes foi quando a cantora convidou Marcelo Jeneci (Foto) para participar do show dela cantando Dia-a-Dia-Lado-a-Lado. Ela ainda mandou um cover de Caetano Veloso e terminou o show no alto astral da canção Brocal Dourado.




Depois do belo show de Tulipa, foi finalmente a vez da baiana/pernambucana Karina Buhr subir ao palco. Com o trunfo de já ter público cativo, Karina conquistou outros fãs nesse show. Vestida com um macacão de paetês, a cantora dominou o palco, o público e até mesmo os seguranças do festival (Karina ficava passando a mão na cabeça deles, e inclusive colocou o boné de um dos caras). Com o tempo curto de show, ela preferiu conversar pouco e tocar mais, detonando os sucessos de seu cd, como Ciranda do Incentivo e Nassira e Najaf, por vezes tão performática que me lembrou um pouco o Bowie. Acompanhada por uma banda incrível (Catatau e Scandurra nas guitarras, Mau no baixo, Guizado no trompete, Bruno Buarque na bateria e Dustan Gallas no teclado), a bela agitou todo mundo, e deixou o público esquentado pro próximo show.





Chegou o Arnaldo Antunes no palco principal e esfriou todo mundo. Eu gosto de alguns trabalhos solos do ex-Titãs, mas nem de longe este último trabalho é um deles. Tentando inovar o Iê iê iê, o cantor criou um disco com letras competentes e som pop para ganhar público na sua carreira solo e grana (ele não esta errado nisso, mas a qualidade musical poderia ser mantida). Tentei assistir o show, mas acabei contagiado pela morgação coletiva de parte do público presente, logicamente existia um público ali para vê o Arnaldo e estes com certeza se divertiram por demais. Aproveitei pra ir às banquinhas de merchans e constatar que o Abril Pro Rock realmente mudou bastante, quase nenhum stand de CDs para vender, bandas que tocaram no evento não tinham discos para venda nem no stand do Festival. Bons tempos onde se poderia levar o catalogo da Monstro discos pra casa no fim de semana do Abril Pro Rock, mas aproveitei a presença da Radiola records para angariar alguns registros. Voltando para o Arnaldo, a banda é competente, o cara é competente, mas o som esta gasto, chato, nada de novo.







Veio então à última banda local da noite, a banda Eddie entrou e executou seu som denominado Original Olinda Style. O show começou com a participação de Roger Man cantando Quando a maré encher e ainda teve a Karina Buhr cantando Casa Caiada (e levando uma cortada de Trummer), mesmo com tais presenças passando pelo palco, nem assim Fabinho Trummer aproveitou para reviver o Sonic Mambo e fazer do show da banda no festival um momento memorável. Nem de longe foi o show mais animado da Eddie que vi, algumas boas faixas foram executadas e a boa participação do Erasto Vasconcelos (foto) cantando Maranguape deram o tom do show. Serviu pelo menos para reaquecer o público que caiu na dança e aguardava a última e principal atração da noite.




O maior nome do festival em 2011 adentra o palco, direto de Kingston na Jamaica, a legendária banda The Skatalites, se você der play neste vídeo acima, vai ficar bem mais fácil de entender como a aula começou. Sim, foi uma aula da mais pura mistura de ritmos jamaicanos sendo executadas por professores masters em pouco mais de uma hora de show. Boa interação e presença do público, clássicos como Freedom Sounds, Occupation e Phoenix City sendo executados com maestria e facilidade monstruosas. Cerca de cinco mil pessoas estiveram presentes e puderam conferir um momento mágico na história do festival, que finalmente conseguiu aliar nomes simbólicos de um estilo diferente do metal com um bom público marcando presença. O espaço virou um baile de primeira linha onde todos se divertiam e interagiram da melhor maneira possível, sem perder nenhum momento da aula executada. Eram quase duas da manha quando todos se dirigiram para casa ainda sem conseguir para o balanço skazeiro que tinha tomado os corpos e as mentes dos presentes.


Ps: todas as fotos feitas pelo Rafael Passos.

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1 comentários

  1. >só um toque: a tulipa fez cover da gal, com a música Da maior importância, escrita por caetano veloso.

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