Marcos Cajueiro ou como ter sempre um novo projeto na manga!

por - 21:40



Todo mundo que gosta de música conhece alguém assim: aquele sujeito que não vive sem bolar um projeto. Você encontra com ele na porta de um show em que a banda dele vai tocar e ele fica ali te contando de outras parcerias, outras vibes, outros sons.


Desses tipos de amigos sempre tem aqueles que só tem projetos e aqueles que tocam os projetos em frente. Marcos Cajueiro, natural de Arapiraca (cidade localizada a 128 km de Maceió e segundo maior município de Alagoas)e com 25 anos de idade, é parte da segunda categoria. Ele diz que vai fazer, e faz.


Eu conheci o Marcos por volta de 2002, no cursinho pré-vestibular, em um dia que faltou energia e as aulas foram canceladas, e nós, em plena época de revisão, decidimos não ir para casa estudar e sim ficar na porta do cursinho fazendo uma social. Um maluco amigo meu me apresentou aquele arapiraquense com um violão na mão, que viraria um grande amigo.


Já naquela época ele tinha um conhecimento de violão incrivelmente superior ao que a gente costumava tocar ou ver nossos amigos tocando. Ele ia de Tom Jobim a Air Supply em poucos minutos, porque, como ele diz, ele ouvia muita música internacional.


Passou um tempo e começamos a fazer parte do mesmo pessoal que iria um dia iniciar a Popfuzz Records, que depois se tornou o Coletivo Popfuzz. Dessa amizade surgiram um monte de bandas e projetos que, na maioria das vezes, tinham o dedo do senhor Marcos no meio.


Para falar desse seu lado prolífico e realmente empolgado em fazer valer as idéias que tem, fiz essa entrevista por email, onde Marcos fala um pouco do que fez, tem feito, e ainda vai fazer. Confere ae:


(Bruno Jaborandy) Pra começo de conversa: em mais ou menos quantos projetos, sejam eles banda ou solo, você se envolveu desde que começou a tocar?


(Marcos Cajueiro)

1-Anjos Rebeldes (banda gay-vocal feita com meus primos. eu era criança! JURO!)

2-Hangover (banda de hardcore que só conseguia tocar “Boys don’t Cry”)

3-Grama-boi (uma banda cover, mas tínhamos uma musica própria)

4-Magnolia (o amor da minha vida, as musicas já têm uns 10 anos e ainda não gravei. mas vou lançar!!!)

5-Super Amarelo (Power Pop + Guitar! when gayb went to SP we broke up =////)

6-Megalodon (metal experimental + tubaroes!!! FEED ME WITH YOUR LEGS)

7-my midi valentine (indie pop + videogame + tales maia)

8-mini mono (neo jovem guarda - galera isso ainda vai ser moda, sério!!! só não tive paciência para continuar compondo)

9-Bastian (emo + folk + dream pop) essa eh a “BaStian” não a “BaZtian”)

10-Gabriel Duarte (meu vocalista preferido + alt/folk)

11-Fulci (baixo + bateria + barulho)

12- Why do lemons exist? (slowcore + doom + post rock + frozen heart drummer)

13-Blueberry Babies (girlgazers e um pouco da poesia francesa do lueba)

14-Marcos Cajueiro (ambient/minimalismo fantastico - música popular arapiraquense)

15-she are (Retrospace beat)

16-Gangue do beijo rude jazz orquestra (nu-jazz/eletronica)

17-Loucos por Lanches* (Power trio neo grunge)

*nome provisório

(BJ) Vamos às lembranças... Com que idade mais ou menos você começou a fazer um som? Qual instrumento veio primeiro na sua formação como músico?


(MC) Quando criança eu era mais ligado em ler... Mas sempre tive uma vibe com música. Essa banda aê “Anjos Rebeldes” era um grupo vocal que eu tnha com meus primos quando era pivete, uma coisa meio Sandy & Junior, antes de tocar qualquer instrumento. Ganhei meu primeiro violão com 14 anos. Comecei por aê..


(BJ) Como foi o período em que a Super Amarelo esteve ativa? (n. do e: Super Amarelo foi uma banda formada por Marcos, Rodolfo Lima (que hoje canta na Dad Fucked and the Mad Skunks e toca bateria na Baztian), Gabriel Duarte (que se mudou para São Paulo) e Nina Magalhães (hoje arquiteta e parte do Coletivo Popfuzz) e que teve um relativo sucesso junto ao público indie alagoano)


(MC) Foi muito especial. Pena que éramos muito imaturos. Na época não fazia idéia do quanto a banda viria a ser importante pra mim. Foi lá que eu comecei a fazer a música que eu faço hoje, em todos os aspectos. Ter estado lado a lado com os dois compositores que eu mais admiro (Rodolfo Lima e Gabriel Duarte) foi muito foda. Lá eu fui meio que nivelado por cima, fazia uma musica e já pensava: “Será que o gabriel vai gostar?” “será que o Rodolfo faria assim?” Se tivéssemos focado um pouco mais teríamos um bom álbum hoje, VOLTA GABRIEL!!! POR FAVOR!!! =//


(BJ) Que banda você acha que teve maior influência sobre seu modo de tocar?


(MC) SUPER AMARELO =P - mas todas acrescentaram alguma coisa no que eu faço hoje.


(BJ) Mais ou menos em que época começou a sua aproximação com a música eletrônica?


(MC) Foi na época da Super Amarelo. Com a carência de organização das bandas da Popfuzz para gravar, cada um começou a fazer projetos paralelos que, pela praticidade, acabavam sendo lo-fi ou eletrônicos (culpa da escassez de bateristas). É engraçado isso porque quase tudo que tem lançado hoje no catálogo da Popfuzz nasceu disso. O meu projeto foi a My Midi Valentine.


(BJ) Muita coisa das bases da Neon Night Riders nasceram na sua casa, enquanto você e o Bruno Ribeiro passavam as tardes criando. Queria que você me contasse um pouco dessa época.


(MC) Eu conheci o Coquinha (Bruno Ribeiro) na faculdade de arquitetura da UFAL (ele já era repetente quando eu entrei). Na época eu tava gravando o primeiro EP da My MIDI e ele tava gravando uma banda q ele teve antes da Neon. Eu dividia um apartamento com o grande Emilio Lima. Teve uma época em que eu e o Bruno resolvemos largar a faculdade e se dedicar somente ás bandas. Ele tava sem pc em casa daê a gente se comprometeu a todos os dias começar as 8 da manha lá no apartamento. A gente passava o dia tomando café, eu tentei começar a fumar (não consegui), estudando os softwares e produzindo, ele as coisas da neon e eu os meus projetos. Lembro o dia em que a gente tava lá na sala e o celular dele tocou, era uma garota que tava em nova york. A She Are nasceu num dia desses, o nome da Neon tbm. A gente também gravou muita besteira aehuaheuahueu. Meu sonho eh um dia lançar tudo! COME BACK FROM SAN FRANCISCO COQUINHA!!!! PRFVR!!!!


(BJ) Dá pra notar que você curte muito videogames. Como você conheceu o som 8 bit, quais bandas você curte nesse som?


(MC) Quando eu comecei a My MIDI eu não conhecia músicas 8 bit. A minha ideia era que se misturasse uma musica do Belle and Sebastian com sons de video games e aí ficaria show. Daê comecei a fazer umas coisas com o Nando Magalhães (hoje ele é o DON GIZMO king of the sadcore dark ambient mas já foi um cara 8 bit). A gente gravou 3 musicas em 2006 ( 3 songs to MIDInight) , ele saiu e eu continuei. Conheci o movimento 8 bit e comecei a incorporar, depois o Tales Maia entrou e a gente começou a deixar a coisa mais orgânica.


(BJ)Sobre teu lance de ambient... O que te fez mexer com isso?


(MC) (É incrível como o cara pergunta uma linha e eu tenho q responder 10)

WILLIAM BASINSKI I!!! A minha formaçao foi bem Pink Floyd (os caras dizem que é porque sou do interior). Daê já tinha essa disposiçao para texturas, barulho, e musica abstrata mas nunca tinha tido contato direto até ouvir o BASINSKI. O desintegretion loops mudou minha vida. Quase todo mundo tem reservas e preguiça para ouvir qualquer coisa que fuja do conceito de musica ocidental que surgiu a partir do século 20, principalmente quando se afasta da musica pop, mas isso é tudo culpa da musica pop, uma culpa positiva. Se vc ouvir Tim Hecker - Song of the Highwire Shrimper , é uma das musicas mais lindas do mundo mas você tem que entender que o conceito dela é abstrato, ela não vai te dizer o que sentir, no máximo vai sugerir, mas daí se você leva um pé na bunda nada se compara a ouvir Pretty Pathetic do Smoking Popes e assim a musica pop é inevitavelmente culpada, maravilhosamente culpada.


(BJ) Sobre a She Are. É uma banda de instrumental eletrônico mas com uma orientação que depende muito da guitarra, de onde nasceu essa vibe?


(MC) Psy trance. Há alguns anos um primo me mostrou Skazi, Tiesto, Astrix, Infected Mushrooms. Achei foda. As construções extremamente detalhadas, o peso, o processo hipnótico. Comecei a estuda. Tentei aproximar isso do que eu já fazia com a my MIDI, numa estrutura pop, mantendo o kick + bass em contratempo, um pouco de retro space, VIBE, trip hop e usar a guitarra de forma rockão-bad-ass-cliche. Acho que essa vibe da guitarra no psy é para os frito fazer air guitar. É massa!


(BJ) O Tales Maia é um grande parceiro seu na música. Como surgiu essa amizade e como vocês compartilham suas influências?


(MC) O Tales é um grande arapiraquense (ele zerou o Counter Strike com 160%). Eu morava em Maceió e em 2009 voltei a morar em Arapiraca. Começamos a produzir juntos, ele passou a tocar comigo na my MIDI e passou a influenciar no caráter mais orgánico e whiskiquico da banda. Depois do show do Prodigy aqui em Arapiraca*, a gente começou a tocar com a She Are e agora ele faz parte da nata indie da sociedade paulistana. VOLTA TALES!!!!

*informação não confirmada pelo entrevistador


(BJ) Você grava tudo em casa? Como funciona o processo de gravação?


(MC) É. As vezes que fui no estúdio nunca deu certo =/. Meio que faltam produtores aqui, que não cobrem por tempo e sim por resultado. Começamos esse processo na Popfuzz com a my MIDI e a Neon, depois disso tudo que tem no catálogo da Popfuzz até agora foi gravado em casa. Reinando e aprendendo. Aprendendo e Reinando. “REInando” hauehuaehaeh sacou? Kkkkkkkkkkkkk


(BJ) Qual a importância de ser de Arapiraca e, mais ainda, de morar em Arapiraca para seu processo de gravação?


(MC) Juro que quando li pensei q tava assim: “Qual a importância de ser de Arapiraca, a mais linda,...” Daí você já vê como é. Eu e a maioria dos meus amigos de Arapiraca tvemos que ir morar em Maceió para fazer faculdade daí isso deixou a gente com essa vibe de Gonçalves Dias. Pra o processo de gravaçao, composiçao, ensaio... aqui é sempre melhor, mais prático, todo mundo mora perto, ensaia em casa... Tô tentando fazer uns projetos com referências às memórias da cultura urbana de Arapiraca na decada de 90. Um deles se chama Gangue do Beijo Rude Jazz Orquestra. Gangue do Beijo (ou Galera do Beijo) era uma rapaziada barra pesada que assombrava a terra do ASA na época que eu fazia primário.


(BJ) Pra 2011: quais projetos você tem pra esse ano? Continuação do que você já faz ou tem coisas novas surgindo ae?


(MC) Meu sonho era gravar tudo que eu comecei e não terminei. Dar um reset na cabeça e começar a compor de novo. Quero lançar um album full da my MIDI, um da She Are, mais coisas como marcos cajueiro, um monte de música véia, e de novidades: o da Gangue do Beijo e o da Blueberry Babies, e tô numa banda nova: um POWER TRIO NEO-GRUNGE que tem o nome provisório de Loucos por Lanches.


Para conhecer mais dos projetos do Marcos Cajueiro é só acessar:








E das outras bandas citadas na entrevista:




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12 comentários

  1. >sensacionalqueria aproveitar a oportunidade pra confirmar o lendário show do prodigy em arapiraca, um divisor de águas

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  2. >Muito foda a entrevista! Parabéns galera!

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  3. >Galera do Beijo é tradição.e o show do Prodigy em Arapiraca foi lendário.

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  4. >Ate eu fui pra esse show do Prodigy, tava num Ereb na Ufal na epoca, foi lindo, melhor do que o Skol Beats (que tambem fui), soy fã!

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  5. >e por flar nissssooconfesso, fuio abusado qnd era criança. Eu tina 10 anos e o MArcos 18 vdd absoluta... Vcs acham facil...eu fugi pra sao paulo pq n aguentava mais tantoa ubuso.flwwwww

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  6. >gnnttt, n bbbaaa famalll

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  7. >essa gangue do beijo deve ser antiga, viu? hahaha

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  8. >Mal gente. Tava trabalhando no whisky...

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  9. Rodolfo Lima Ara&uac29 de abril de 2011 08:46

    >Fiquei emocionado com essa entrevista umas quatro vezes. Juro que é uma das melhores entrevistas que já li!

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  10. >=D ducaralho mermo a entrevista rodo, o show do prodigy foi foda, lembro da gente relembrando ele na casa do tales com akelas luzes, o som topado e o marcos dando pirueta pra trás e correndo ao redor da casa. Vou baixar o basinski, tim hecker e smoking popes, sempre fiquei de baixar, essa é a hora. Massa ter participado de 2 projetos desses ai com o marcos. Tem que rolar plit esse ano!

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  11. >Muito gostosa a entrevista! =)

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