Dylan 70 Anos: Forever Young (2011)...

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Então, amanha o mestre do folk rock Bob Dylan completara 70 anos de vida em plena atividade. Ja por esse motivo esta poderia ser uma semana especial para quem curte o musico, porém a festa começou ainda ontem quando anunciaram que Dylan fará show no Brasil este ano, dentro do Festival SWU (não fui eu quem disse não, li aqui). Convidamos então, dois DylanFreaks com a missão de nos contemplarem com arte e setlist desta coleta especial de aniversário. O paraibano Matteo Ciacchi assumiu a missão de fazer uma arte para nossa coleta especial (esta que voce vê acima). O mesmo curte rabiscar desde sempre e voce pode conferir alguns outros trabalhos dele, indo ate este Flickr. O outro é uma das figuras mais dementes e engraçadas que conheço no mundo virtual (leia um pouco da demencia dele neste blog), além de ser um grande viciado no mestre Bob Dylan. O paulista Rafael Zanatto assumiu a missão de desenvolver um setlists especial que resultou em 16 músicas espalhadas por parte da historia do aniversariante.





Segue então o texto do Fafa tentando justificar de maneira plausível a entrada nesta roubada de fazer uma coletanea com um músico que tem mais de 40 anos de carreira. Logicamente faixas ficaram de fora, mas a lista contempla bem e serve como porta de entrada, caso alguem não conheça a obra do mestre. Por isso, divulgue, repasse e esquente para o show do mestre por aqui, no segundo semestre.

"Quando o pessoal me pediu que eu fizesse uma coletânea do Bob Dylan, eu entendi errado e fiz um top 10. E não foi nada fácil. Numa primeira passada, juntei minhas 50 músicas favoritas (não era minha intenção, a lista saiu de controle mesmo). Depois, fui depurando cada vez mais, vendo quais realmente não poderiam ficar de fora. Então decidi abrir mais espaço, colocando “Like a Rolling Stone” e “Blowin’ in the Wind” como hour concours (puta migué). Na verdade, eu tirei “Blowin’” porque eu realmente me cago pra essa música. Tudo bem, o Suplicy gosta, e todo mundo gosta do Suplicy, especialmente quando ele inventa de cantar.

Tudo bem é uma música legal, muito bonita, a mais conhecida da primeira fase do Bob Dylan, a fase de bom moço, Rei do Folk, finger-pointing songs. Mas não é nem na primeira fase que começa a coletânea. Ela começa antes ainda, com gravações do primeiro disco, “Bob Dylan”, de 1962. “Baby, Let me Follow You Down” é uma das várias canções tradicionais que Dylan regravou pro seu álbum de estréia. Uma das várias, mas a melhor. Aqui vemos que a ordem cronológica não foi obedecida, pois a primeira faixa é “Sally Gal”, um outtake do “The Freewheelin’ Bob Dylan”, de 63. Achei melhor começar com essa faixa desconhecida (só foi lançada, na verdade, na trilha sonora do documentário “No Direction Home”, do Scorsese, em 2005), porque... Porra, porque ela é boa demais! Já ouviram? São dois minutos e 38 segundos de pura loucura em violão e gaita.

A primeira fase de Bob Dylan acaba com “Bringing It All Back Home”, de 65. Nesse álbum, seu quarto de estúdio, Dylan goes electric, o que deixa muita gente puta. É a parte da Cate Blanchett, no filme “I’m not there” (2007). Apesar de marcar um turning point, as duas músicas que escolhi desse álbum são acústicas, à moda antiga: “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)” e “It’s All Over Now, Baby Blue”. Enquanto a primeira é praticamente uma coleção de aforismos, genial, a última é possivelmente o maior “Kiss off” da música. Para mais referências cinematográficas, “It’s Alright, Ma” faz parte da trilha sonora do “Easy Rider” (69), mas em uma versão de Roger McGuinn (também muito boa). Já “It’s All Over Now” foi registrada por D.A. Pennebaker no filme “Dont Look Back” (67). Sensacional.

Seguindo nas faixas, aí entramos na parte realmente rock n’ roll do Bob Dylan, com músicas dos discos “Highway 61 Revisited” (65) e “Blonde on Blonde” (66). Vocês percebem que ainda faltava um ano pros Beatles lançarem o “Sgt. Pepper’s”, hein. Em 1966 Bob Dylan quase se matou num acidente de moto, e aí sua carreira deu outra guinada. Uma pegada mais leve, incluí “If Not For You”, do “New Morning” (70), absolutamente genial. George Harrison mais tarde fez uma versão dessa música, mas que não chega aos pés da original. Sinto muito, George, eu gosto de você, mas não ficou tão boa assim. Em seguida, a pérola da coletânea: “Forever Young (Continued)”. Minha versão favorita da música, em vez daquele clima “pais e filhos”, tem a pegada mais rock raiz, que é o tom de todo o álbum, o “Planet Waves”, de 74.

Já pras saideiras, voltamos a ignorar a ordem cronológica. A antepenúltima é uma versão ao vivo de “Tonight I’ll be Staying Here With You”, música lançada originalmente no “Nashville Skyline” (69). A presente versão vem do bootleg “The Rolling Thunder Revue”, que é o registro da turnê de 1975 de Bob Dylan. Todo o álbum é sensacional. Para guardar o melhor pro final, a versão original de “You’re Gonna Make me Lonesome When You Go”, do “Blood on the Tracks” (75), que é, pra mim, o melhor álbum do Dylan. Aqui ele atinge o equilíbrio entre a melancolia e a alegria, em tantas músicas geniais que não couberam na coletânea (nem faria sentido encher de “Blood on the Tracks”, né, por favor, se liga).

A derradeira: a versão ao vivo de “Tangled up in Blue”. A original também é do “Blood on the Tracks”, e essa versão ao vivo também vem do “Rolling Thunder Revue”. No Youtube dá pra encontrar o vídeo dessa performance. É o ponto alto do Zimmerman. Tudo perfeito: violão, gaita, a voz rouca, a maquiagem, o chapelão, a narrativa sofisticada, os obstinados olhos azuis. Pra quem gosta de perder tempo perscrutando músicas, essa é um prato cheio."

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