Mesmo com areia sobre a máquina, o som parece continuar alto

por - 15:17



Ano passado o Sobre a Máquina surgiu, no meio de vários outros álbuns, porém acabou se destacando de uma maneira muito positiva, entrando em diversas listas de melhores do ano, em blogs que falam sobre música alternativa/experimental/independente, conseguindo um destaque também em sites gringos, por conta de seu EP de estreia, Decompor. Quarta-feira saiu via Sinewave (netlabel) o novo disco dos cariocas, chamado Areia. O som Barca já era conhecido dos fãs, por ter sido lançado como single há alguns meses, porém, três novas faixas foram colocadas juntas a ela para a formação desse novo álbum.

A primeira música Língua Negra é tenebrosa, alguns gritos de fundo, uns ruídos, uma base que poderia servir para algum filme daqueles macabros, sobre crianças suicidas. Além disso, várias experimentações são feitas ao longo da faixa, momentos simples, com apenas os sintetizadores e os ruídos, outros com a união de vários elementos usados na faixa e algumas vozes colocadas em momentos corretos de Língua Negra, a torna uma ótima música para mostrar ao ouvinte do que se trata o novo trabalho, de deixa-lo, sabendo que, se o Decompor era para sangrar o ouvido e não digerir na primeira ouvida, este também não será, apesar de estar mais tranquilo para quem não acompanha alguns tipos de som, como noise e etc.



Sobre a Máquina - Língua Negra

Barca
, que foi lançada como single, inicia-se com barulhos, um piano e ruídos, logo após uma breve introdução, uma base é colocada, de maneira meia trip-hop e os sons começam a surgir: uma guitarra sendo tocada no canal direito, no esquerdo, alguém batendo em uma lata sem parar, e outra pessoa tomando conta dos sintetizadores, adicionando mais ruído em certos momentos e tornando-a densa com o passar do tempo. O que se nota, ao passar do tempo, é que a tendência da faixa e do disco, é que a cada música, a cada minuto, tudo se torne mais intenso e ruidoso – e não, isso não é um problema.

Após sossegar um pouco com Barca – sim, é o que se pode dizer da segunda música a julgar pelo conteúdo do disco e vocês saberão do que estou dizendo –, Foz é quem da continuidade ao Areia, mais pesada que as outras duas faixas anteriores, com 7 minutos e oito segundos de duração, não traz o ouvinte para perto, digo, não prepara o ouvido dele para a pedrada que estar por vir, uma base eletrônica e barulho até não acabar mais, além de um saxofone jazzístico tocado por Alexander Zhemchuzhnikov. Depois de aproximadamente 4 minutos, as coisas se acalmam um pouco, mas bem pouco mesmo, pois pouco tempo adiante, a faixa se tornará um cenário de experimentações, tanto de guitarra, quanto do saxofone e principalmente dos sintetizadores.


A julgar pelo começo, Garça parece tão calma, tão tranquila que podem chegar até a pensar: “nossa, o álbum foi pedrada e agora tá dando adeus no maior tom Nick Cave em um dia nublado”. Por favor, prometam que não pensarão isso, o saxofone seguindo uma linha de free jazz, a base calma, a guitarra arranhando mas não de maneira Merzbow, parece que é só uma máscara para o que se trata de verdade essa faixa: o encerramento barulhento e áspero do segundo trabalho do Sobre a Máquina, com direito a só um barulho de leve e o saxofone estourando no fim.

Areia, o segundo trabalho do grupo experimental do Rio de Janeiro, é mais fácil de ouvir do que o primeiro sim, mas não abandona de maneira alguma o som áspero, os barulhos de metalúrgica, ou os sintetizadores altos que marcaram o primeiro registro, Decompor, pelo contrário, se for necessário fazer uma comparação – o que odeio fazer, confesso -, não é insensato dizer que o que ocorreu foi uma evolução, uma maturidade que faz bem e que mostra a dedicação dos membros em relação ao projeto. Vale a escuta sem dúvidas e me atrevo a dizer que, como no ano passado, o Sobre a Máquina vai abocanhar um monte de listas de melhores de 2011 com o Areia.

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