"O que eu leio e o que eu faço - Beto Cupertino"

por - 18:11




“E a gente parecia criança vendo comercial de papelaria anunciar o fim das férias”. Esse trecho, de onde você acha que ele é? Podia muito bem fazer parte de um livro, não é? Mas é da canção “Comercial de Papelaria” da banda goiana Violins.

E o responsável pela letra é o vocalista, compositor e guitarrista Beto Cupertino, que há dez anos vem firmando a banda como um importante exemplo de sobrevivência no cenário independente nacional. Inicialmente chamada Violins and Old Books e com letras em inglês a banda mudou de nome para simplesmente Violins e lançou, pela Monstro Discos o elogiado disco “Aurora Prisma”, em 2003. São cinco discos lançados desde então, o último lançado em 2011, com o título “Direito de Ser Nada”.

Na entrevista que vocês vão ver a seguir Beto Cupertino respondeu por email a algumas perguntas sobre o quanto a literatura é importante na sua vida e se há uma relação entre o que ele lê e o teor das suas canções. Lá vai:



(Bruno Jaborandy) Quando foi teu primeiro contato com a literatura? Quem te influenciou a ler?


(Beto Cupertino) Não sei indicar qual meu primeiro contato com a literatura, mas foi muito cedo, ainda criança. Na adolescência convivi com um amigo que lia muito e me indicou muitos bons livros. Não tive essa influência de professor ou escola.


(BJ)A escolha da sua profissão foi influenciada pelos livros que você leu?


(BC)Creio que sim. Em certo momento, como fui professor de filosofia na PUC-GO, essa relação foi bem direta.



(BJ) Antes de ser compositor você chegou a escrever poemas?



(BC)Escrevia algumas bobagens quando menino e adolescente. Depois nunca mais escrevi poemas, não gosto muito do formato, na verdade. Sou mais um leitor de prosas.







(BJ) Algum poeta é referência para as letras das suas músicas?



(BC) Acho que justamente por não gostar do formato poesia, nunca tive um poeta favorito, nunca fui um profundo conhecedor de poesias e poetas.



(BJ) No começo a banda era chamada “Violins and Old Books”. Essa imagem, do jovem que curte livros antigos, fez realmente parte da sua vida?



(BC) Olha, de certa forma, sim. Sempre fui muito ligado a livros desde pequeno. Não é um universo estranho pra mim.



 








(BJ) As letras da banda tem um vocabulário bastante poético, porém contam histórias de uma ótima maneira. Você já chegou a se aventurar no texto em prosa?



(BC)Tenho alguns projetos em andamento nesse sentido. Um livro em fase final de confecção. Vamos ver se consigo publicar em algum lugar.



(BJ) Você sente que a música pode ser uma maneira de influenciar o jovem a ler? Qual livro sobre música você leu e achou legal?



(BC)Acho muito difícil uma música influenciar alguém a ler, é uma relação mais precária. Eu acho que nunca fui motivado a ler por uma música. Não sei se é uma ligação fácil de ser feita. Eu particularmente nunca li um livro sobre música. Me dei conta disso agora.










(BJ) Quais os seus livros favoritos?



(BC) Livros que foram marcos na minha vida são alguns:

O Estrangeiro – Albert Camus;

A Montanha Mágica – Thomas Mann;

Auto-de-fé – Elias Canetti;

Antes de Nascer o Mundo – Mia Couto

Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez





fotos por: Flávio Valle, Liliane Callegari e Junia Mortimer


 

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