"O que eu leio e o que eu faço - Carlos Dias"

por - 12:08



Ele é de Porto Alegre, morou 20 anos em São Paulo capital e hoje habita em Florianópolis, Santa Catarina. Carlos Dias fez parte de uma banda que ultrapassou os limites do hardcore, onde teve grande sucesso, e agradou pessoas que curtem mais as bandas do confuso gênero do indie rock. Polaraé unanimidade entre muitos grupos, inclusive entre os meus amigos, o que me encheu de ‘ansiedade e felicidade espontânea’, com direito a aqueles assoviozinhos do começo da música, quando perguntei ao cara se ele topava participar de “O que eu leio e o que eu faço”. Super gente boa ele topou participar na hora e falar um pouco sobre o que faz a cabeça do músico e artista plástico Carlos Dias.Além do Polara, ele tocou também na banda Againe e no projeto eletrônico Caxabaxa, e hoje adotou o pseudônimo de Albertinho dos Reys, lançando discos tanto solo como em dupla, o Walter e Reys. Seus desenhos bem típicos hoje fazem parte de quadros, que já saíram inclusive em revistas de decoração, duas dessas vezes foi dado o crédito a outra pessoa, e chegaram a rolar na MTV, naquela vinheta 1000 desenhos. As capas dos CDs do Polara são obras dele, assim como a do disco ‘Felicidade Espontânea’ do CPM 22, uma banda que gravou algumas músicas que ele fez em parceria.Veja agora a entrevista que fiz por email, e com muito orgulho! Enjoy!




(Bruno Jaborandy) Uma pergunta que ainda não fiz: qual o livro infantil que te vem à memória quando você lembra da infância?


(Carlos Dias) O Menino no Espelho, de Fernando Sabino. Tem também alguns outros: A Casa das 4 Luas, de Josué Guimarães, e O Misterio do 5 estrelas do Marcos Rey.


(BJ) Por também trabalhar com pintura e tal, qual a influência que os livros e os quadrinhos tiveram no teu trabalho nas chamadas "artes plásticas" ?


(CD) Batman, na tv, uns quadrinhos, Homem Aranha influenciaram bastante... Superamigos, Marge, Mauricio de Sousa, são presentes ate hoje. Os livros, preciso pensar melhor nessa pergunta hahahaha, não sei agora, mas acredito que todos que citei acima fazem parte. Odiava aquela obrigação escolar de ler livros qeu acabava por pegar só o resumo, sempre curti muito enciclopédias na verdade, e afins.





(BJ) Qual foi o primeiro livro que você leu e que te abriu a cabeça para coisas que você não costumava pensar?


(CD) 1984, do George Orwell, foi um livro foda. Saí zonzo das duas vezes que li. Faz tempo.


(BJ) Você me falou que lia livros mas com muitos hábitos de internet, queria que você contasse um pouco sobre isso.


Na velocidade que lemos, muitas vezes leio algo com vários livros perto e faço o link na hora. Na medida que, na net, às vezes perdemos o foco, era meio disso que eu falava, e também da vontade de fazer uma leitura dinâmica, sem vocalizar as palvaras na cabeca, como nos foi ensinado, entendendo o sentido da coisa, ou de grupos de palavras, mas nem sei se sou capaz disso, hahah. É que por mim gostaria de ouvir umas 7 músicas ao mesmo tempo e ler e conversar mais umas sete coisas tambem , por isso o jeito da net aguçou a ansiedade de ler e de ter livros fisicos, acho.





(BJ) Teve algum livro sobre música que te influenciou na tua trajetória com o Polara ou com tuas outras bandas?


(CD) Cara, acho que não. Nessa epoca eu tava mais interessado em fazer a parada, na real deve ter mas não lembro assim nada além do O que é Punk, do Antônio Bivar ou algo assim. Acho que os livros do John Fante influenciaram bastante o Againe e o Polara tambem.. mas não são livros musicais, né?





(BJ) Se tu fosse chamado pra escrever a trilha sonora de uma adaptação de livro para o cinema, qual livro seria?


Bah, acho que preferia ser escolhido pra isso. Não sei cara... Acho que gostaria de fazer isso sim se fosse escolhido ia curtir, mas faço trilhas pra filmes, trabalho junto com a Avalanche uma produtora de filmes independentes de Porto Alegre. Fizemos um filme agora: A Mão Do Homem Morto. As músicas são minhas e do Matheus Walter, que também tem a dupla comigo: Walter e Reys.



(BJ) Falando nisso qual foi a melhor adaptação de livro para filme que tu achou?


(CD) Em geral prefiro o livro. O poder do Mito, do Campbell, a adaptação ficou meio chata. O 1984 não representa o livro. O grande problema é ler o livro antes, é sempre mais misterioso e particular.


(BJ ) O vão do Masp de tarde é um bom lugar para ler um livro?


Cara, acho que sim. Quando se mora em São Paulo, é um lugar gostoso aonde podemos jogar os problemas pra Nove de Julho como se fosse o mar.

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