Saludos! Daniel Nunes (Constantina, Lise) fala sobre a cena experimental brasileira

por - 15:18



Lembra daquela entrevista com o Cadu Tenorio do Sobre a Máquina, que fiz para um trabalho da faculdade? Acabei fazendo algumas perguntas para o Daniel Nunes (Lise, Constantina) e apesar de ter o mesmo foco da outra, acabou rolando perguntas sobre a Constantina. Em tempos de lançamento de trabalho novo do cara, Qualquer Frágil Fio de Fantasia, é bom ver o que ele pensa sobre determinadas coisas, não? Então da uma olhada aí, Daniel falando sobre a cena experimental/instrumental e a visão da gringa em relação a nossa música.

1-) Primeiramente, como rolou o convite para vocês tocarem lá fora?


O convite para tocar no SXSW aconteceu através de uma submission (inscrição) que fizemos através de uma rede social chamada Sonicbids . Este rede concentra grande parte das inscrições para festivais internacionais. Nos inscrevemos após a assinatura anual da rede. Passado o prazo das inscrições, os perfis são analisados e os artistas que se encaixam dentro da grade desejada daquele ano são convidados a ingressar na programação do Festival. Após a confirmação, vários trâmites burocráticos tem de agilizados para que a vaga não seja perdida. Acredito que os vistos sejam um dos maiores problemas que nós músicos brasileiros encontramos neste trajeto. Algumas de nossas experiências foram relatadas no blog do Projeto Pequenas Sessões. O primeiro post “Diário de bordo #01 . Belo Horizonte/Brasil . 11/03/2011” relata bem o caminho percorrido...

2-) Como foi se apresentar na gringa? O público, infraestrutura, satisfação pessoal...

Apresentar-se nos Estados Unidos foi algo muito bacana! Certamente um divisor de água em nossa carreira...Primeiramente o festival SXSW em si é um mega festival, um dos maiores de música independente do mundo. Isso é algo muito bacana, pois te coloca em planos bem nivelados, entende ? Você acaba se deparando com músicos que muitas vezes nunca pensou em ver...e o mais bacana...conversando com todos...este por exemplo foi um dos fatores que mais nos alegrou pela satisfação pessoal e profissional também...com o conceito e experiência do festival, acabamos criando um intercâmbio interessante de infos, materiais e vida! Já a experiência de trabalhar com pessoas REALMENTE qualificadas para isso, nos deu uma GIGANTE realização de um bom trabalho em solo norte americano. Sabíamos que tínhamos um bom trabalho artístico em mãos, e o grande receio era não encontramos técnicos que entendessem a proposta sonora da banda...o que nos surpreendeu de forma extremamente positiva! A sensibilidade auditiva e artística que possuem é algo fantástico! Mesmo! E sobre os equipamentos...muito bons, pelo fato de o acesso a estes recursos por lá serem muito baratos!


3-) Depois desses shows lá fora, da aquela vontade de voltar?

Com certeza! Acreditamos que a sonoridade e varias ideias do Constantina dialogam muito bem com a produção musical realizada por lá!





4-) Qual a opinião sua ou da banda a respeito da música experimental nacional estar crescendo? Fazendo shows lá fora, conseguindo se manter fora do grande circuito comercial.

Acredito que este seja um fato em ascendência em nosso país! Para mim o Hurtmold tem uma GRANDE e EXCELENTE “culpa” neste processo! Rsrs! A banda em apenas alguns anos conseguiu amplificar este tipo de produção musical de forma bem solidificada. Depois geralmente coloco esta “culpa” nos meninos do Macaco Bong! Rsrs!! Sedentos em “desbravar” este mundo, os rapazes já excursionaram quase que o Brasil inteiro e vários países da América Latina   e Canadá na América do Norte.  Com várias portas abertas por eles, isso tudo nos mostrou a possibilidade de uma possível carreira sustentável de trabalhos artísticos que não dependem de um “grande” circuito comercial...por serem que não partem do senso comum e chegam a lugares inusitados, estas grandes rodadas pelo mundo fez florescer uma certa curiosidade pelo estilo.



5-) Na sua opinião, qual o motivo da música nacional independente estar sendo valorizada na gringa?
Primeiramente acredito ser o ritmo! O ritmo é algo que eles adoram...Pude constatar isso na “pele”...rsrs!!! Segundo porque o Brasil está na “moda”...ascensão política...o país está sendo falado...citado por todos...e com este burburinho, começam surgir curiosidades...através das curiosidades surgem as pesquisas...e por aí vai! Mas o fator que acredito ser primordial para esta valorização é que nossa cadeia produtiva cultural está em ebulição! E cada dia estamos nos afirmando com um referencial em se produzir e pensar música no mundo! Vários modelos e formas de organizações da cadeia cultural estão sendo exportados...e isso só vem nos pontuar que estamos construindo algo sólido...positivo!








6-) E o novo disco, Haveno, tem alguma previsão para ser lançado inteiro?

Ahhhh....na verdade já era pra ter saído...rsrs! Mas os compromissos pré e pós viagem nos atarefou muito! Estamos nos organizando para colocá-lo em dia o quanto antes. Acredito que em Julho esteja pronto o disco em formato digital!

7-) Considerações finais, se quiser acrescentar mais alguma coisa...

Muchas Gracias pleo convite e espaço!


Saludos!


Daniel

Você também pode gostar

0 comentários