Sobre o Fim da Ecos Falsos

por - 12:10


De todas as bandas que eu vi tocar nos últimos anos, sobretudo entre todas as bandas que eu descobri que eu gostava mesmo de ouvir nesses últimos anos, a Ecos Falsos talvez tenha sido uma das mais fundamentais na formação do meu gosto. No meu e de muita gente que eu acabei influenciando e que curtiu sempre ouvir comigo. E de fato foi, e de fato é, pra quem tem banda, pra quem acredita na cena alternativa, pra quem acredita na música independente, a Ecos Falsos será sempre um ícone de resistência, de uma versatilidade quase inesgotável, de uma nova proposta na relação banda/público.

Porque até há um tempo atrás, a gente ainda resolvia as coisas pelo Orkut, de baixar discografias à problemas de familia, faziamos amigos e arranjavamos namoradas em tópicos de tema livre na comunidade da Ecos. E formávamos de fato, uma espécie de fã clube não declarado... (?). E o melhor é que sempre existiu muito alento da parte da banda, desde o insistente/adorável envio de spam, à passar um dia com os fãs, responder com bom humor a perguntas idiotíssimas em podcasts, em deixar a galera escolher as músicas que entrariam no EP e opinar na qualidade da gravação, em vender as camisas da banda num preço camarada... E é justamente esse tipo de relação interpessoal que fica registrada agora num momento desse, de decisão, de termino?

O resultado é , claro, evidente, gritante,triste: Só se veem relatos de fãs chateados pelos cantos e comentários nos tópicos dos blogs que noticiaram o fim. Relatos de gente lamentando e recordando algum momento bacana, algum show especial. E surgem novamente os questionamentos recorrentes, o ponto de reflexão induzido pelo término de um projeto tão bacana. O que é que deu errado? De que forma a banda se dispôs durante esses dez anos? O que faltou pra chegar lá? Mas onde é mesmo que eles queriam chegar?



Acho que até aqui já ficou evidente a quebra do discurso editorial, mas volto a reafirmar o quanto me preocupa a cena em geral, a Ecos não é a primeira banda independente que pendurou a chuteira nesses últimos tempos, e isso pesa cada vez mais. Não gosto de "ficar batendo em cachorro morto", mas enquanto o Restart grava filme, bandas realmente boas terminam...

Entretanto persistir no discurso saudosista não é a saída, existe sim uma nova safra de gente muito talentosa, fazendo muita coisa boa, mas existe também ainda mais, a necessidade de ampliar esse fluxo e democratizar o processo de afirmação dessas mesmas no meio. E pra não cair também nas discussões de ministério daqui ministério de lá, cito outra vez o trabalho de MILITÂNCIA que a Ecos Falsos fez. Sempre inovando nos clipes, bolando promoções e produtos novos pra ajudar a pagar a gasolina do carro que fazia o transporte até os shows.

Mas vem cá rapaz, então o roquenrou tá morrendo mesmo?

Os frutos que a Ecos colhe agora, são ecos mesmo, com o perdão do trocadilho, de algo que vem sendo feito com muito esmero desde o começo dos anos doismil, são novas trilhas pros integrantes que tem outros projetos, e um exemplo pra quem quer fazer por conta própria as coisas acontecerem, vide exemplo do Gabriel da banda Dorgas, que é membro "das antigas" da comunidade no Orkut.

De qualquer forma, está tudo aí, registrado, dois discos, alguns eps, muito spam, muitos B-sides, vídeos, shows, tópicos, fãs, e que venham outros verões, e que os "Quases" que perseguem a música independente não se tornem descartáveis. Longa vida aos Ecos Falsos, e que conste nos autos que pra quem não nunca ganhava nada, chegar até aqui foi sensacional.

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