"Em terra de 1D..."

por - 13:13



Venho pensando muito nisso ultimamente. Já faz algum tempo que nos deparamos com as maravilhas do novo século como videogames que substituem o controle pela perda do senso de ridículo, comidas congeladas e prensadas que tem gosto de papelão, internet banda larga democrática, por ser lenta pra todo mundo e a tecnologia 3D.

Aliás, meu primeiro contato com o 3D foi num café da manhã, quando comia sucrilhos. O brinde da embalagem eram óculos extremamente toscos feitos de plástico, que você colocava pra ver uma imagem tri-dimensional daquele tigre bombado viciado em cocaína. Sim, ele era viciado em cocaína. Já viu um comercial dele? Ele chega gritando “DESPERTE O TIGRE EM VOCÊ!” e joga basquete, vôlei, natação, escalada, futebol e isso tudo pela manhã. Se isso não é cocaína, eu não quero saber o que é.

Depois disso só fui ter contato com a tecnologia 3D novamente com Avatar. Não, não com o filme, mas com o sucesso que fez. Aliás, não sei como aquilo fez sucesso, mas enfim. Com toda essa coisa gráfica e a tecnologia envolvida, a história nem precisava ser tão boa. Conversando com um primo meu, cheguei a uma conclusão: Provavelmente nunca veremos uma superprodução do cinema com uma boa história, assim como nunca veremos uma boa história com uma produção milionária. Não que isso seja necessário, afinal, um bom roteiro se paga com o próprio roteiro, mas com essa onda, perco um pouco as esperanças de ver coisa boa vinda dos cinemas por aí. Já estou esperando com certo pesar mais um remake da bruxa de Blair ou algum filme dos Muppets. Ou até pior. Mais um “Jogos Mortais” ou um novo “Albergue”.

Bom, mas por outro lado, o cinema 3D não é e nem será a fase mais obscura do cinema. Não precisamos ir longe pra lembrar de filmes que nos fazem ter vergonha alheia, por serem inflamáveis de tão ruins. Afinal, quem não se lembra dos filmes da Xuxa? Ou quem não se lembra de “Eliana e o Segredo dos Golfinhos”, “Aquaria” - o filme de Sandy e Júnior – ou até mesmo os filmes do Didi em que ele, no auge de seus 60 anos, age e se veste como uma criança de 12 com sérios problemas de auto-estima? Por mais que as novas tecnologias transformem produções ruins e médias em sucessos de bilheteria, não acredito que tais produções escapem do ostracismo que caem os verdadeiros pedaços de bosta do cinema mundial.



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