"Sob efeito das luzes da cidade"

por - 20:48


Se você olhar muito rápido pra elas, há uma grande chance de você ficar enjoado. Ao menos eu sempre fico. Principalmente naqueles dias chuvosos, onde elas se misturam e ficam em todo o lugar, como se fizessem parte de uma pintura expressionista de um italiano morto. Nada contra esses pintores, mas eu acho que tudo que eles fazem se parece com luzes num dia chuvoso. Realmente, muito originais, não? Muito provavelmente sim.

E falando em dias chuvosos, até parece que as luzes ganham uma potência ainda maior nessas ocasiões. Aliás, muita coisa fica forte na chuva. Desde a sua raiva por estar preso no trânsito até a sua melancolia ao se lembrar de momentos bons que você teve em dias ensolarados. Acho que as luzes já faziam isso, mesmo sem chuva, mas como já disse, o efeito é ampliado. Dá vontade até de ouvir um jazz.

Por que será que a luz do sol não tem o mesmo efeito que a luz elétrica? Essa é uma pergunta bastante cretina, admito, mas é de impressionar que a força de uma bola de gases em combustão não cause tanto impacto na mente das pessoas. A luz do sol não provoca nos corações mais boêmios a constante sensação de prazer que lhes toma o ser e os faz apaixonar pela arte de vagabundear por aí. Ou talvez até faça, mas de uma maneira mais branda.

Das vezes que me peguei olhando para elas, me senti até hipnotizado. São muitas, são coloridas, são piscantes e algumas são de neon de mulher pelada. Acho que elas foram feitas pra ser como são. Convidativas. Mesmo que as vezes me enjoem, é como se elas tivessem uma função que vai muito mais além de simplesmente iluminar, convidar ou anunciar alguma atração burlesca. Talvez seja algo mais profundo que isso. Algo que até mesmo meu eu mais lírico ainda não conseguiu decifrar na forma de verso adocicado e adolescente. Provavelmente é isso que faz tudo isso ser tão bonito de se ver e que dá aquele toque de classe aos centros urbanos e ao motivo pelos quais tantos os amam.

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