O documentário "Pacific" estréia nos cinemas como primeira etapa de seu processo de distribuição...

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O documentário Pacific é todo construído a partir de imagens de passageiros de um cruzeiro que tem como destino uma das mais belas paisagens brasileiras, o arquipélago de Fernando de Noronha. São sete dias de viagem registrados pelas lentes de turistas que filmam tudo, a todo instante. Ao lançar seu olhar sobre o olhar dos personagens, o filme se revela um ensaio sobre a produção de imagens na contemporaneidade e suas implicações políticas, além de lançar luz para uma reflexão sobre a sociedade brasileira, a partir de um grupo social pouco visto e longe dos estereótipos comumente observados em documentários.

A ideia de Pacific surgiu como uma inquietação com o que estava se tornando uma espécie de fetiche do cinema documentário (sobretudo o brasileiro): a recorrente e insistente representação das classes populares como o grande “outro” a ser conhecido ética e esteticamente. Mas, para além dessa insatisfação com as “representações de classe” no documentário brasileiro, o grande desafio estético do filme foi abdicar de procedimentos comuns às práticas documentais (como as entrevistas) e, sobretudo, de qualquer tipo de filmagem planejada pelo diretor e sua equipe: o filme foi montado com as imagens produzidas de forma amadora pelos próprios passageiros do cruzeiro para consumo pessoal.


Os personagens de Pacific não se expressam, assim, apenas através da fala, respondendo a perguntas: eles se mostram na imagem através de uma mise-en-scène própria. As imagens foram coletadas ao longo de quatro viagens do cruzeiro Pacific, através de um mapeamento e observação dos passageiros feita pela equipe de produção. Pacific acaba transcendendo o mero comentário sobre uma classe para se transformar numa reflexão cinematográfica sobre a própria imagem e seus rumos. A montagem é também uma instância cinematográfica crucial na qual Pacific se constrói, tornando visíveis relações que antes não o eram, fazendo conexões e abrindo sensibilidades às quais aquelas entrevistas tradicionais dificilmente dariam acesso.

A direção do documentário ficou por conta do cineasta pernambucano Marcelo Pedroso, ele é graduado em Jornalismo pela UFPE e membro da produtora pernambucana de cinema Símio Filmes. Depois de experiências com curtas-metragens, Pedroso dirigiu, em parceria com Gabriel Mascaro, o longa KFZ-1348 (prêmio do júri na 32a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo). Pacific é seu segundo longa-metragem, eleito melhor filme na 9ª Mostra do Filme Livre, no 4º Panorama Coisa de Cinema de Salvador e no 13º CineEsquemaNovo.







Pacific
estreia nos cinemas de 14 cidades brasileiras através do projeto Sessão Vitrine, criado pela Vitrine Filmes. No Recife, a estreia ocorre no dia 19 de agosto (hoje) no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco. No dia 26, o filme entra em cartaz nas cidades do Rio de Janeiro, Salvador, Vitória, Curitiba e Porto Alegre e no dia 30, em Brasília. No dia 2 de setembro, em São Paulo e João Pessoa. No dia 16 de setembro, em São Luís. Em Maceió, a estreia ocorrerá no dia 31 de outubro. E entre setembro e outubro, Pacific ainda entrará em cartaz em Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Campo Grande, Belém e Florianópolis. Só ficar ligado pra não perder esse belo filme.

A maioria das salas de cinema no Brasil, hoje, é pautada por um interesse estritamente mercadológico e pressupõe um tipo de espectador interessado apenas no entretenimento espetacular das grandes produções internacionais ou em derivados televisivos da mídia nacional hegemônica. O projeto Sessão Vitrine, nesse contexto, tem a proposta de levar a um público mais amplo um cinema brasileiro ao qual ele normalmente não teria acesso: filmes que tem se destacado no circuito de importantes festivais nacionais e que buscam refletir a realidade do país através de um trabalho estético e afetivo mais sofisticado, não restrito pela necessidade do lucro. O objetivo seria, então, trilhar caminhos para a consolidação de um mercado de cinema independente no Brasil.

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