"E os filhos do estresse paulistano"

por - 21:06



Eu moro em São Paulo desde que nasci. Não sei dizer se sou uma pessoa que se irrita fácil com as coisas. Digo isso porque não tenho gastrite, úlcera, prisão de ventre ou aquela veia roxa na testa que pula a cada batimento cardíaco. Ah, sim! Quase me esqueci da pressa contínua, dos hábitos alimentares reduzidos a gordura e óleo de motor de carro e, por fim, da raiva sem motivo aparente. É, até parece que eu nem sou paulista...

Eu sei que só parece um estereótipo pesado vindo de alguma série produzida por um carioca, mas até que ele tem certo fundo de verdade. A Av. Paulista ao meio dia numa segunda feira é a prova disso. Um verdadeiro inferno, cheio de advogados, contadores, analistas financeiros, gerentes de banco e almas penadas que ganham mais de quatro salários mínimos e plano odontológico. Todos andando sem rumo, lentamente, falando alto e reclamando de suas vidas quase perfeitas. Até parece um filme do Keanu Reeves, mas não é. Aliás, é bem pior, acredite.

Pensando bem, é difícil escapar do estresse. Olhando no dicionário, estresse se refere a qualquer agressão física, biológica ou psíquica aos sistemas do corpo. Quer dizer, isso reduz bastante nossas chances, não? De qualquer maneira, sabemos que existem níveis de estresse dentro de uma escala de estresse. Mas em alguns casos, isso fica ridículo! As pessoas têm alcançado níveis de fusão mental. Como esses dias, quando estava num ponto de ônibus. Um playboy bateu na traseira de outro carro, desceu e começou a reclamar aleatoriamente com o outro motorista. Não me lembro da conversa na íntegra, mas ele não parava de falar dos problemas pessoais, que antecediam a batida de carro. Estranho, não?

Bom, é verdade que essa tem sido uma constante muito mais presente nas vidas dos moradores ou frequentadores dos centros urbanos. E igualmente verdade é que estamos fadados a lidar com tais transtornos. Mas acho que o que pode não ser tão verdade assim é o modo que permitimos que o estresse tome conta. Em todo caso, para todo e qualquer surto, ficarei feliz em cobrar-lhes por ajuda psicológica, como nosso bom amigo Freud faria.


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