Os guitarristas do deserto

por - 18:07


Uma das vantagens de se morar na Europa é que, tendo um dinheiro sobrando para viajar, pode-se escolher sair da Europa e acabar economizando. Foi meu caso, indo para o Marrocos. E foi lá que entendi a proporção do sucesso dos “guitarristas do deserto”, ao ver discos de nomes como Ali Farka Touré e Tinariwen em destaque na frente de uma pequena loja no centro de Marrakech.

Falecido em 2006, o guitarrista de Mali, Ali Farka Touré, foi quem sabe o artista maliano de maior destaque internacional - seu disco em parceria com Ry Cooder inclusive lhe rendeu um Grammy. Seu último disco, em parceria com Toumani Diabaté (outro gigante de Mali), foi lançado postumamente pela Nonesuch em 2010, e descreve bem sua mistura de blues com a música tradicional de sua região. O grupo maliano Tinariwen, com datas confirmadas para São Paulo e Rio no festival Back2Black, reúne um número variado de músicos (às vezes dezenas) cantando canções com temática política (seus membros se conheceram nos anos 70 em treinamentos de guerrilha), misturando ritmos tradicionais norteafricanos ao rock.


Olhando por debaixo do mainstream, não consigo dissociar o trabalho do selo Sublime Frequencies, fundado por Alan Bishop (um terço dos Sun City Girls), da repercussão considerável que certos artistas obscuros africanos vêm tendo no cenário da música de vanguarda. Bons exemplos são os grupos Inerane, Doueh, e Bombino, que depois de anos limitados à região oeste do Saara, hoje em dia são constantemente incluidos no cartel de festivais grandes na Europa e Estados Unidos. Superando o nível de obscuridade cult, e fora da Sublime Frequencies,o guitarrista Bombino lançou um ótimo disco no início de 2011, Agadez (sua cidade natal).


A verdade é que esta sonoridade já virou gênero, não é incomum encontrar o termo “desert blues” internet afora, superando a barreira do “world music”. A pequena loja de Marrakech tinha uma seção dedicada a guitarristas africanos, e não me surpreenderia ao ver isso em qualquer loja de discos de tendência em uma metrópole de primeiro mundo.

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1 comentários

  1. Esta musica é para se ouvir com bons ouvidos:) MUITO BOM!!!!

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