"O que eu leio e o que eu faço - Fernando Sanches"

por - 19:46



Ele fez parte de importantes bandas do hardcore brasileiro e hoje cuida, junto com o pai e seus irmãos também músicos Maurício Takara (Hurtmold, SP Underground) e Daniel Ganjaman (que tocou e toca com muita gente foda, inclusive o Criolo), o respeitadíssimo estúdio El Rocha, de onde saíram importantes discos nacionais nos últimos anos.

Fernando Sanches Takara
fez parte das bandas Hateen e Cpm22 que conseguiram ter um bom espaço no que poderíamos chamar de circuito mainstream e hoje faz um som com o ótimo O Inimigo e é pai de um garoto de 3 anos. Hoje ele divide seu tempo entre o estúdio e a estrada e eu conversei com ele por email para saber quais os livros que fazem a cabeça desse músico. Confere ae que tem muita coisa boa na lista, principalmente pra quem tem essa aproximação com o hardcore:

(Bruno Jaborandy) Você é músico, produtor e ainda tem um filho pequeno. Mesmo tão ocupado ainda dá tempo de conseguir ler um pouco?


(Fernando Sanches) Sempre tô lendo em viagens. Geralmente é mais livro relacionado ao trabalho (livros técnicos sobre gravação, mixagem e etc...) ou a música (punkrock, metal, jazz, biografias, discos clássicos... ).

(BJ) Na adolescência você já fazia parte de importantes bandas como Small Talk e Againe. Quais os livros que você lembra de ter lido nessa época?


(FS) Na época eu era muito novo, então tinha sempre aqueles livros do currículo escolar, né? Mas por conta própria eu gostava muito de ler aqueles contos do Bukowski. Lembro também de ter lido umas cinco vezes aquele Black Coffee Blues, do Henry Rollins, pois na época meu inglês era muito mais limitado que hoje. Rolava muito material produzido pela própria comunidade, coisas que amigos escreviam... existia uma cultura de zine muito forte.





 




(BJ) Tu já teve vontade de escrever sobre essa época? Juntar as memórias?

(FS) Já... mas nunca fui muito bom com as palavras não... minha memória é ótima, mas escrever não é meu forte.

(BJ) Você costuma ler para o seu filho?


(FS) Ele pede bastante...traz revistas e livros o tempo todo mas, como toda criança de 3 anos é difícil prender a atenção dele por mais de 15 minutos...



(BJ) Se você pudesse compor uma trilha sonora para a adaptação de um livro para cinema, de qual seria?


(FS) Our Band Could Be Your Life: Scenes from the American Indie Underground, 1981-1991, do Michael Azerrad, mas não consigo imaginar um filme sobre ele.





(BJ) No hardcore brasileiro quais os compositores que você mais admira?

Meu amigo Carlos Dias é um cara que tem uma linguagem bem pessoal que eu gosto muito. O Cláudio Duarte, que tocava no Diagonal mandava muito bem. Das coisas mais antigas, o Brasil do Ratos De Porão é perfeito.





(BJ) E os gringos, quais os mais foda, na tua opinião?


Sou fã do Bill Stevenson (do All, Descendents, Black Flag). Tudo que ele escreve é simples e muito sincero. Eu piro no jeito que Scott Reynolds (também do All) fala sobre o cotidiano com muito sarcasmo. Blake Schwarzenbach (Jets to Brazil, Jawbreaker) é um verdadeiro poeta, né? E tudo que os caras do Fugazi fizeram é uma aula!!!


(BJ) Quais os cinco livros que você mais curtiu ler?


(FS) On the Road, do Jack Kerouac, Our Band Could Be Your Life do Michael Azerrad, Notas de Um Velho Safado, do Charles Bukowski, Get In The Van, de Henry Rollins, The Recording Engineer's Handbook de Bobby Owsinski são os que me vem na cabeça nesse momento.

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