"Moro na bagunça das (en)gavetas"

por - 18:29



Acidente de carro em São Paulo é mais comum que assalto no Rio de Janeiro, briga de baiana em Salvador, travessia de muamba no Mato Grosso e gente cult em Recife. Novidades? Até aí não. Mas aí rolou aquela batida monstra de vários carros na Rodovia dos Imigrantes, nas estradas do estado. Eis que o trocadilho com a música do Parteum se fez necessário. Além de ser um cara que eu curto, me fez valorizar o humor pretinho que se aflora (ui!) em mim.

Durante muito tempo da minha vida, gostava de jogar GTA. O famoso jogo em que seus dotes psicopatas são postos à prova e você pode fazer QUASE tudo que te der na telha, como inclusive, adorava fazer. Uma de minhas atividades mais prazerosas neste jogo, antes claro da matança de imitadores de Elvis Presley, era empilhar e explodir carros numa grande auto-estrada, fazendo com que o fogo e o desespero das pessoas fosse sentido pelo fio do controle. Depois de ler a notícia, pensei comigo mesmo “é, alguém cansou de só jogar...”

Sabe o que é mais irônico? Os responsáveis pela rodovia cujo acidente aconteceu é uma concessionária de carros! Quer dizer, carros batem, carros quebram, carros se amontoam em ferro retorcido inútil e quem cuida dos carros? Um lugar especializado em venda de carros. Será que São Paulo tá indo pro lugar certo? Aí não sei dizer, mas a certeza é uma só: vamos todos de carro. E foda-se o preço da gasolina.

Sempre quando rola uma repercussão em relação a carro na mídia, eu me lembro de uma coisa: Fórmula 1. Isso NÃO é um esporte. Eu me recuso a chamar tamanha ignorância de esporte. São carros escrotos que correm a uma velocidade ignorante, transportando uns playboys folgados e uns mecânicos engomadinhos pra lá e pra cá. Parece mais uma excursão de escola particular. Mas só pra deixar claro, eu lembro disso porque não curto e acho que é desnecessário. Talvez até tão desnecessário quanto essa necessidade que uma galera tem de ter carro pra andar 1 km.

Bom, de qualquer maneira, esperamos que este engavetamento nos sirva de lição. E espero que a lição que tiremos não seja a mais óbvia: não dirija quando não der pra ver porra nenhuma por causa da neblina. Espero que a lição seja mais reflexiva e mais profunda que a mera falta de visão: “não dirija carros se não souber”. Porra, foram mais de 200 carros batendo! Até o décimo carro a gente entende, mas mais de 200?!



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