"Sobre a busca da beleza exterior"

por - 18:26


As vezes quando não tenho nada pra fazer, costumo reclamar com papai do céu sobre minha beleza natural. Ou a falta dela, no caso. Mesmo sabendo que isso não é determinante pra se fazer sucesso com a mulherada, eu sempre quis ser bonito, só pra tornar tudo mais fácil. Gente bonita sorri e derrete corações. O máximo que eu derreto com o meu sorriso são as calotas polares que contribuirão para a inundação total da terra.

Não pensem que eu sou um ser totalmente sem auto-estima. Tenho certeza que eu sou bonito... na cadeia. Este é um dos motivos pelos quais eu sigo as normas e a lei. Ser bonito na cadeia teoricamente não é uma coisa boa, porque se eu for pra lá, serei bonito pra vários homens sedentos por beleza. Se você já assistiu “Bonitinha, mas Ordinária”, você sabe do que eu estou falando.

Se eu fosse bonito, a história ia ser outra. Eu engravidaria todas as mulheres que amei e que me não me amaram de volta e poria a culpa numa bebida ruim com leve gosto adocicado. Pode ser Dolly. Acho que se fosse bonito, também faria questão de ser malvado, pra mostrar que as novelas têm seu fundo de verdade, apesar dos péssimos enredos e críticas sociais patéticas. Mas pensando bem, talvez por isso eu não seja tão bonito como gostaria. O mundo não está preparado pra outro Dado Dollabela.

Sabe o que é mais cruel nesse paradoxo da beleza? Gente bonita pode fingir ser inteligente, mas gente inteligente não pode fingir ser bonita. Se o Brad Pitt colocar uns óculos e for pra frente de uma lareira fingir ler um livro, as pessoas dirão o quanto ele é culto. Se o Stephen Hawking botar uma sunguinha asa-delta e for pra Porto de Galinhas com sua cadeira de rodas off-road, todos comentarão a feiura do evento.

Felizmente, vivemos numa subjetividade tão grande que é difícil dizer o que é ou não bonito, a não ser que estejamos falando do padrão de beleza que nos impõe. Aí eu digo que estou distante de ser o cara dos seus sonhos. Mas isso não me incomoda, afinal se eu for bonito pra uma pessoa (que não seja a minha mãe), já tá valendo. Sou romântico? Não, mas eu aceito caridade.

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