arte conceitual, ou "o que te vendem e o que realmente vale".

por - 15:18











Jennifer Trudo que pergunta

o que é "arte" pra você? você conseguiria sintetizar uma idéia geral do significado da arte? ou ao menos o que seria relevante? pois confesso, eu não consigo. simples assim: conclui que não entendo muito bem o conceito de arte.

quando pivete, eu era fissurado em sacar figuras em livros. figuras em geral. era um infanto curioso, e talvez meus pais sacaram isso logo de cara. então compraram uma dessas enciclopédias gerais, que tratam basicamente de tudo, de uma forma quase generalizada, mas que dá uma boa idéia sobre cada assunto, dessas em vários volumes, que senhores passavam vendendo de porta em porta. profissão falecida, vendedor de enciclopédia.

pois compraram uma dessas, bem recheadas de imagens. um acerto, um erro: viciei em sacar tudo que tinha nos livros, desisti de jogar bola na rua e assumi logo uma personalidade antisocial. foram pelas imagens da enciclopédia que acabei aprendendo a ler prematuramente: minha mãe se encheu de tanto me explicar sobre cada figura que eu via nos livros, e preferiu me ensinar a ler.

as imagens continuaram me cativando, e logo sabia distinguir estilos de pinturas de fulanos consagrados: van gogh, rembrandt, caravaggio, kandinsky, di cavalcanti, renoir. acabei entendendo os estilos de pinturas durante os séculos, e mais tarde a relação de cada uma com as mudanças comportamentais sociais de seus tempos. eu curtia a parada de verdade.

mas mesmo assim, insisto em afirmar que não entendo o conceito de arte. seria eu uma dessas (milhares de) crianças que emburrecem quando atingem a maturidade? ou somente mais uma dessas que se tornam ignorantes insensíveis? bem, você me dirá isso, daqui a pouco.

já tive algumas discussões com amigos por não querer entender que o conceito da arte contemporanea é "basicamente tudo que o artista quiser interpretar como arte". ou talvez, na minha forma de interpretar, praticamente tudo que ele queira vender por valores astronômicos e que alguns trouxas endinheirados estejam dispostos à pagar. às vezes desconfio que seja essa a fonte da minha grotesca insensibilidade.

vejamos se estou certo ou errado: vou apresentar alguns exemplos do que eu considero ARTE, visualmente falando, nos dias atuais. em seguida, algumas poucas mostras do que pra mim, na minha posição de LEIGO, seria LIXO DA PIOR QUALIDADE. dependo da sua opinião pra saber se ainda tenho uma mínima noção do assunto ou se estou redondamente enganado. (falando a verdade, não iria mudar relevantemente minha opinião sobre o assunto, já que eu não deixaria de achar as primeiras geniais e as seguintes um completo embuste. vá lá, serve mais pra provar que não sou tão inflexível assim e aceito uma segunda opinião). estão prontos? vai lá:



Jim Denevan faz desenhos geometricos em planicies ou areia de praia, algo que só dá pra ser visto bem do alto. ele usa pedaços de madeira, rodas de automóveis, ou simplesmente os próprios pés. macro designs efêmeros.


Brian Detmer esculpe folhas de livros antigos; dando ênfase pra manter as ilustrações internas, ele constroe uma releitura que já existia dentro do próprio livro, porém em outro angulo (visual e não literal). ele destrói livros por uma boa causa.


Jason Mecier reconstrói imagens iconográficas com objetos inusitados. essa foto da Amy Winehouse foi refeita com cásulas de comprimidos. não me pergunte que tipo de comprimidos.


Alexa Meade usa uma técnica expressionista de pinceladas grossas em pintura corporal, e transforma pessoas em telas de Van Gogh vivas!



Dalton Ghetti faz esculturas detalhadas e impecáveis em... pontas de lápis.




Carl Warner cria "foodscapes": fotografa paisagens incríveis, feitas de alimentos.




nosso já conhecido brasileiro Vik Muniz reconstroi pinturas célebres com lixo, chocolate, molho de macarrão e qualquer outra coisa que der na mão dele. no exemplo, Saturno de Goya refeito de lixo.




e o Banksy... bem, o Banksy é um exemplo à parte, uma artista marginal completamente consciente da sociedade onde vive, um reflexo critico, ácido, genial de onde tudo foi parar.

 


exemplos claros que a genialidade humana não esbarrou no tempo e no que já havia sido pensado, exemplos de que sempre existirá criatividade porvir dessa massa cinzenta, adaptada e sincronizada com as novas realidades de uma sociedade que não beneficia apenas o rico à enxergá-la de forma crua ou poética.

agora... alguém me explica o que é isso?? e por que algumas pessoas desembolsam rios de dinheiro nessas "obras"??!!







sou somente eu que acho isso uma porcaria? algo na percepção das pessoas foi seriamente danificada? ou eu quem não evolui com os "novos conceitos"? me ajuda ae a entender, vai...

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10 comentários

  1. >Acho que na arte de hoje o que vale não é só a qualidade ou a forma da figuração, mas também o sentido que essa figuração adquire no contexto em que se insere. Esse contexto pode ser formado de maneira intercambiável por vários fatores, incluindo a própria história da arte, originando obras que podem valer algo como meta-linguagem, com uma mensagem que conversa mais no debate acadêmico sobre a história da arte do que com um suposto expectador. Como esta arte é validada como vanguarda pela academia e, como esta é a mesma entidade que valida obras consideradas clássicas como de Van Gogh ou Picasso fazendo-as alcançar valores astronômicos no mercado, os especuladores do ramo ficam de olho nestes contemporâneos e compram suas obras como investimento, convencidos de que no futuro valerão o mesmo que outras obras historicamente emblemáticas. Esse processo tem servido pra superfaturar artistas mais articulados com as neuroses do discurso acadêmico e simultaneamente lavar dinheiro de todo tipo de bandido há pelo menos 50 anos. Não acho que toda a arte nascida dessa contexto seja necessariamente lixo, assim como vários filmes não são necessariamente lixo só por sair de Hollywood (outro esquema sórdido). Cada um faz e aprecia arte conforme sua formação.

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  2. >é... seu argumento até que foi bem satisfatório! eu não teria pensado num ponto de vista acadêmico, por motivos óbvios: mal passei perto de uma formação acadêmica, hehe! mas de qualquer forma é sempre bom sacar uma opinião qual não passaria nem de resvalão na minha cabeça. agora quanto ao pessoal "investidor" na arte contemporânea, sinceramente: boa sorte pra eles, porque vão precisar...!abraço!(concordo ao que toca na industria hollywwodiana: nem tudo que sai dali é lixo)

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  3. >São questões muito importantes mesmo. Eu sempre me pergunto coisas como "o que é ser artista?", "eu sou artista?", "você é artista?". Eu tenho uma visão pós-moderna/contemporânea sobre essa questão, mas acho que não é bem algo como: "o que o artista diz que é arte, é arte", a questão subjetiva nesse caso é mais profunda pra mim. não tem a ver apenas com dizer ou não dizer, é uma relação íntima, a pessoa sabe que tipo de relação ela está vinculando (ou pretendendo) com aquela obra, aquela ação, intervenção. Sabe as relação ideologicas e conceituais que ele está construindo com isso é tipo: "tudo pode ser arte[...]" (depende da sua relação com a obra e da obra com voce ou com o mundo) "[...] mas não é tudo que é arte".agora, sobre voce achar as ultimas obras postadas um lixo... bom... uma arte ruim, ainda é uma arte (só que ruim). lembrando que ruim é uma questão subjetiva tambem, depende do que voce vai considerar relevante, bonito, o que vai te atrair. E isso, claramente, varia muito de pessoa pra pessoa, não tem como julgar as pessoas que acham determinada obra feia ou bonita de "sem noção" ou "loucas" por isso (:valeu, gostei muito do post, pretendo divulga-lo num blog ( www.perigaz.blogspot.com ) o que acha? (:

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  4. >Wash, que bom que consegui dizer o que queria! Na verdade pra mim as obras de arte mais interessantes, são aquelas que podem ser apreciadas de mais de uma maneira, que tem um sentido conceitual para além da estética. Uma coisa não exclui a outra e o resultado final é maior que a soma das partes. Vc deu alguns bons exemplos disso, como o Banksy: de cara um grande desenhista, mas o sentido maior da sua arte é conceitual o da crítica social. Quanto a sorte dos investidores, todo investimento tem seus riscos né... hehehe. Abs

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  5. >mais críticas HIHIhttp://www.youtube.com/watch?v=tt_8373hRsc

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  6. >acho que tem muito artista de araque nessas áreas mais experimentais, mas acho válido por criar diversidade, manja? É só usar a música como expemplo; muita coisa que é marginalizada acaba invariavelmente chegando ao mainstream porque os ouvidos se 'acostumam' com aquela estranheza toda. Também fico meio descrente quando me deparo com esse tipo de arte contemporânea, mas me esforço pra me convencer que eu que não saquei a obra, assim como as massas não sacaram grandes ícones no passado.

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  7. >realmente Felipe, a assimilação sonora é bem mais "deglutível" do que as visuais, tanto que sou muito fã de sonoridades experimentais; associações entre jazz avant-garde e grindcore, por exemplo, são completamente pertinentes se levadas em conta o desconstrutivismo musical presentes nos dois estilos (alias isso é tema pra futuras postagens). talvez eu pense assim também por ser músico, hahaha! daí facilita a aceitação.Tiago A., pode postar o txt sim no seu blog, sem problemas. só não se esqueça de citar a fonte de onde tirou, o altnewspaper! valeu!e aroma, os comentários do Away podem parecer sem-noção, mas muita coisa que ele fala nem dá pra discordar!! rachei o bico aqui, heheh!

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  8. &gt <a href="http://;http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/11/foto-mais-cara-do-mundo-e-vendida-por-us-43-milhoes-em-nova-york.html;http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/11/foto-mais-cara-do-mundo-e-vendida-por-us-43-milhoes-em-nova-york.html<br />depois eu digo e falam que não é bem assim... ¬¬

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  9. Belo texto, lembro da história " As roupas novas do Imperador" que apenas os inteligentes conseguiam ver, não entendo essa arte, com lixo e sem nexo, pensava que era o único kkkk.

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  10. Belo texto, lembro da história " As roupas novas do Imperador" que apenas os inteligentes conseguiam ver, não entendo essa arte, com lixo e sem nexo, pensava que era o único kkkk.

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