Impressões: como foi a primeira noite do Festival No Ar Coquetel Molotov 2011...

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Entrada do Teatro da UFPE (segurança reforçada)


A oitava edição do Festival No Ar Coquetel Molotov começou faz mais ou menos um mês com as prévias, seguiu com a mostra Play the Movie e oficinas ate chegar no seu momento final e crucial, os shows no Teatro da UFPE. Uma maratona de oito shows intercalados por uma feirinha multicultural e ações da Petrobras, Conexão Vivo entre outras marcaram o primeiro dia das atrações principais. Mantendo o horário londrino e seguindo os moldes de um festival gringo, o show da pernambucana Nuda teve inicio as 17h da tarde na salinha Cine UFPE. Infelizmente não pude conferir, o festival tem uma moldagem gringa, porém acontece no Recife onde o transito não funciona (ainda mais tendo diversos outros eventos no mesmo dia), também não soube de ninguém que conseguiu chegar a tempo de ver a Nuda (então se você já estava na federal e conseguiu, favor comentar ai sobre o show da galera). Também não consegui chegar pro dub da King Size, a outra banda local que tocou na salinha.  Deste ouvi bons comentários, som honesto de uma banda cover que executa muito bem o que se propõe, como a maioria dos projetos de Igor Gazatti. Um repertório massa com um som cheio e vivo que se espalhou por toda salinha Cine.












O Beans manda bem, eu sei, mas não foi dessa vez!


Cheguei na hora da apresentação do duo m.takara e r.brandão, era uma das atrações que eu mais queria assistir ao vivo e achei que a dupla alternou entre momentos interessantes, onde se via uma batida diferente na bateria do Mauricio, com uns efeitos e samples bem legais e entrosados com o vocal do Rodrigo. E outros onde a batera era repetitiva e bem monótona (principalmente pra um baterista do nível do takara) e uns vocais entrando numa linha ou momento estranho. Esperava mais do duo, por isso ficou devendo! Num intervalo de cinco minutos começou o show do rapper americano Beans e tive minha decepção na noite de sexta! Beans ficou sozinho no palco acompanhado de umas bases gravadas e que estavam bem baixas, ou então era o vocal que estava muito alto. O camarada lançou um disco bem legal esse ano e privilegiou as músicas deste trabalho no show, mas foi desastroso ao vivo. O vocal acelerava mais que a batida (quando eu conseguia ouvir a batida) a ponto do rapper terminar de cantar e a batida continuar por um tempo ate parar e o pessoal aplaudir, resumindo: foi bem ruim! Outro ponto relevante sobre a salinha cine é o calor (outubro é mais quente que setembro no Recife, a salinha não tava nem de longe cheia e todos suavam em bica, beirando o insuportável, imagina a salinha cheia?!)











Olhai os papai Lúcio Maia e Gabriel Izidoro num bom momento do show!


Vamos então para as atrações principais da primeira noite de shows do Coquetel dentro do teatro da UFPE, este sim com um ambiente incrível e acústico invejável! Como disse Lúcio Maia, a Maquinado estava ali para “abrir os trabalhos da noite” e foi isso que ela fez a partir das nove e meia da noite (mais ou menos). Com um som bom, bem limpo, o projeto paralelo do guitarrista da Nação Zumbi só não esperava ter que disputar público com a Nação Zumbi (e ele mesmo) que tocaria de graça no Marco Zero algumas horas depois. Isso fez com quem o show dele fosse bastante esvaziado, mas não tirou o brilho da bela performance de Lúcio e cia. Destaque para o dub instrumental com participação de Gabriel Izidoro (A Banda de Joseph Tourton) tocando escaleta e para o bom humor do Lúcio Maia, que interagiu bastante com o público presente.











Cabelos, gritos, danças, saltos e noise eletronico com a Health!


Depois deles veio a banda californiana de noise/experimental/eletrônico HEALTH e foi a melhor presença de palco da noite, mesmo os caras privilegiando mais a vibe eletrônica da banda do que o noise. Eu particularmente prefiro o experimental e o barulho e achei o som do palco meio abafado, mas foi um show bem digno. A interação dos caras entre si demonstra que eles estão ali pra se divertir e as caras e bocas do público foi bem divertido, destaque para o batera da banda (mandando muito bem!). Rolou uma balada romântica perto do fim da apresentação (música nova?! Não lembro já ter escutado), foi o único momento que não curti e espero que a banda não vá por esses caminhos.











É sério, a Guillermots ta ai em algum lugar!


A outra atração internacional, a banda inglesa Guillermots entrou no palco por volta das onze e vinte da noite e desde o começo era a queridinha do público presente. Com um som indie pop básico, sem muita novidade, interagiu bastante com o pessoal que trocava energias o tempo todo com eles. A energia foi tanta, que numa das baladas de violão do vocalista, integrantes da organização do festival e público subiram no palco para acompanhar a melodia entre palmas em meio aos integrantes do grupo (foi bem bonito e organizado, tudo numa educação que eu nunca vi no Recife!). Um dos melhores momentos foi quando o Benjamin Jared Miller (batera do Health) e m.takara se juntaram ao baterista do Guillermots pra destruir a batera na última música (chamada São Paulo) do show deles.











O músico Lobão curtindo a vida doce!


E pra finalizar a noite legal do Coquetel Molotov, o músico carioca Lobão fez com que ninguém sentisse falta do The Fall, foram cerca de uma hora e meia de hits sucessivos (acho que não faltou nenhum, serio mesmo!), viajando entre todas as etapas da carreira do cantor e com direito a uma versão diferente da canção Help, dos Beatles. Foi o melhor som da noite (estava alto, vivo e limpo) e Lobão é carismático mesmo falando palavrão. É interessante ver que no show de Lobão, tanto as reclamações até corda de guitarra quebrada parecem ter sido ensaiados. Outro fator interessante é notar a mistura de público, Lobão consegue juntar o público indie/underground com os fãs de Biquini Cavadão e Lulu Santos, e fica bem engraçado de ver! Hoje tem mais, cheguem cedo pra salinha (de preferência com roupas leves!) e não percam a cabeça com o Racionais e The Sea And Cake!

PS: Todas as fotos desta postagem são da nossa fotografa pernambucana favorita: Flora Pimentel

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1 comentários

  1. >Vi boa parte do show da Nuda, mas fui conferir sem conhecer a banda, então não sou o mais gabaritado pra comentar. Como a matéria é de "impressões" e foi pedido, a minha é que foi um show que funcionaria bem melhor no Teatro. Eles fizeram um som bem enérgico, psicodélico e com boas intercaladas de samba.King Size foi a mais esperada por mim na Sala Cine, juntamente com M. Takara e Rodrigo Brandão, e estiveram dentro das minhas expectativas. A primeira fez um ótimo show de dub, tocaram bons covers e a estrutura do palco(iluminação + telão de fundo) incrementaram muito. A segunda foi a mais bem recepcionada pelo público na Sala, inclusive por mim; Rodrigo Brandão fez uma apresentação extremamente intimista com quem estava assistindo e todos corresponderam bem.O show do Beans foi realmente desastroso pra um músico cultuado como ele. Não sei se houve algum erro no som do local ou falha dele mesmo, porque os shows dele são sempre daquela forma: sozinho no palco, cantando em cima do som de um CD. Mas foi realmente ruim.Maquinado faria o show mais esperado por mim nessa primeira noite do Coquetel, e as expectativas foram superadas. Quando entrei no Teatro o show já havia começado, e a primeira impressão que tive foi ótima, não apenas pelo ótimo começo com "Zumbi", mas pela primeira vez que estava assistindo um show num teatro. Lucio Maia, como sempre faz não só nos shows com o Maquinado, interagiu bastante com o público e dessa vez tive uma sensação de proximidade ainda maior por conta da acústica e tamanho do espaço.Depois da Maquinado fui pro Marco Zero.

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