Impressões: como foi a segunda noite do Festival No Ar Coquetel Molotov 2011...

por - 21:57










Entrada do Festival no sábado, hoje é dia de RAP, bebe!


O sábado do Festival No Ar Coquetel Molotov teve grande presença do público desde cedo (como todos os outros anos), tanto que a salinha cine UFPE tava uma verdadeira sauna de tão quente. Mais uma vez também, os shows atrasaram um pouco (normal, é sábado). Desta vez por cansaço, cheguei tarde e não conferi o show da boa banda Rua e a estréia do Trio Eterno (que na realidade é um quarteto), espaço aberto para quem quiser comentar os shows. Também não agüentei ver a Copacabana Club todo (por conta do calor), mas o espaço estava um inferninho indie. Se a banda curitibana pensasse numa estréia legal em terras recifense, provavelmente não chegaria a repercussão do que rolou na salinha. A banda colocou todo mundo pra dançar (pelo menos durante o tempo que conseguir ficar por lá), achei bem legal o a energia do show e a interação com o público.












O calor do povo é ainda maior ne?



O show que fechou muito bem as atividades na salinha foi o da marroquina/francesa Hindi Zahra, que fez uma ótima apresentação para um público bastante atencioso e interessado. Com uma boa banda de apoio a cantora mandou faixas do seu último trabalho e interagiu bem (à maneira dela) com o público (alguns cantando todas as canções da moça), bela maneira de encerrar a salinha, mesmo com um atraso no horário. Sai nos finalmentes do show da cantora, comprei uma água e resolvi (mais uma vez) pular o hall da amostração (não entendeu?! Parafraseei o saudoso páginas coladas) e adentrei o teatro da UFPE para sair de lá apenas após a apoteose do Racionais!












O cantor Romulo Froes com o apoio do Thiago França


O cantor paulistano Romulo Froes adentrou o palco do teatro da UFPE por volta das dez da noite, junto a uma banda de apoio absurdamente qualificada. O músico executou faixas do seu mais recente trabalho “Um labirinto em cada pé”, lançado neste ano, também cantou algumas faixas do trabalho anterior (Um chão sem chão) para um público comportado que se manteve sentado e atento ao show. O cantor demonstrou visível emoção e os principais momentos de destaque da apresentação foram o frevo (que não tinha nada de frevo) em homenagem ao Recife, feito por uma cantora local que reside em São Paulo (não me lembro dele ter dito o nome dela) para ele cantar homenageando a cidade e a presença no sax do talentosíssimo Thiago França (deve ser muita moral ter um cara desses na banda de apoio).












O pessoal toca muito, mas é morgado demais!


Veio então a única apresentação internacional do teatro na noite do sábado, a banda americana de rock The Sea and Cake. Com bastante educação e pouca interação a banda executou faixas do último trabalho, mesclada com faixas antigas e algumas que eu não me lembro de ter escutado antes. Foi o show mais monótono da noite no teatro, mas o som estava bem limpo e as canções foram muito bem executadas, porém em momento algum chamou atenção do público que se modificava, mas permanecia interagindo educadamente com a gringalhada. Particularmente eu esperava mais deles, mas ficaram como paisagens executando suas canções até o momento em que se despediram, agradeceram e saíram sem olhar pra trás.












Chinaina, voce tentou, mas não nos conveceu!


Com um público completamente misturado entre fãs do rap, pessoas que normalmente vão ao festival do Coquetel Molotov e alguns fãs do cantor China, teve inicio o show de clichês do músico pernambucano. Lançando o último trabalho (o fraco Moto contínuo) que estava sendo apresentado pela primeira vez na cidade, China e sua boa banda de apoio “h-estern band” entraram no palco por volta meia noite. Vamos por partes, primeiramente: para mim, ao vivo o disco soa muito melhor do que gravado (e não sei se isso é um elogio, porque acho o disco bastante fraco). China é um clichesão ambulante, usando as expressões forçadas já características e popularizadas no seu programa na MTV e fazendo a mesma dança para qualquer ritmo ou música executada. O cantor foi destrinchando o mais recente trabalho e tentando interagir (principalmente com o público do Racionais, que não parecia muito interessado). Eis que ele usou toda sua influência na gurizada e fez finalmente o teatro virar um local dançante (reunindo o público na beira do palco) e fazendo todos cantarem suas músicas. Destaques para a participação da cantora Ylana Queiroga (que até mandou bem, mas ta longe de ser a melhor cantora do estado) e o acontecimento já esperado que finalizou a apresentação com o público no palco dançando o primeiro single e clipe do novo disco “Só Serve pra dançar”. Eles devem ter se divertido muito e com isso o show foi finalizado da melhor maneira possível.












Mano Brown diz: "É noiz que voa bruxão!"


Veio então à celebração da noite, rapidamente o público do cantor China pareceu evaporar ou simplesmente foi engolido pelo público que estava todo reunido para contemplar o mito do rap nacional, os Racionais Mc´s! Se existia realmente alguma tensão a princípio, esta se fez mais por parte da organização que tentava fechar a cortina do teatro (o que não aconteceu) para montar o set e pickups do dj Kl jay. Como isso não foi possível e visando testar o som, o Dj mandou uns clássicos do rap nacional (como Sabotage) o que já animou bastante os presentes. Passava da uma da manhã quando Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e companhia entraram no teatro da UFPE e o frisson foi generalizado. Parecia muito um ritual, só que com presença de toda drogadina necessária para falar sobre política de classes, discriminação social e vida no crime (e vocês esperavam o que?). Eu lembro que rolou: nego drama, Qual mentira vou acreditar, Jesus Chorou, Vida Loka PT 1, Artigo 157 e mais algumas faixas antigas e recentes do grupo, sempre alternando com momentos de invasão do palco para aclamação feita por mulheres e homens (principalmente para o Brown).

É sempre interessante presenciar tal nível de idolatria quando feito de maneira sincera, honesta e realmente emocional. Mesmo que momentos como esse atrapalhem o show o tempo todo (mas isso faz parte!), o único vacilo do show do Racionais realmente foi a falha no som após a terceira música executada, mas ate isso foi resolvido de maneira rápida. A execução das faixas alternava com falas do Brown sobre o Brasil, sobre o estado de Pernambuco e como as coisas estão melhorando, sempre tentando controlar os presentes na beira do palco! Um dos momentos mais especiais da noite foram as participações dos rappers locais Tiger e Zé Brown (Faces do Suburbio), juntos no palco e cantando com o grupo. E o momento apoteótico acabou sendo o que encerrou a apresentação dos paulistanos, com uma invasão em massa do público no teatro da UFPE, essa feita de maneira realmente emocional e desordenada (como deveria ser feito realmente). Pra mim existia possibilidade de rolarem mais alguns hinos naquela noite, mas com a invasão ficou impraticável a continuidade do show, apesar de não ter sido nada que atrapalhasse os presentes que saíram felizes e de alma lavada em direção a suas casas (eu sai no meio do público e não vi uma confusão).











Esse é o Mano do povo, acorda CBF!


Algumas considerações
: fiquei sabendo depois (porque de dentro do teatro, nada foi perceptível), que houve um principio de confusão de parte do público que não tinha ingresso e tentou invadir o teatro, quebrando um dos vidros da entrada do teatro (foi isso mesmo?). Se foi dessa maneira, pelo menos isso foi contornado rapidamente, porque na saída não se notava nada! O consumo desenfreado de maconha dentro do teatro é um ato muito desagradável e mais um ano isso se repetiu. Não da pra culpar o público de uma banda ou outra, quando eu mesmo vou ao festival desde o primeiro ano e vejo pessoas bebendo e fumando dentro do teatro desde então. No mais, parabéns a organização do Coquetel pela coragem de realizar tal interação entre públicos e culturas, só não sei bem se isso deveria acontecer dentro de um teatro (na real, eu acho inviável o Coquetel Molotov fora do teatro, o lance mesmo é a necessidade de educação e menos umbicentrismo do público presente no evento para evitar o consumo  de drogas dentro do espaço).

PS: mais uma vez, todas as fotos usadas aqui são da gatirra Flora Pimentel. Exceto a do Sea And Cake, feita pela Carol Bittencourt e tirada do Flirck do Festival.

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