"O que eu leio e o que eu faço - Daniela Rodrigues"

por - 18:23



Ela é vocalista e guitarrista das bandas The Renegades of Punk e The Jezebels, administra um restaurante com o marido Ivo Delmondes e ainda está finalizando um mestrado em Sociologia. Digaí! Daniela Rodrigues, 29 anos, abraçou o rock quando ainda era muito nova, segundo ela após a apresentação da banda americana L7 no Hollywood Rock, em 1993. Alguns anos depois ela montava suas primeiras bandas. Duas dessas bandas alcançaram vários fãs, principalmente pelo Nordeste, onde se apresentavam regularmente: Lily Junkie e Triste Fim de Rosilene.

Conversei com Daniela via email, em uma conversa que durou quase um mês, sobre o que ela curte ler, o que faz parte das suas letras e como é continuar fazendo rock mesmo com todas essas atividades em que ela está envolvida. Confira:


Como é conciliar ter uma banda, fazer mestrado e ter um restaurante?


Loucura! Agora as coisas estão ficando mais amenas, mas o início do restaurante coincidiu com a reta final do mestrado (leia-se redação da dissertação) e aí foi bem difícil. Infelizmente as bandas acabaram sofrendo e ficando de lado por um tempo. Estamos tentando retomar as atividade. Temos shows marcados e gravação em vista.

Como é tua rotina de ensaios com tuas bandas?


Geralmente minhas bandas ensaiam uma vez por semana, a depender da disponibilidade de cada um. Como disse antes, por alguns meses elas ficaram em stand by. Na verdade, o ultimo show da ROP foi o do Maionese e da Jezebels o do Rock Sertão – ambos festivais rolaram em Maio deste ano. Depois disso, voltamos a ensaiar semana passada.




De onde surgiu a ideia de abrir o restaurante? Era um desejo antigo?


Desde que me tornei vegetariana que eu busco fazer minha comida, aprender a cozinhar e descobrir novas receitas. A partir daí tomei gosto pela coisa e passei e almejar ter um restaurante. Junto com Ivo, fiz marmita, encomendas, vendi rango em shows... Mas tudo de forma bem amadora. A ideia do restaurante existia e pensávamos nisso para um futuro não muito distante. Mas no ano passado, apareceu uma oportunidade ótima e nos jogamos de cabeça. Desde então nossa vida tem tido uma rotina bem maluca, mas estamos realizados. Cansados mas felizes.

Você já finalizou o mestrado então?


Ainda não finalizamos formalmente. Já terminamos de escrever, estamos naquele período de espera da defesa. Depois disso, burocraticamente, teremos encerrado nosso mestrado.




Quantos sócios tem o restaurante e qual o nome dele?


Eu e Ivo. Se chama "Om Shanti Cozinha Vegetariana"

De onde saiu a ideia desse nome indiano para o restaurante? Você costuma ler algo nessa vibe?


O nome já existia porque o restaurante já existia. Não somos hippies e nem hinduístas, mas como Já era um estabelecimento com uma história, decidimos, quando passamos a comandá-lo, manter o nome original. Não, eu não leio nada espiritual ou espiritualizado. Nem na vibe Krishna.



RENEGADES OF PUNK | grande parte do show | 23 out 2011 from Entorte Discos on Vimeo.






Qual o primeiro instrumento que você aprendeu?


O primeiro instrumento ao qual tive acesso e comecei a me aventurar tocando foi um violão do meu pai, um DiGiorgio que já era bem rodado na época.

Como você acha que cresceu mais musicalmente, praticando sozinha ou tocando com as bandas que voce tem e já teve?


Com certeza tocando com minhas bandas. Nunca fui de praticar em casa, por isso mesmo não sou uma eximia guitarrista. Nunca me dediquei de verdade, toco porque gosto e detesto estudar teoria musical e fazer exercícios. Mas, sei também que essa escolha tem uma consequência bem palpável para mim mesma. Na verdade sempre me identifiquei com o lance contra cultural do faça-você-mesmo e da simplicidade do punk. Para mim a beleza está aí.

Qual seu processo de composição? Primeiro surge a melodia ou a letra?

Estava falando sobre isso ontem com João, inclusive. Na verdade, pra mim tudo sempre surge de uma ideia sobre qualquer coisa, algo que vi, algo que quero comentar... daí começo a escrever uma letra, e geralmente, a melodia vai aparecendo junto. Quando isso não acontece perfeitinho assim, fico a letra na mão me batendo um tempo pra pensar em como tornar aquilo em música.







Trabalhando tanto como você está tem alguma hora que vc consegue parar para ler um livro e tal?


Então, a vida está bem corrida agora. Durante meu último ano do mestrado fui acumulando livros que ganhei e que comprei na esperança de lê-los quando eu tivesse mais tempo ou pudesse ocupar minha cabeça com leituras que não fossem sobre minha pesquisa. Agora que ele acabou continuo com uns itens lá em casa, tipo “Contos Completos” de Virginia Woolf e “The vegan girl's guide to life” empilhados. Espero poder lê-los logo. Por enquanto minhas leituras e aquisições literárias têm a ver com alimentação vegana.

Pra terminar: quais seus cinco livros favoritos?

Foi dificil pensar excluindo os livros da minha pesquisa e os de culinária vegana. Percebi que não tenho lido nada fora disso em pelo menos 2 anos!!! segue os que consegui lembrar:

Libertação Animal - Peter Singer
Mulheres - Marylin French
Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu - Roberto Freire
No sufoco - Chuck Palahniuk
The myth of the machine - Lewis Mumford


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