"Quebrando tabus... com a cabeça"

por - 18:22


Tem coisas que a gente desacredita que realmente aconteceram. E tem coisas que a gente acredita tanto que vai acontecer e acaba nem percebendo que nunca vão rolar. Comigo o primeiro caso aconteceu recentemente. E foi uma daquelas coisas que nos fazem reparar como a vida é bela em seus atos mais singelos, não importando a intenção destes atos. Mentira, nem foi algo tão singelo e perfeito, foi mais uma experiência que nos faz questionar a sanidade da sociedade como um todo.

Saí com uma amiga esses dias e depois de umas duas ou três bebidas, fiz o que todo velho com bexiga solta faz: se segura pra não mijar nas calças. Normal. Quem nunca se viu na vontade de botar a anaconda, ou a tulipa no caso das mulheres, pra chorar, por favor, finja que já só pra me dar uma moral. Enfim, tive que caçar ferozmente um banheiro pra evitar uma enchente em São Paulo e só achei um banheiro quebrado e outro feminino depois de uns minutos andando. Não pensei duas vezes. Não tinha nem o que pensar. Tinha um vaso sanitário e um cheiro horrível de pinho sol, era só soltar e respirar aliviado.

Quando saí do banheiro, me vi numa cena digna de Kill Bill. Pelo menos três faxineiras mal encaradas estavam me esperando do lado de fora, empunhando rodos, desinfetantes e cigarros baratos com cheiro de mato seco. Uma delas vira e fala “isso é banheiro feminino!” e eu respondo o óbvio: “eu sei.”, “então porque entrou?” diz uma outra com o cigarrinho do lado da boca, como um figurante de filme de kung fu antigo onde o fumante sempre é o primeiro que apanha. Fui pego pela vontade de gritar a plenos pulmões “FODA-SE”, mas me segurei. Eis que minha amiga diz ao longe “que mania de achar que homem não pode entrar em banheiro feminino. Ele precisava mijar”. Elas fizeram uma cara de nojo misturada com raiva, como se eu tivesse esfregado meu pinto na cara de todo mundo, mas é como dizem, não dá pra agradar a ninguém.

Essa foi a deixa pra sair de fininho, rindo alto e tentando fazer a maior cara de Estados Unidos. Ganhei uma guerra da qual nem lutei. E depois até fiquei pensando sobre o assunto, porque poxa, o que aquelas tias acharam que eu fiz no banheiro? Espalhei sêmen nele inteiro?! Nem se eu quisesse poderia fazer aquilo. Aliás, talvez pudesse, mas aquele não era o momento certo, já que eu tava no aperto. Mas mesmo assim, este seria o momento perfeito para refletir sobre uma coisa em especial: cuidado com as gangues no lugar onde você vive. Se não tivesse assistido The Warriors, poderia ter apanhado de um monte de faxineiras.

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