"A vida adulta e os currículos em branco"

por - 18:29



Eu não tenho um emprego. Não me orgulho disso, mas em compensação não me envergonho também. É uma condição freqüente no nosso Brasil, certo? Faço parte de uma estatística apresentada por nossos amados políticos para fazer com que eles ganhem votos prometendo mudar este paradigma. Ou seja, de alguma maneira, estou fazendo a roda girar também, ainda que não esteja lucrando com isso.

Acho que a parte mais chata em não ter trabalho é ser menosprezado por quem tem. É muito deprimente ver que tem gente que se acha melhor que você quando enche o peito e diz que ganha dinheiro pra fazer algo que reclama a semana inteira pra fazer. Pior que isso é ver que além de jogar na sua cara que ganha dinheiro, essa pessoa reclama que não tem o devido valor onde trabalha. Por que você faz isso? Você acha que tem problemas tendo um trabalho? Imagina quem não tem e acaba encontrando um filho da puta que tem dinheiro no bolso e reclama. É uma sensação muito pior do que ter um trabalho. Acredite.

Apesar de não trabalhar, procuro ocupar meu tempo com atividades das mais variadas, pra não sentir o peso do ócio. E nem me venha falar que tem ócio criativo! Por que dar uma função ao ócio? Ócio é ócio, porra. Não é pra ser algo produtivo mesmo. Esse termo deve ter sido inventado por algum designer maconheiro que precisava de uma desculpa pra fumar mais maconha. E aparentemente funcionou, já que o termo parece real.

Mas mudando um pouco o foco da lente, não é irônico o paradoxo do trabalho? Digo, as pessoas trabalham para ter dinheiro, apesar de perderem seu tempo livre, porém, sem tempo livre, o dinheiro se torna apenas o motivo que lhes mantém trabalhando. Ainda que você trabalhe com algo que gosta, não sei se o fato de fazer o tempo todo vai continuar te dando prazer em fazer aquilo. Estou generalizando? Definitivamente. Já assistiu “Um Dia de Fúria”? Não sei se tem muito a ver com este paradoxo, mas é que é um filme legal.



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