enquanto o cometa passa...

por - 15:18


tá foda.

uhum, essa foi a única expressão que encontrei pra introduzir esse texto ao que tem acontecido por essas bandas paulistanas desse rincão sudeste do país latino-americano nomeado com o produto de interesse estrangeiro qual ele foi "descoberto" e...

divaguei. vamos começar de novo.

tá foda. desde os ultimos acontecimentos que fizeram brotar um verdadeiro "impasse social", já até nomeado como "ocupação e reintegração de posse" (??...) da reitoria da USP, já não sei mais o que pensar sobre a situação toda. nisso de "situação toda", eu incluo a politica de segurança vigente no país, as reivindicações estudantis de um país trinta-anos-pós-ditatorial e seus verdadeiros motivos, as vias de fato da situação economica do senso comum brasileiro, o expoente nacional-fasci-conservadorista do caráter direitista dessa sociedade, o centenário discurso de prós e contras da liberação da maconha, a real importância dada ao fator educacional brasileiro e a politicagem contida nele, a depredação publica em nome de algo que nem se sabe a causa ou nome... entre outras coisas.

bom, tenho lido muito, tudo, sobre o assunto e, sério, estou confuso e mal tenho palavras e argumentos - por enquanto - pra expressar minha opinião sobre essa embolada toda, esse mix de revolta, insatisfação e inquietude que ronda a sociedade brasileira qual integramos hoje. isso pra não entrar em detalhes da situação caótica qual o mundo inteiro está enfrentando, donde nós aqui, frente ao resto, até que não estamos tão mal assim.

mas se esperavam que esse seria mais um post sobre a opinião deste que vos escreve, sobre minha opinião pessoal sobre o que se deve fazer ou não fazer, devo dizer que não é. a melhor forma que eu encontrei de provocar um estímulo à essa discussão foi tão somente colar aqui algumas ideias que li e captei pelos blogs, redes sociais e e-jornais espalhados por aí por esse catalizador imenso chamado rede mundial. vou colocar as ideias sem ordem alguma, sem aglomerar prós nem contras, sem pender pra lado nenhum. vamos lá, pode ser divertido. ou deprimente:


- por consequência de roubos, estupros e um assassinato dentro do campus da universidade, a empresa contratada para a segurança do campus foi dispensada.

- para substituição da segurança interna e prevenção dos delitos citados acima, foi requisitado os serviços da Policia Militar no campus.

- a PM deteve alguns estudantes fumando maconha na área que compreende a FFLCH, qual reagiram com indignação e insubordinação tamanha, onde a PM, por tradição, não leva pra casa embrulhada como marmitex.

- a maconha, apesar de ser considerada proibida, é consumida livremente nos campus de todas as faculdades e universidades brasileiras que se tem conhecimento. nos contem uma novidade!... isso pra não falar na cocaína, que é muito mais popular nas faculdades pagas de classes A e B, e que não gera comentários por ser consumida "discretamente" (na burguesia, delito cometido com descrição não é delito).

- a população, policia, a grande imprensa e uma parcela "em cima do muro" de estudantes acusam a parcela revoltosa de serem mimados, filhos da classe media-alta, desinteressados, baderneiros, maconheiros.

- a USP é a melhor instituição de ensino da america latina, atuando entra as 200 melhores instituições de ensino do mundo; comportando entre esses melhores, 6 cursos ministrados no prédio da FFLCH, justamente onde agiram os ditos "vagabundos, desinteressados em estudar", como foi muito falado nas redes sociais.

- os alunos amutinados depredaram (?...) algumas salas ocupadas e agrediram jornalistas da grande mídia, de acordo com a PM e a própria midia. a policia foi "peitada" e a imprensa mal-recebida, portanto não houve boas impressões causadas (porque provavelmente não era essa a intenção).

- a reitoria, retirada da unidade de direito do Largo São Francisco por "incompatibilidade geral" e recolocada na unidade central à mando do governador, não apresenta flexibilidade alguma em dialogar com professores e estudantes e não presta contas claras dos gastos, já que "tapetes de mil reais" não entrariam na contabilidade dos gastos, assim por dizer.

- grande parte dos estudantes da FFLCH moram nas habitações do próprio campus, não vivem com os pais e a bolsa de estudo é tão escassa que mal saem para nada, além de comprar mantimentos. as festas são feitas dentro do campus da universidade.

- o problema foi direcionado aos consumidores de maconha dentro do campus, esquecendo-se da função principal de proteção aos alunos e professores e roubos nos estacionamentos, sem contar que a PM sabe onde estão as biqueiras em torno da universidade, se o problema real é mesmo o tráfico.

- uma parcela dos (estudantes) contras alegam que o motivo real da revolta foi a apropriação desse fato por uma minoria que queria causar um fato político. Foi a defesa de interesses pessoais disfarçado de interesse coletivo, já que os detidos pela PM concordaram em ir pra delegacia assinar o tc e serem liberados.

- comparações com outras causas mundiais e estudantis, como a que o Chile passa nesse momento pela reforma educacional, são inevitáveis e depreciadoras da revolta da USP.

- comparações com outras causas e opiniões locais, como atitude "correta" da PM, chacota com cancer de ex-presidente, desvio de estações de metrô para longe de bairros nobres, também são inevitáveis e agraciadoras da revolta da USP.

opiniões divergentes e questionáveis, por ambas as partes. sinceramente, eu teria sim uma opinião própria, mas houveram circunstancias tão discrepantes de ambos os lados, que preferi omiti-la. não pra poupar comentários dilacerantes de ambas as vias, pois sinceramente não tô me importando muito pro que acham da minha opinião, mas porque... estou perdendo a fé em tudo isso mesmo, de fato.

que a POLICIA não sabe o que está fazendo, vá lá, todo mundo já sabe disso (nada é resolvido, todo mundo já sabe disso, e todos engolimos esse sapo à seco, sem nem um golinho dágua). mas desde o momento que assembléias são propostas, votações internas são feitas, chega-se à um consenso, mas algumas mentes, que podem ser classificadas como FUNCIONAIS, tomam as rédeas num ímpeto cabaço-juvenil, fazem as coisas como acham que deve ser feito e, quando a merda vôa no ventilador, não sabem como se expressar corretamente numa situação dessas, daí... lavo minhas mãos. e completo jogando cal e sal grosso.

por essas e outras me vejo cada dia mais afastado do que se conhece como comunidade "racional" humana. pessoas não se entendem. pessoas são complicadas. pessoas fazem cavalos de batalha com pequenas causas próprias. pessoas são corrompíveis ao primeiro sinal de poder e dinheiro. e quando você acha que uma consciencia global está surgindo, se formando, acontece algo assim que comprova todas as afirmações descritas acima.

mas o joguinho de interesses taí em cima, na prévia, desmontado. escolha seus tópicos, suas peças, suas armas, e os abrace como sua causa, se quiser. pode ser que assim as pessoas se definam "prafrentex" ou "reaça", por conta própria: eu, sinceramente, não dou mais a mínima pra polícia, pros grêmios estudantis, pro Estado, pra opinião pública, pra Veja, pra Folha, pro Estadão... fodam-se todos.

minha divagação do começo nem foi tão distante. as pessoas por aqui continuam agindo e pensando da mesma forma desde a carta de Pero Vaz de Caminha. a verdade é que estou prestes à me tornar um ermitão, renegado da sociedade, e ir morar numa casa construida aos proprios punhos no meio de uma floresta.

esse lugar está selado, eu não vejo saída. me perdoem a sinceridade.

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