SWU 2011, terceiro dia: o peso insustentável de um festival.

por - 18:17



SWU 2011 né? terceiro dia: Faith No More, Sonic Youth, Primus, Down... certo. então fui lá pra conferir. esse ano tive que ir: ano passado fiquei nessa de "sei lá, nem tô a fim.." e "na hora, se der vontade, eu dou um jeito", e no fim, porra nenhuma: fiquei brizando na sala de casa, com uma lagriminha de arrependimento no canto do olho, enchendo a cara, fritando pastel, assistindo Queens of the Stone Age e Pixies quebrar tudo na tevê.

então esse ano resolvi que iria: confirmados Sonic Youth e Faith No More, já descolei logo os ingressos. me deixou muito mais feliz quando confirmaram na sequência Primus, Down e Black Rebel Motorcycle Club, e eu já com os tiquetos na hand. sweet.

pois foi chegando o dia dos shows e o arrependimento geriátrico começou a bater. distância, gente demais, tumulto, possivel chuva e lama, etc começaram a me broxar o pique do festival. bom, chegou o dia e, já lá no local, tudo isso teve mesmo. inevitável. nem sei como aguentei, mas suportei tudo sem (muito) azedume. encontrei muitos amigos espalhados pelo rolé, comi e bebi moderadamente bem, apesar da minha contínua indignação com preço exorbitante de tudo, o que, diga-se de passagem, não adianta nada reclamar porque NADA vai baixar de preço mesmo. conformem-se, míseros mortais, e desembolsem o que vocês tem e o que não tem! ao menos não é dízimo de igreja: é dinheiro gasto em nome da festa, do alcool e do capeta.

cheguei uns minutos do finzinho do BLMC. rockão, cria de Ramones/Motorhead com aquele tiquinho saudável de Jesus and Mary Chain. supimpa. daí era só virar pro palco contrario e caminhar uns metros pra já ouvir o gravão das guitas do Down. gosta de Black Sabbath e Saint Vitus? deveria ter presenciado esse show do Down, viu... uns caras feios, enormes, com guitarras pesadas em punho. qualquer um desses caras do Down que tivessem nascido a mil anos atrás teriam povavelmente sido vikings destruidores de crânios. mas no presente, só poderiam mesmo ser o que escolheram: roqueiros fumetas cabeludos que idolatram o Tony Iommi. Phil Anselmo, como sempre, um ork: retorcendo o queixo e soando o nariz como se tivesse "passado" meio quilo de pó. ainda correm boatos internéticos sobre a sexualidade de Phil Anselmo mas, de boa, ele ilustraria perfeitamente aquele memê fotografico que abaixo fraseia "VAI!! CHAMA DE GAY AGORA!". medo.





finalizado o Down brutalmente, no outro palco começava o 3-Eleven. perder o tempo com banda "one-hit" rapcore de qualidade duvidosa? eu passo. fui dar um rolé, comprar cerveja, conhecer o local e tal, até começar o Sonic Youth. taí, um show que eu estava ansioso pra sacar: o (provavel) último show do Sonic Youth, uma das bandas que mais respeito até hoje. pelo conteúdo, pela integridade, e pelo que representou pra minha construção musical e minha "juventude sonica", óbvio que eu estava faiscando! a primeira e ultima vez que havi sacado o SY ao vivo já completava 12 anos, 1999 Fuji Rock Festival em Tokyo. nessa ocasião eles faziam tour de lançamento do Thousand Leaves, então além dos sons do disco, mais nenhuma velharia além de Death Valley '69. Houveram duas apresentações no Brasil, Tim Festival e Claro que é Rock, dois shows fudidos e retrospectivos, e eu em algum lugar fora do país. só me restava esperar um dia os no-wavers de NY desembarcarem por aqui novamente. e restavam apenas uns minutos pra que eu visse isso novamente.

entraram no palco, vagarosos e contidos, mas não sóbrios. Thurston Moore anunciou a banda quase balbuciando de bêbado. daí fiquei imaginando a situação de todos da banda, com o fim anunciado de um projeto que já levava 30 anos. e pior ainda do casal Thurston e Kim Gordon, que além de perderem a banda do coração, perdiam uma vida juntos naquele momento. triste pacaraio, isso. não era a tôa que o cara devia estar cachaçado de full level. teria total direito naquela hora. teria direito até de tocar mal, de chorar no palco, de quebrar tudo, de ajoelhar e chorar pra banda e mandar a platéia à merda. mas nem o fez, levou o show inteiro no peito, na tranquilidade, e ainda dando aula de harmonicos, dissonancias e feedbacks do inicio ao fim. a versão de Death Valley pro show me deixou atordoado, pra depois matar a pau com hits de grandeza: Shadow of a Doubt, Schizophrenia - que ele apresentou pro publico como "Sister", nome do disco onde se encontra a música..., Cross the Breeze, Sugar Kane, Mote... pra mim foi perfeito, apesar de muitos comentários de "porcaria barulhenta" que eu ouvi por volta depois. sinceramente uma banda como o SY deveria finalizar a carreira em outro lugar que não o Brasil, um show particular só pra fãs, como fez o Rocket from the Crypt. o Sonic Youth tem seu lugar na estória do rock, fundindo o punk com a vanguarda do rok, o no wave; mas já não é mais compreendido em dias de Yeasayear e Bombay Bycicle Club. uhum. depois eu é que fiquei velho.






bom, após o velho Sonic, eu baixei a bola um pouco. já tava sentindo cansaço de ficar em pé, ou pulando, ou andando, e fui beber mais. veio a chuva chata que incomodou quase o resto da noite toda e a partir daí, não tive mais uma "produtividade" pra assistir o que ainda viria. o Primus é uma banda espetacular, dispensa apresentações. Les Claypool, no seu estilo único, não cumprimenta a platéia como 99,9% dos gringos que tocam aqui: "so... this is brazil!! hmmm... interesting!", é a única expressão de boas vindas do magrelo estranho que come seu baixo com farinha. por si só ele já é um espetáculo com aquela porcaria na mão. junto com mike watt, ron carter, mingus e o cara do Rancid, ele é um especialista no que faz, na opinião desse humilde servo que também arranha 4 cordas.

Megadeth na sequencia, pra fazer a alegria da comunidade metal. nem curto muito; falar a verdade ultima vez que ouvi um disco do Megadeth foi no lançamento do Rust in Peace, então nem tenho parâmetros pra dissertar sobre uma banda que não me interesso fazem 20 anos. depois do velho Mustaine, ainda Alice in Chains e Stone Temple Pilots (...) teve mesmo?? bom, não vi: fui tirar um cochilo na graminha até começar a chover, quando pulei pra tenda de comida vegetariana, mas fui sumariamente incomodado porque ali do lado começava o show do Simple Plan. foi o momento mais dificil da noite, daqueles que dá uma vontade louca de queimar o chão pra casa, assistir algum filme debaixo dos cobertores comendo porcaria. mas ainda faltava o Faith no More.






grande banda mesmo, o Faith No More. indiscutível a força que ainda tem essa banda por aqui. muito se deve ao carisma de seu frontman, senhor Mike Patton, já hoje uma instituição da boa música com seus mil projetos geniais. o palco cheio de flores e vasos e Patton entra com sua trupe fantasiados de... Zé Pilintra? idiossincrático, não podemos negar. Ele, poliglota conhecido pelo carisma com as linguas latinas, conversou com o público o tempo todo em português, o já tradicional "PORRA, CARALHO" que ele tanto adora esbravejar, e até uma música inteira cantada na ligua lusitana, Evidence, que já tinha sua versão em espanhol. espetáculo primoroso. variou o show todo entre hits e não-tão-hits, entre softs e porradas, além de convidarem o Coral de Heliópolis que apavorou o som Just a Man. o FNM sempre insiste em alguns sons do Real Thing, que eu realmente não gosto muito, mas quando tocam Epic, na boa, me broxam. musica datada. mas acho que o fazem porque os fãs adoram, enfim... isso não estragou o show não. volte sempre obrigado, FeNeMê. são sempre bem vindos por essas bandas.







o SWU cumpriu metade do papel a que se prestou: os bons shows de boas bandas. de resto, aquela bravata toda de "sustentabilidade", a palavra da moda dos ecologistas de jardim de inverno de shopping, foi pura conversa pra boi dormir. peguei um copo de plástico na entrada do evento e só dispensei o bixo no final de tudo; era particularmente fácil manter o copo seguro entre os dedos, cheio ou vazio. mas o que se via entre a lama eram só copos de plastico. a perder de vista. o evento não poupou gastos com isso, e o público não colaborou, como já é de se esperar. as palestras, ao que me parece, também não funcionaram. quem foi de carro também se lascou lindo: conheço gente que só conseguiu ser desatolado do estacionamento as 9h da manhã da terça feira, e ainda com uma retroescavadeira que cobrava 50 dinheiros dos retardatários desafortumados.

meu ponto negativo em destaque vai para os seguranças anti-marijuana: haviam uns imbecis que ficavam rodando no meio da galera "caçando" quem estivesse dando uns tapas no finote, e escurrançando as pessoas em público por causa disso. agora me explica uma porra dessas, batiman: um festival de 3 dias que se propõe a ser um pseudo-Woodstock, com muito rock, muita lama, adolescentes, comida vegetariana, "sustentabilidade", pensamento liberal-moderninho, Peter Gabriel, Down, Neil Young... mas que tem uma cruzada cristã-fundamentalista-truculenta contra todos os maconheiros dentro de uma jarda de 50 quilometros???

...um episódio do Monty Python sobre formigas faria mais sentido que isso.

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