"Caso USP: Uma visão míope do acontecido"

por - 18:22



Eu acompanhei de leve essa história da USP e não estou a par da real situação, então como leigo que se guia por veículos de comunicação absolutamente imparciais e várias versões de uma mesma história, farei um comentário geral do que entendi da situação toda. Se todo mundo que não podia dar pitaco acabou dando, por que eu devo ficar calado? Só lembrando que não sou (e nem pretendo ser) jornalista, logo, posso falar a merda que quiser e o máximo que vai acontecer é eu falar merda demais.

Tudo começou quando os pepas (vulgo policiais) pegaram uns maconheiros fazendo o que eles fazem de melhor: discutindo sobre a falácia que é a economia populista. Mentira. Eles estavam fumando maconha mesmo. Aí começou a baixaria, porque muito uspiano acha que os campi da USP são áreas da Varsóvia completamente desprovidas de leis e com anistia concedida pela ONU, embora também, muito policial ache que esculachar maconheiro faz bem pra auto-estima e faz parecer que o trabalho está sendo muito bem feito quando nem sempre está. Tomem essa, metades afetadas!

E o mais engraçado é que a parada cresceu num nível inimaginável. A molecada tomou a reitoria da USP armados com livros de esquerda, vodka barata e rimas de protestos do tempo da ditadura que não eram usadas desde àquela época. Material pesado. E levou um tempão pra polícia orgulhar as mamães dos guardas e entrar na universidade pra desocupar aquela pseudo-revolta hippie. Eu sei que dessa forma eu até pareço um falso moralista, mas veja bem: dentre as reivindicações pra desocupar a reitoria estava a legalização da maconha. É, molecada. Assim vocês me obrigam a concordar com o Datena em deixar os PMs zerarem vocês de porrada. Vamos protestar uma coisa de cada vez, ok? Sem misturar tudo e fazer uma orgia com a minha paciência.

E aí vêm os comentários dos populares, que são a voz de Deus. Aliás, sempre fiquei confuso com essa parada de que a voz do povo é a voz de Deus. Não foi o povo que mandou crucificar Jesus? Mas enfim, não sei muito dos comentários, a não ser pelos que pipocaram nas minhas redes sociais. Todo mundo metendo o pau na molecada revolucionária de moletom da GAP. E é aí que eu fico apreensivo. Há muito tempo vejo o povo reclamando da falta de atitude que sofremos em relação aos caralhos que enfiam em nossos esfíncteres anais e aí quando chega uma molecada, ainda que burguesa em sua maioria, e tenta mudar seu pequeno mundinho regado a provas finais, psicoativos e “resistência”, todos metem o pau reclamando da atitude. Por mais que a atitude não seja nobre pra uma maioria, é de se admirar que eles tenham se unido desta forma pra lutar por algo que eles acreditam e isso, ao menos pra mim, não de se odiar tanto, Srs. Eu Odeio Boyzinhos Sindicalizados.

Como os próprios disseram, a revolução se fez de maneira histórica. Concordo. Todos lembraremos do quanto somos resistentes à revolução alheia, tal como somos irônicos e sarcásticos em relação à vontade do outro de mudar as coisas. Por outro lado, também vamos nos lembrar de como somos ridículos quando não sabemos protestar por direitos que não temos legalmente. Possivelmente nos lembraremos da falta de união que nos desestabiliza socialmente, por conta da diversidade de ideologias e crenças em que cada ser humano está imerso, e do quanto isso inviabiliza uma revolução outorgada. Nossa, lembraremos de muita coisa. Aliás, do que eu estava falando mesmo?


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