"Nada como um pingo atrás do outro"

por - 18:31


Lá vou eu falar do fim do ano de novo e divagar seus pontos mais obscuros, traçando paralelos entre o agora e a época da peste bubônica na idade média valendo dois pontos e meio na prova final. Por que será que eu falo tanto sobre o fim do ano, né? Talvez porque estamos no fim do ano. Ou porque fui molestado pelo Papai Noel e seus vinte e dois anões dentro de um presépio de shopping construído de papier mâché e jornais da ditadura militar. Sim, essas coisas devem acontecer... Espírito natalino é isso aí.

Fim de ano, além das frivolidades que nos batem a cara como um peixe fedido, também tem a natureza se vingando ferozmente com o tal peixe fedido literal. Chove pra caralho. Já é uma época triste e papai do céu ainda manda água e mais água pra poder deixar tudo ainda mais deprimente. E acho até que ele faz bem, sabe. Quem sabe um dia a gente não para de copiar os gringos com essa palhaçada de neve, velho de pijama vermelho e descer pela chaminé. Isso até parece um roteiro rejeitado de esquete dos Trapalhões, onde o Didi caga na cabeça do Dedé, passa a perna em todo mundo e sai todo meninão de cena.

E falando de chuva, sempre aparece aquele indie hipster punk rasheenish tetudo que fala que gosta de chuva. Nada contra quem gosta de chuva, mas tudo contra quem é indie hipster punk rasheenish tetudo que diz que gosta de chuva e vai pra uma praça ou algo que o valha e fica rodando e agradecendo ao Deus, que diz não acreditar, pela chuvinha fina que lava a alma. Porra. Para efeitos de meteorologia, só consigo dizer: raios no seu cu. Porém, olhando o lado biológico, chover não é de todo ruim mesmo, uma vez que a poluição diminui. Ainda que em SP, isso seja tão irrelevante quanto um flashmob na Av. Paulista em prol dos direitos de se usar calça saruel pra pular de paraquedas.

Estava andando pela rua esses dias e, sem querer, aliás, sem querer uma ova porque as pessoas falam alto pra caralho e te obrigam a ouvir tudo, mas enfim, ouvi dois caras conversando sobre suas aventuras sexuais planejadas para o fim de semana. Um deles estava empolgado porque ia comer alguém sábado, apesar do carro ser conversível e ele não ter a capa que faz o carro voltar a ser não-conversível (não sei os termos técnicos, me prenda por isso). Então o outro diz, meio que querendo estragar a festa do amigo: “ih cara, vi na TV que vai chover o fim de semana inteiro. Eles planejaram tudo... vai chover sexta, sábado e domingo”. Fiquei imaginando como eles achavam que a previsão meteorológica é feita. Talvez com um oráculo, com o Gasparetto ou com aquele dispositivo que os caça fantasmas usavam pra achar seus alvos.

Mas é isso aí. Chuva no fim de ano é tão certo como o próprio fim de ano. E como meu avô, um grande conhecedor da vida e de suas andanças completamente corroídas pelo consumo exacerbado de álcool, para prever chuva, basta esfregar duas folhas verdes e sentir o cheiro delas. Se o cheiro for de água, vai chover e se não for... bem, você só fez o papel de velho bêbado do agreste. E assim se segue a tradição!



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