Ekundayo ou a alegria que advém da tristeza em forma de música...

por - 18:17


Cerca de no máximo dois meses atrás estava conversando com o Guilherme Granado (Hurmold, Bodes e Elefantes) pelo chat do Facebook quando ele me mandou um link do bandcamp de um novo projeto onde só era possível escutar a primeira faixa do registro. Eis que no dia 29 de Novembro finalmente foi lançado pelo selo americano Ropeadope uma edição limitada de mil copias em vinil do projeto Ekundayo pela bagaleta de $13.98(incluindo download das músicas em formato digital pra quem compra o vinil e após finalizar o vinil sendo vendido apenas em digital).Ekundayoé uma palavra do Yorubá que significa “a alegria que advém da tristeza” e nomeia o encontro de diversos artistas de épocas, locais e estilos completamente diferentes numa rede de colaboração sonora. Saca a formação que saiu no noropolis: “Com a benção percussiva do pernambucano Naná Vasconcelos (que já trabalhou com nomes como Don Cherry, Milton Nascimento e Freddie Hubbard, entre outros), a gangue formada pelo cornetista Rob Mazurek (Chicago Underground, Exploding StarOrchestra, Starlicker ), pelo poeta/MC/beatmaker Mike Ladd, por Mauricio Takara e Guilherme Granado (ambos do Hurtmold e São Paulo Underground), pelo produtor/músico/engenheiro de som Scotty Hard (Vijay Iyer, Medeski, Martin & Wood) e por Rodrigo Brandão e Lurdez Da Luz (ambos MCs do Mamelo Sound System), compôs as 12 faixas de forma quase telepática. Completando a lista os baixistas Stu Brooks e Melvin Gibbs, que adicionaram camadas de freqüências ao mix em 3 faixas.







A brincadeira vem sendo arquitetada (sem querer) desde 2008, quando rolaram as primeiras interações entre Rob Mazurek e Mike Ladd com Mauricio Takara, Rodrigo Brandão e Lurdez da Luz. O resto do grupo foi se encaixando naturalmente, ate que sentiram a necessidade de elevar o nível percussivo da parada e convidaram o Naná Vasconcelos, daí nasceu então este belo registro sonoro. Já na introdução fica claro a mistura do orgânico/analógica com a parafernália eletrônica da música moderna, mas é muito mais que isso. Em Macumbeiro Então o rap/ hip hop característicos de R.Brandão e Lurdez da Luz (relembrando o Mamelo) se unem também aos versos do Mike Ladd e aos diversos elementos percusivos e beats com palmas e sints bem altos, numa letra que versa sobra a vida paulistana da dupla e a constante busca por novas batidas e influências, e encaixa bem com a letra (em inglês) do Mike Ladd. Já em $elva do Dinheiro a temática volta pra um dos problemas sociais mais relevantes no Brasil, com citação direta ao ex-presidente Fernando Collor, música forte e recheada de batidas e mudanças nos intervalos sem presença de vocal.

Em Family Thang é a vez de Mike Ladd se tornar o protagonista, carregando a música a principio, mas no refrão é marcante a voz da Lurdez para então entrar um verso muito bom do R.Brandão falando sobre colaboração, tal qual uma família e a Lurdez completa falando sobre os novos ares de sua vida. Nesta música a corneta do Mazza fica alta e notória no fundo dos beats embolados, aconselho o uso de fones e capacetes. Freak Rock aparentemente é a hora da diversão pras três cabeças loucas de Mazurek, m.takara e Guilherme Granado, remete ao SPU só que com menos jazz e mais a vibe eletrônica (que o Mauricio faz bem no trampo solo dele), é a primeira faixa instrumental e delimita bem os beats e o tal do afrofuturismo aclamado pelo Nana. Algo Necessário mais uma vez remete ao duo do Mamelo no protagonismo da bagaça, a construção dos vocais é mais ou menos a mesma das primeiras faixas, encaixando o Ladd no meio, deixando o lance bilingui e um refrão bem forte e repetido em diversos tons de voz.







The Massage

sim tem inicio numa espécie de música livre que caracteriza o SPU, a sobreposição de camadas sonoras (inclusive alguns vocais em loop) deixa um som ambiente muito bonito. Já na canção Em Nove a batida muda muito de figura, uma base que encaixa bem com o vocal do Brandão remetendo muito ao lance hip/hop dele com a Lurdez (mais que as outras faixas). Em Prevelar o tal de afrofuturismo parece retornar, na onda da letra, elevando a alma e com o Ladd novamente mais presente. A faixa Claudio Café já começa a encaminhar a viagem sonora para seu fim, o Rob Mazurek é o protagonista inicial da brincadeira, junto com a bateria do m.takara e sobreposições diversas dos demais integrantes. Ai entra em cena a batida eletronica doida em Just Love e é a construção musical mais bonita e organizada do disco todo. Todos os elementos crescem num ritmo muito agradável, das melhores músicas que ouvi no ano de 2011. E a calmaria continua na singela Night Of The Hunterque finaliza o álbum já deixando uma saudade, uma vontade de novos ares e registros. Um som ambiente de altíssima qualidade, entrelaçando entre estilos e instrumentos diversos, até chegar ao seu final.A bela arte do álbum é de Damon Locks (The Eternals) e agora fica a expectativa de quando este belo registro será lançado na Brasil, mesmo sendo possível comprar o vinil por um preço bem acessível direto da terra do Tio Sam. Resta-nos torcer por shows e tour desta empreitada em terras tupiniquins, sempre utilizando capacete pra agüentar o tanto de pedras atiradas...



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